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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Rio de Janeiro

Majestosa paisagem do Corcovado, de cortar a respiração
Se quero fazer um percurso sentimental pelas minhas cidades de eleição, esta não estando em primeiro, aí está Paris, mas está em segundo. A chamada "cidade maravilhosa", é mesmo  maravilhosa. Porque tem monumentos, não tem. Porque tem património, não tem. Porque tem museus, arte, artistas na rua, não tem. Porque tem ruelas carregadas de séculos de história, não tem. Porque tem gente bem vestida, lojas de primeira água, perfumarias, comércio onde apetece estar, centros comerciais, não tem. Afinal o que é que tem ?  Tem "punch" !!! e o que é isso, não sei ! Vamos descrever algumas coisas que tem e que são adoráveis. Tem caos no transito, tem tunel velho, tem lagoa no meio da cidade, tem samba aos berros, tem bom restaurante, tem floresta tropical ao lado das avenidas, tem morro, tem favela gigante ao lado do prédios da burguesia, tem ladrão a espreitar ocasião, tem praia, calçadão, leblon, tem elevador, tem teleférico velho e assustador, tem pão mas de açúcar, tem cristo redentor, corcovado e bondinho, tem hotel com AC avariado, tem preto, tem mulata, tem branco, tem  coco gelado, chop, e pastel de siriri, tem gente amável, tem no passeio centro comercial a céu aberto, tem sambódromo, tem velhos onibus, que fazem corridas nas avenidas, tem bikini, bumda e marginal "de olho", tem guarda na porta do prédio, assaltante, tem montanha alpina ali na mão, tem abacaxi a um real, tem camisa regata, tem amor em cada janela, olhar em cada esquina, e uma alegria permanente feita a partir do nada, optimismo feito a partir da miséria, espirito positivo que contagia. Passados oito dias já somos meio cariocas.
Secreto desejo de ir ao Carnaval do Rio já está dado por perdido
Visitei em 1995 e 1999, duas viagens bem diferentes, perdidas no tempo da recordação, mas tenho saudade do Rio, cidade onde já não voltarei. Falta um visto na minha lista de locais a visitar, o Carnaval do Rio, esse visto vou morrer sem o obter.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Santiago de Compostela

Em Santiago de Compostela no ano 2000
Na minha "peregrinação pessoal" pelas cidades da vida cabe hoje recordar Santiago de Compostela, onde fui por duas vezes, em 1997 e no ano 2000, nunca a pé, pois não sou homem para essas aventuras, mas sempre bem instalado de carro. A cidade é conhecida por ser um dos locais de peregrinação mais importantes da Europa, afecto à imagem do apóstolo Tiago, que ali se encontra sepultado, ou é suposto ali estar. A cidade, vulgar nas suas imediações, detém um centro histórico medieval onde a pedra é rainha, e os monumentos históricos abundam. E desde logo o maior de todos, a Catedral centro de todas as atenções, e local de grande tráfego de visitantes, entre peregrinos, turistas e arrivistas que ali aportam.
A cerimónia do Botafumeiro
Os rituais são interessantes, desde a oração com os dedos metidos num buraco e a cabeça encostada num dos pilares que seguram a majestosa catedral, a visita ao túmulo do apóstolo onde se pode deixar um papelinho com um desejo, um pedido a Santiago, que com grande probabilidade será realizado, e o climax a cerimonia do "Botafumeiro", todos os dias realizada pelas 11h00, e que pode ser entendida como uma benção de acolhimento a todos os que visitam a cidade, impressionante, pela música que a acompanha, pela enorme dimensão de cadinho onde se encontra aquilo que se queima, incenso, e a dimensão em altura da cúpula onde balança como um pêndulo o enorme vaso que lança fumo sobre a cabeça dos visitantes. A cerimónia demora cerca de meia hora, e senda uma actividade religiosa ela cala fundo mesmo dentro daqueles que têm uma fé mais ténue. Fiquei impressionado das duas vezes que assisti. Ali vivemos a nossa pequenez, e ninguém vem de lá igual. Depois temos toda a actividade social da cidade, a boa comida galega, as filas infindáveis de peregrinos que vêm de todo o mundo, e que dão à cidade um ar cosmopolita, mas com moderada dimensão. è uma cidade a que se deseja regressar, pois acolhe bem, tudo está preparado para receber, pois disso vive e disso se alimenta.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Paris 2

