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quinta-feira, 10 de agosto de 2017
Dez de Agosto de Dois Mil
Nove da manhã estávamos no aeroporto, malas e malas, excesso de bagagem, dentes cerrados, olhos húmidos e a certeza de ser pra sempre, não sei se suportava a dor que sentia mas resguardava para não causar mais sofrimento. procuravamos forças onde só a fraqueza morava, procurávamos ser racionais onde a emoção tomava conta, ser lógicos onde a estupidez era insuportável. O check in foi feito depois de espera prolongada onde o nosso sonho era derretido em banho maria, para causar efeito, para completar uma noite de separação, para que mais cedo que tarde o esquecimento se instalasse, facilitasse as coisas, desse um ar inteligente áquilo que era uma incisão profunda no sitio errado do corpo. Prontamente foi pago o excesso de bagagem para que nada ficasse para tras, restos de vida, pedaços de sonho, sons de nossa ilusão, resíduos sólidos de uma vida insustentável. Insuportável, a mágoa instalou-se no lugar da esperança, e a mágoa deu origem à perda, e a perda ao vazio. Trocaram-se olhares e sabia que para lá daquela corrente estava a palavra fim. E sem mostrar hesitação a corrente foi transposta e tu desapareceste naquela escada evitando olhar para trás. Talvez para me poupar.
terça-feira, 8 de agosto de 2017
25
Vinte cinco anos atrás estávamos tristes, envolvidos pelo sofrimento de uma morte prematura, pela revolta da partida, inapelável, sem recurso e sem regresso. Uma vida que se destroçou na vertigem da doença prolongada, como agora chamam de uma forma benevolente. Um corte com a esperança de prosseguir o sonho, com a liberdade de conhecer filhos adultos, netos, de acompanhar o desenvolvimento daqueles que se ama. E a consciência da morte não alivia, apenas tortura, por isso também foi libertação do fardo de um corpo que pesa. Sei que muitos torceram o nariz a muito do que se passou, ou supõem ter-se passado. A reação de cada um perante a força da morte é assunto seu. A morte nunca é um problema bem resolvido. Apenas desilusão, frustração e falhanço. Para quem morre e para quem sobrevive. Muito mais tarde estive também esperando a morte entrar pela porta da enfermaria. Mas eu tinha a possibilidade de também a salvação chegar antes. Aconteceu. não posso imaginar como seria se ela tivesse falhado.
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
O 25 dos outros
Hoje é dia 25 de Novembro uma data que dirá pouco ou nada a muita gente. Eu diria que cada um tem o seu 25, alguns têm os dois, outros nenhum, muitos mudaram de 25. Para mim se voar até à minha juventude, na altura tinha 23 anos, bigode, fumava uns cigarritos ( só tabaco ) e tinha casado há pouco mais de um mês, diria que este foi "o 25 dos outros", daqueles que estavam no outro lado da barricada. Recém casados, erámos os dois militantes da UDP, a nossa actividade centrava-se no nosso local de trabalho, que era nos CTT no Terreiro do Paço, a praça que era o local de todas as manifs, rivalizava com o Rossio, vendas de jornais, lembro-me de estar a vender a "Voz do Povo", na porta que hoje se chama Pátio da Galé, e discussões políticas acaloradas, pois a venda da chamada "imprensa revolucionária" era sobretudo um pretexto para "agitprop". Sentia-se no ar que o chamado PREC se encaminhava para uma mudança qualitativa, e apesar de tudo tenho de reconhecer que não acreditava a cem por cento na possibilidade de uma mudança para o que na altura chamava-mos "poder popular". No dia 25, ía mudar coisas na vida, era o primeiro dia de um curso que faria a minha mudança para "técnico de exploração", como se chamava, e apresentei-me nos Restauradores para começar esse curso, e ouviu-se durante a manhã alguns disparos de obuses, que ocorreram, saberiamos depois, na Calçada da Ajuda. Nós da extrema esquerda éramos cautelosos, pois como se dizia "entre fascistas e social-fascistas não havia escolha", e para nós o golpe começou por ser da "esquerda militar" afecta ao PCP, a que se seguiu a reacção dos militares afectos ao "grupo dos nove". Não era o nosso 25, era o dos outros. Hoje reconheço que não estaria do lado certo, mas tudo tem o seu tempo. Aquele era o tempo de sermos "revolucionários", o tempo de acreditar, o tempo do coração.