Foto tirada no terceiro andar da Torre Eiffel a mais de 300m de altura
Pois neste meu roteiro pelas cidades que visitei teria de regressar a Paris, mais cedo do que tarde. E regresso ao dia 23 de Abril de 1990, a foto tem a data marcada por isso a precisão. Bonito é visitar a cidade luz, conhecer os seus meandros. mas mais bonito é servir de cicerone improvisado para quem a visita pela primeira vez. Foi o caso. No quadro de uma visita em trabalho éramos um grupo de quatro que fomos visitar vários locais da empresa em que trabalhávamos, todos em França, visando procurar copiar modelos de trabalho, coisa que fizemos, com a interajuda que sempre caracterizou o trabalho nessa empresa, nomedamente no Departamento que coordenava. Como sempre fazia-se um pouco de turismo, e eis que surgiu a oportunidade do grupo visitar o local mais emblemático da cidade, exactamente a Torre Eiffel, local onde esta foto foi tirada, e no seu ultimo andar à noite, de onde a vista é arrasadora no seus 300 metros de altura. O frio apertava, como se pode depreender do casacão que transportava sobre mim, que me foi emprestado, e do sobretudo da colega e amiga Isabel, hoje se calhar já avó, pois tudo se passou há 25 anos atrás. Esta visita ficou-nos na memória, pois a um trabalho que nos arrasou, juntou-se um programa turístico "after hours" em que não ficou pedra sobre pedra. Paris no seu melhor correspondeu e de que maneira.
Fábrica Boulogne-Billancout uma ilha no Sena, onde a marca nasceu. Os carros fabricados saiam de barco...
Várias coisas ocorreram nesta viajem, nomeadamente assistirmos ao anuncio ao vivo de encerramento da fábrica Renault de Boulogne-Billancourt, por Raymond Levy, na altura PDG da empresa, no dia em que fomos visitar a fábrica, a mais antiga do grupo, onde em directo se assistiu ao despedimento de vários milhares de trabalhadores. Ainda me recordo de assistir ao anuncio na garagem dos autocarros da fábrica, em postos de TV interna, e em estado de choque. Escusado será falar da cara dos atingidos, fulminados por um raio... Recordo que esta era a fábrica emblemática do grupo, onde os sindicatos eram reis e senhores, situada numa ilha no rio Sena, a Ile de Séguin, era como um barco navegando no rio. Hoje 25 anos depois nem sei o que lhe aconteceu, mas foi ali pertinho que Louis Renault tinha a oficina onde criou a famigerada marca francesa, para a qual trabalhei mais de 15 anos. Mais uma velha recordação duma cidade onde ainda espero ir antes de morrer, nem que vá de rastos.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

S. Salvador da Bahía

Continuo a minha rota por cidades que visitei e onde algo se passou que recordo, pois terá deixado uma marca indelével. S.Salvador ou se quisermos, a Bahía, como se lhe chama também, é talvez a cidade mais encantadora que visitei, pois ao visitar encontramos nela um pouco da nossa cidade de Lisboa, uma luz extraordinária, um património que tem tudo a ver connosco e que mostra como os portugueses por ali viveram, construiram, deixaram marca na paisagem. Esta a grande cidade de Jorge Amado, para mim o maior escritor da lingua portuguesa, mas ali encontramos a mistura, entre a Europa e a África, entre o negro, o mulato e o branco, e recordo essa miscigenia patente nas ruas, nas lojas, no mercado, onde os cheiros e as cores das frutas nos enchem de aromas. Ali estamos em casa, mas vemos que alguém reinventou a "nossa casa". Visitei em 1995, já lá vão vinte anos, e recordo os sons da musica sempre no ar, que nos contagia, mesmo a mim, um rapaz pouco de se deixar entusiasmar, acabei a dar por mim a dançar numa das muitas festas populares que todos os dias estão por toda a cidade, e nestas festas ninguém te afasta, tudo te atrai, as pessoas são afectuosas, e a cerveja escorre com muita facilidade, as noites são quentes, o clima suave, tudo convida ao romance, à diversão, ao mistico.

Entre muito do que adorei na cidade está a Igreja do Senhor do Bonfim, onde sentimos uma mistica fabulosa. A igreja, pequena, está sobranceira sobre o mar, lá se compram as pequenas pulseiras de fita, que devem ser usadas até se rasgarem, para nos dar sorte, lá estão milhares de ex-votos que "atestam" as curas miravculosas do Senhor, sente-se fé, até um ateu empedernido ali se converte, por pouco tempo que seja acredita. Fomos para lá de autocarro e assim voltámos, a viagem ela mesma um espectáculo, a velha carripana ginga por todo o lado, o samba e a musica axé soa aos berros, e tudo segue o balanço, o ar entra pelas janelas, algumas sem vidros, o que permite que o transporte se funda com o exterior nas ruas onde as gentes se apertam, as baianas circulam com seus fatos brancos e os balangandans pendurados, e vendem na rua tudo o que se pode vender, da fruta aos pastéis, peixe e acessórios para colocar sobre o corpo, tudo é afecto, tudo e maravilha, tudo é mistico, tudo é santo, tudo é sol, tudo cheira bem, aquele cheiro tropical intenso. É sem dúvida uma das maravilhas da lusofonia, A ir uma vez na vida, e a perder-se no meio das gentes, sem circuitos turisticos obrigatórios.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Paris

É dificil escolher uma recordação nestas minhas peregrinações através da memória, pois Paris é uma cidade que visitei muitas dezenas de vezes, desde 1973, até 2006, data da minha última ida, seja por motivos profissionais, seja turismo, ou um pouco dos dois. O trabalho numa empresa francesa potenciou estas deslocações, e o sistema de ajudas de custo, reconheço que ajudou, na disponibilidade dos meios financeiros para certas visitas como é o caso da que recordo aqui hoje. Paris é sem dúvida "a minha cidade" por excelência, e anos atrás conhecia-a muito bem, sendo que me deslocava de carro para qualquer ponto, sem qualquer dificuldade, incluso atravessar a "Etoile", isto é a praça onde se encontra o Arco do Triunfo, donde saem mais de uma dezenas de ramificações, sendo que a ausência de semáforos obriga a uma travessia cuidadosa, e o segredo é "nunca parar". Mas deixemos isso e vamos à recordação desta cidade que mais me marcou ao longo de tantas visitas. Haveria muitas razões artisticas pois estão ali grandes museus, Louvre, Orsay, entre muitos outros, patrimoniais, pois temos ali grandes edificios emblemáticos como Sacré Coeur ou a Eiffel, mas a minha recordação vai para um local que não encontramos em mais lado nenhum, o "Moulin Rouge", isso mesmo, o lendário cabaret, aberto em 6 de Outubro de 1889, dia do meu aniversário, ardido em 1915, e de novo reconstruido das cinzas. Estive lá por duas vezes, a primeira em 1986, e mais tarde em 1988, e é uma excitação enorme saber que estamos a entrar num local carregado de história, onde meia Europa passou, e com muito mais de 100 anos de "bons serviços" pretados.
Situado no bairro do Pigalle, conhecido pela sua marginalidade, prostituição e sex shops, e integrado em todos os circuitos turisticos da cidade, todos os dias vêm autocarros carregados de japoneses, encherem as suas mesas com gente. Os shows estão sempre cheios mas todos os dias se pode comprar bilhete com jantar e espectáculo, por cerca de 180 euros, ou apenas espectáculo, mesa e meia garrafa de champanhe, por cerca de 120 euros. Já na altura pagou-se cerca de 180 francos por esta ultima opção, que permite ver o melhor. O show de cabaret francês, com muitas dançarinas espectaculares, já na altura dançando em "top less" mas sempre nos quadro do bom gosto e da  beleza feminina, pois de facto é a beleza feminina o grande ingrediente. A sala é pequena e muito acolhedora, e o show intenso de luz e côr, e muito bonito, a musica tocada ao vivo. Uma visita a fazer pelo menos uma vez na vida, e quando comparado com outras alternativas, Lido, Crazy Horse ou Alcazar, vale a pena, se não se puder visitar também os outros (desses fui ao Alcazar). Cá está mais um visto a pôr na lista de visitas.