terça-feira, 10 de novembro de 2015
Rio de Janeiro
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| Majestosa paisagem do Corcovado, de cortar a respiração |
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| Secreto desejo de ir ao Carnaval do Rio já está dado por perdido |
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
Santiago de Compostela
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| Em Santiago de Compostela no ano 2000 |
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| A cerimónia do Botafumeiro |
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
Paris 2
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| Foto tirada no terceiro andar da Torre Eiffel a mais de 300m de altura |
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| Fábrica Boulogne-Billancout uma ilha no Sena, onde a marca nasceu. Os carros fabricados saiam de barco... |
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
S. Salvador da Bahía
Continuo a minha rota por cidades que visitei e onde algo se passou que recordo, pois terá deixado uma marca indelével. S.Salvador ou se quisermos, a Bahía, como se lhe chama também, é talvez a cidade mais encantadora que visitei, pois ao visitar encontramos nela um pouco da nossa cidade de Lisboa, uma luz extraordinária, um património que tem tudo a ver connosco e que mostra como os portugueses por ali viveram, construiram, deixaram marca na paisagem. Esta a grande cidade de Jorge Amado, para mim o maior escritor da lingua portuguesa, mas ali encontramos a mistura, entre a Europa e a África, entre o negro, o mulato e o branco, e recordo essa miscigenia patente nas ruas, nas lojas, no mercado, onde os cheiros e as cores das frutas nos enchem de aromas. Ali estamos em casa, mas vemos que alguém reinventou a "nossa casa". Visitei em 1995, já lá vão vinte anos, e recordo os sons da musica sempre no ar, que nos contagia, mesmo a mim, um rapaz pouco de se deixar entusiasmar, acabei a dar por mim a dançar numa das muitas festas populares que todos os dias estão por toda a cidade, e nestas festas ninguém te afasta, tudo te atrai, as pessoas são afectuosas, e a cerveja escorre com muita facilidade, as noites são quentes, o clima suave, tudo convida ao romance, à diversão, ao mistico.
Entre muito do que adorei na cidade está a Igreja do Senhor do Bonfim, onde sentimos uma mistica fabulosa. A igreja, pequena, está sobranceira sobre o mar, lá se compram as pequenas pulseiras de fita, que devem ser usadas até se rasgarem, para nos dar sorte, lá estão milhares de ex-votos que "atestam" as curas miravculosas do Senhor, sente-se fé, até um ateu empedernido ali se converte, por pouco tempo que seja acredita. Fomos para lá de autocarro e assim voltámos, a viagem ela mesma um espectáculo, a velha carripana ginga por todo o lado, o samba e a musica axé soa aos berros, e tudo segue o balanço, o ar entra pelas janelas, algumas sem vidros, o que permite que o transporte se funda com o exterior nas ruas onde as gentes se apertam, as baianas circulam com seus fatos brancos e os balangandans pendurados, e vendem na rua tudo o que se pode vender, da fruta aos pastéis, peixe e acessórios para colocar sobre o corpo, tudo é afecto, tudo e maravilha, tudo é mistico, tudo é santo, tudo é sol, tudo cheira bem, aquele cheiro tropical intenso. É sem dúvida uma das maravilhas da lusofonia, A ir uma vez na vida, e a perder-se no meio das gentes, sem circuitos turisticos obrigatórios.
Entre muito do que adorei na cidade está a Igreja do Senhor do Bonfim, onde sentimos uma mistica fabulosa. A igreja, pequena, está sobranceira sobre o mar, lá se compram as pequenas pulseiras de fita, que devem ser usadas até se rasgarem, para nos dar sorte, lá estão milhares de ex-votos que "atestam" as curas miravculosas do Senhor, sente-se fé, até um ateu empedernido ali se converte, por pouco tempo que seja acredita. Fomos para lá de autocarro e assim voltámos, a viagem ela mesma um espectáculo, a velha carripana ginga por todo o lado, o samba e a musica axé soa aos berros, e tudo segue o balanço, o ar entra pelas janelas, algumas sem vidros, o que permite que o transporte se funda com o exterior nas ruas onde as gentes se apertam, as baianas circulam com seus fatos brancos e os balangandans pendurados, e vendem na rua tudo o que se pode vender, da fruta aos pastéis, peixe e acessórios para colocar sobre o corpo, tudo é afecto, tudo e maravilha, tudo é mistico, tudo é santo, tudo é sol, tudo cheira bem, aquele cheiro tropical intenso. É sem dúvida uma das maravilhas da lusofonia, A ir uma vez na vida, e a perder-se no meio das gentes, sem circuitos turisticos obrigatórios.
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Paris
É dificil escolher uma recordação nestas minhas peregrinações através da memória, pois Paris é uma cidade que visitei muitas dezenas de vezes, desde 1973, até 2006, data da minha última ida, seja por motivos profissionais, seja turismo, ou um pouco dos dois. O trabalho numa empresa francesa potenciou estas deslocações, e o sistema de ajudas de custo, reconheço que ajudou, na disponibilidade dos meios financeiros para certas visitas como é o caso da que recordo aqui hoje. Paris é sem dúvida "a minha cidade" por excelência, e anos atrás conhecia-a muito bem, sendo que me deslocava de carro para qualquer ponto, sem qualquer dificuldade, incluso atravessar a "Etoile", isto é a praça onde se encontra o Arco do Triunfo, donde saem mais de uma dezenas de ramificações, sendo que a ausência de semáforos obriga a uma travessia cuidadosa, e o segredo é "nunca parar". Mas deixemos isso e vamos à recordação desta cidade que mais me marcou ao longo de tantas visitas. Haveria muitas razões artisticas pois estão ali grandes museus, Louvre, Orsay, entre muitos outros, patrimoniais, pois temos ali grandes edificios emblemáticos como Sacré Coeur ou a Eiffel, mas a minha recordação vai para um local que não encontramos em mais lado nenhum, o "Moulin Rouge", isso mesmo, o lendário cabaret, aberto em 6 de Outubro de 1889, dia do meu aniversário, ardido em 1915, e de novo reconstruido das cinzas. Estive lá por duas vezes, a primeira em 1986, e mais tarde em 1988, e é uma excitação enorme saber que estamos a entrar num local carregado de história, onde meia Europa passou, e com muito mais de 100 anos de "bons serviços" pretados.