sábado, 31 de outubro de 2015

Málaga

Estávamos em Novembro de 2003, data da inauguração do Museu Picasso, na sua cidade natal, Málaga. Decidimos uma visita à cidade e aproveitar para visitar o Museu recém inaugurado, com a qual a cidade pretendia homenagear o seu vulto maior. Na altura a partir do Algarve ía-se de carro, e assim foi, apesar dos cerca de 500 quilómetros que ainda separam. Uma pernoita num local esconso pelo caminho, e pela manhã já se estava na fila para comprar bilhete para entrar, A cidade encontra-se numa baixa junto ao mar e muito se tem de descer para lá chegar, após quilómetros feitos a uma altitude razoável, da qual só nos apercebemos quando temos de descer até ao nível do mar.
Conta-se que em 1953, a delegacia da cultura da cidade natal de Pablo Picasso, pediu duas obras ao artista, que entusiasmado com a ideia, terá dito que não oferecia duas obras, mas dois camiões de obras, oferta recusada pelo governo franquista, que excluia o génio espanhol, conhecido como comunista e inimigo do ditador Franco. Só em 1992 foi retomado o processo, tendo a família do artista feito a doação de 285 obras que estão expostas no Museu inaugurado em 2003.


Entrámos no Museu e podemos usufruir de obras de todos os estilos que Picasso utilizou, e períodos da sua pintura, ou escultura, que também está exposta. Não estarão ali as principais obras do autor, mas das mais de 2000 que criou, estão 285, em particular muitas do cubismo. É um encher o peito com a criatividade deslumbrante do artista, sendo que muitas das obras nos questionam, se nós próprios não as faríamos, agora que as vemos, tal a liberdade e a simplicidade de algumas, só que ele as fez hà cerca de 100 anos, quando os conceitos de pintura eram outros, daí o seu carácter tão inovador e irreverente, mesmo para os dias de hoje. Da cidade nada mais interessou. Voltámos, uma noite em Benidorm, ali perto, na altura de inverno uma cidade fantasma, e "ala que é cardoso" de regresso ao Algarve. Valeu a pena !

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Londres

Apenas visitei Londres duas vezes, uma em 2005 e outra em 2007, esta última já um pouco debilitado, e confesso não ser a cidade das minhas maiores simpatias, talvez por não ser muito fluente em inglês. Hoje em dia tenho lá a minha filha Joana a residir, que gostaria de visitar para falta-me a coragem, e sobretudo as forças. O que quero aqui recordar é a minha última visita a Londres em 2007, e que teve dois focos em concreto, a visita ao Museu Britânico, onde estava uma exposição do Exército de Terracota, da China, e uma ida ao Royal Albert Hall, que não conhecia, para um espectáculo, no caso um concerto de Harry Connick Jr, um americano, durante anos indicado como o "crooner" sucessor de Frank Sinatra, mas ainda hoje a grande "Voz", não encontrou substituto, apesar de ter deixado o lugar em aberto. Mas além do show, era a sala que me atraía, uma sala emblemática, onde muitos dos meus ídolos actuaram. E lá fomos.

Voos baratos, Easyjet até Gatwick, e depois hotelzito, apesar de rasteirinho, caro, como sucede em Londres, onde a comida e o alojamento têm pouca qualidade e são sempre muito caros, ou se quer ficar bem alojado tem de se abrir bem a carteira. Bilhetes para o Royal Albert Hall, muito caros, apesar dos lugares, comprados na net serem, no ultimo lugar do ultimo balcão, mas comprados aí não tanto pelo preço, proibitivo, mas por a sala estar quase esgotada com muita antecedência. No dia e hora, 20h30, lá fomos até Kensington, onde fica a célebre sala, e entrámos pela cave, onde existem muitos bares, e restaurantes onde se pode jantar antes de show, não foi o caso, pois tudo era proibitivo, ficou-se por um café, tipo balde, e uma pequena tarte. depois procurar o lugar, uma odisseia, elevadores, escadas, rampas, sempre subindo, pois o lugar era mesmo lá no alto. Quando se entrou na sala, um susto. A  sala era linda, mas o lugar parecia à beira de um precipício, tal era o desnível para o palco, que se situava lá no fundo, e nós estávamos de lado e quase a ver de "helicópetro". O show iniciou-se, o som era bom, mas a vista um pouco deficiente dada a posição, mas não havia um único lugar vazio, o "artista" era um virtuoso, já sabia, quer a cantar, próximo de Sinatra, mas também a tocar piano. No intervalo tivemos a noção mais exacta do local, quase um estádio de futebol coberto, onde decerto cabiam mais de 5 000 pessoas (sei que são 5272 lugares), e onde a movimentação é afinal muito facilitada por bons acessos no interior. Ficou a memória deste dia, e coloquei mais um visto na minha lista de locais emblemáticos a visitar.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Barcelona

Dizem que é uma cidade vibrante, acredito pois todas as cidades de Espanha assim são, e esta em particular tem os dons de uma cidade portuária, que afinal não é espanhola, assim, mas catalã. Apenas a visitei uma vez e já foi há alguns anos, 1998, para ser mais exacto, e mais uma vez juntou-se um compromisso profissional, com um pouco de turismo. Das suas extraordinárias benesses arquitectónicas e artisticas não falarei agora, mas muitas passam por Gaudi, por Juan Miró ou Picasso, que ali dispõe de um museu que lhe é dedicado, entre muitos outros, como Dali, ou até literárias, lembro a boa recordação de romance "A sombra do vento", de Carlos Luiz Zafon, ali passado. Mas de nada disso quero agora falar, ou recordar, mas a minha recordação de hoje está ligada a uma coisa mais prosaica, um estádio famoso na cidade, que se confunde com ela, e com a própria Catalunha. O Estádio Olimpico de Barcelona. Mas não é de desporto verdadeiramente, mas de um facto por mim vivido que tem algo de curioso. Tinhamos ido a Barcelona para assistir ao lançamento europeu de um automóvel da marca para a qual trabalhava na altura. Uma daquelas operações de massas, em que aviões fretados e uma organização impecável colocam milhares de pessoas numa cidade. Assim foi, chegámos a meio da manhã, e fomos deslocados para a zona de Montjuic, onde se tinham realizado os Jogos Olímpicos em 1992, que fomos visitar, e por ali se andou, a ver o museu Miró, que também está na zona, mas onde a populaça visitante, composta em grande parte por vendedores de automóveis, com uma cultura inversamente proporcional ao tamanho dos nós das gravatas, bocejava de fome, pois a hora de almoço chegava e não se via por ali local onde se pudesse amesantar tantos "gentilómens". Nisto a ordem é para nos dirigirmos para o estádio Olimpico, e directamente para o relvado, e ainda houve comentários acerca do estranho conteúdo da refeição. Mas não. Ao entrarmos vemos um conjunto de tendas montadas no relvado, para onde se entrou, e onde muitas mesas, buffet de excelentes entradas, escandalosas sobremesas e um serviço de mesa para refeições quentes saciou a fome daqueles milhares, que têm para contar terem almoçado no próprio relvado do grande Olimpico onde a nata dos atletas desfilou, e bebido grandes vinhos e melhores digestivos ( coisa que um bom vendedor de automóveis jamais dispensa). Fiquei com essa recordação gravada, desta grande cidade, e ainda hoje apesar de ter visto grandes obras nos seus museus, é o almoço na relva que perdura. Obrigado vendedores de automóveis !!!

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Madrid

É dificil falar de uma cidade onde há pontes e não há rio com água, onde há presunto e não há porcos, onde há castelhanos e não há espanhóis. Por isso é melhor falar daquilo que tem a rodos , por todo o lado, arte, artistas, museus, e um dos mais ricos patrimónios do mundo. Mas aqui apenas quero recordar um quadro um artista, sobretudo um momento que me fez ir às lágrimas. Já lá vamos. Esta foi a última viagem que fiz fora de Portugal, a partir daí a minha saúde tornou estas aventuras inacessiveis. Estava em Novembro de 2007, já lá vão 8 anos, e fomos a Madrid com um único objectivo, ver a exposição retrospectiva da obra de Paula Rego, que estava no Museu Rainha Sofia, ele próprio inaugurado havia pouco tempo. E assim foi, de avião até Barajas, hotel Ibis, acessível, e no dia seguinte de metro para o museu que fica para os lados da tristemente célebre estação de Atocha. Na exposição centenas de quadros da artista portuguesa radicada em Londres, desde os seus primeiros anos em Portugal, anos 50, dos primeiros tempos de Londres, até à celebridade consagrada nos quadros que agora todos podemos desfrutar, as suas histórias infernais, com as personagens brutais, que nos causam um impacto inesquecível. Uma maravilha, de técnica, inspiração e trabalho. Saliento o quadro, "O baile", julgo que é o nome, em que um casal desliza, quase sem os pés tocarem no chão, no meio de outros casais. Terminada a visita , e uma vez que ali estava decidiu-se ir ver o resto do museu, pois a Paula Rego tinha uma exposição temporária. De repente entramos numa porta e levamos um murro. Um murro artistico diga-se. Na nossa frente de carne e osso, a "Guernica" de Picasso !  Reconheço a minha ignorância, mas desconhecia que o quadro se encontrava ali, naquele museu. e o impacto foi maior. De frente da enorme tela de alguns metros por outros metros (3,49 metros por 7,76 metros), fiquei esmagado e não pude conter as lágrimas. Jamais poderia imaginar, perante aquelas figuras saídas de um inferno na terra, a reação que me provocava. Percebíamos ali ao vivo o que é uma "obra prima", algo que num ápice nos faz compreender tudo aquilo que já sabíamos mas ainda não tínhamos "integrado". Uma coisa é olhar numa reprodução, outra ver, tocar (não se pode...), cheirar, respirar do mesmo ar !

domingo, 25 de outubro de 2015

Viena

O sonho de qualquer apaixonado por música, o meu caso, é assistir a uma ópera em Viena. Concretizei esse sonho em 1995, e em vez de uma assisti a duas, em dias diferentes, e na Ópera Nacional, e pela Companhia Nacional de Ópera. Os espectáculos foram o "Otelo" de  Verdi, e as "Bodas de Fígaro" de Mozart, e logo Mozart na sua cidade, uma combinação perfeita. Para estes espetáculos existem meses de antecedência de reservas, pelo que a hipótese de chegar, comprar bilhete e entrar, é bastante remota. Mas na realidade foi isso que aconteceu. Em condições muito particulares veremos, mas exemplares acerca da forma como a música é vista na Áustria. Estávamos de visita a Viena, por motivos profissionais, mas como sempre nestes casos aproveitou-se para fazer um pouco de turismo. Devo dizer que na época de Ópera existem representações todos os dias, em duas sessões, á tarde e à noite, sendo que o espetáculo da tarde difere do da noite, e nos dias seguintes podemos ainda ver espetáculos diferentes, o que dá a ideia do que é, em termos de montagem e desmontagem, de organização e de número de artistas envolvidos.

De visita à cidade e ao edificio da Opera Nacional, apenas para uma vista de olhos, pois jamais pensaria assistir a um espetáculo, consultámos o programa, e naquele dia à tarde estava em cena o Otelo de Verdi. Constatámos que pessoas compravam bilhete, e entravam, o que me deixou espantado. O que era então ? Apesar de tudo estar esgotado, havia um conjunto de bilhetes que só podiam ser vendidos na próprio dia, e quem chega primeiro compra. A questão é que esses bilhetes só permitiam ver o espetáculo de pé, num local previligiado, mesmo atrás da plateia ( na foto um pequeno rectângulo atrás da ultima fila ) e de frente para o palco, e tendo por apoio uns corrimões onde as pessoas podiam apoiar-se para estarem mais "confortáveis. Comprámos bilhete que era muito barato, e entrámos embora o espetáculo só começasse dentro de duas hora, fomos ver o lugar que estava destinado e era um espaço aberto com 4 ou 5 alinhamentos de corrimões de apoio, onde as pessoas penduravam cachecois para reservar os lugares, e assim fizemos. Deixamos os  nossos cachecois, pendurados voltámos a sair e fomos dar uma volta . No regresso ocupámos os lugares, e durante cerca de 3 horas assitimos de pé a um espetáculo fabuloso duma cenografia maravilhosa e excelentes cantores, e como havia a possibilidade de dois dias depois assistir ás "Bodas de Fígaro", lá voltámos para o mesmo procedimento. Nos dois casos a representação estava esgotada para os restantes lugares, mas estes lugares baratos e de última hora estão sempre disponiveis para os amante de musica que não se  importem de passar 3 horas ou mais  ( as óperas são sempre muito longas) de pé apenas apoiados num  corrimão. Grande musica merece grande esforço. Para mim, vinte anos depois até subir a minha rua me atrapalha. Outros tempos! Mas na lista dos locais visitados onde diz "Ópera em Viena" está para sempre um visto !!! Esta já ninguém me tira ! Agora ouço em CD ou no Spotify ... música para paraliticos... paciência !!!