Situado no bairro do Pigalle, conhecido pela sua marginalidade, prostituição e sex shops, e integrado em todos os circuitos turisticos da cidade, todos os dias vêm autocarros carregados de japoneses, encherem as suas mesas com gente. Os shows estão sempre cheios mas todos os dias se pode comprar bilhete com jantar e espectáculo, por cerca de 180 euros, ou apenas espectáculo, mesa e meia garrafa de champanhe, por cerca de 120 euros. Já na altura pagou-se cerca de 180 francos por esta ultima opção, que permite ver o melhor. O show de cabaret francês, com muitas dançarinas espectaculares, já na altura dançando em "top less" mas sempre nos quadro do bom gosto e da beleza feminina, pois de facto é a beleza feminina o grande ingrediente. A sala é pequena e muito acolhedora, e o show intenso de luz e côr, e muito bonito, a musica tocada ao vivo. Uma visita a fazer pelo menos uma vez na vida, e quando comparado com outras alternativas, Lido, Crazy Horse ou Alcazar, vale a pena, se não se puder visitar também os outros (desses fui ao Alcazar). Cá está mais um visto a pôr na lista de visitas.
Situado no bairro do Pigalle, conhecido pela sua marginalidade, prostituição e sex shops, e integrado em todos os circuitos turisticos da cidade, todos os dias vêm autocarros carregados de japoneses, encherem as suas mesas com gente. Os shows estão sempre cheios mas todos os dias se pode comprar bilhete com jantar e espectáculo, por cerca de 180 euros, ou apenas espectáculo, mesa e meia garrafa de champanhe, por cerca de 120 euros. Já na altura pagou-se cerca de 180 francos por esta ultima opção, que permite ver o melhor. O show de cabaret francês, com muitas dançarinas espectaculares, já na altura dançando em "top less" mas sempre nos quadro do bom gosto e da beleza feminina, pois de facto é a beleza feminina o grande ingrediente. A sala é pequena e muito acolhedora, e o show intenso de luz e côr, e muito bonito, a musica tocada ao vivo. Uma visita a fazer pelo menos uma vez na vida, e quando comparado com outras alternativas, Lido, Crazy Horse ou Alcazar, vale a pena, se não se puder visitar também os outros (desses fui ao Alcazar). Cá está mais um visto a pôr na lista de visitas.
domingo, 1 de novembro de 2015
Valor da vida
Hoje dia primeiro de Novembro temos o hábito de olhar para os nossos mortos, embora seja amanhã o chamado "dia dos fiéis defuntos". Para quem tem pessoas próximas que perderam a sua vida, e quem não tem, é um dia de especial recordação e de saudade. Nada nem ninguém os substitui, pois a vida humana é única, e tem para nós um valor simbólico imenso, que mal entendemos aquelas sociedades onde o valor da vida parece pequeno, e ela seja retirada por minudências. Parece até que nunca o valor da vida foi tão pouco como agora, pois como se compreende os actos de um Estado Islâmico, ou a atitude de governos face ao drama dos refugiados. Morreram pessoas muito próximas cujo trajecto até à morte acompanhei, mas nenhuma experiência ultrapassa a nossa própria, de lidar intimamente com a possibilidade real de perder a vida. Há cinco anos estava exactamente nesse ponto em que as hipóteses de sobreviver eram poucas, pois estava preso à vida pela possibilidade de um acontecimento improvável e indesejado ocorrer, no caso, a morte de outra pessoa, e só essa morte me podia dar vida, e não apareciam voluntários. No final a minha vida acabou por resistir, pois alguém que não contava, foi antes de mim para junto de um Deus que não sei se escolhe, mas se escolhe escolheu bem. Hoje parece que a minha relação com a morte é diferente, o medo desapareceu, o medo do sofrimento esbateu-se, pois troquei a morte por um sofrimento permanente, mas que se tem de aceitar em nome de outros valores maiores. Assim neste dia o meu pensamento vai para aqueles que não tiveram escolha.
sábado, 31 de outubro de 2015
Málaga
Estávamos em Novembro de 2003, data da inauguração do Museu Picasso, na sua cidade natal, Málaga. Decidimos uma visita à cidade e aproveitar para visitar o Museu recém inaugurado, com a qual a cidade pretendia homenagear o seu vulto maior. Na altura a partir do Algarve ía-se de carro, e assim foi, apesar dos cerca de 500 quilómetros que ainda separam. Uma pernoita num local esconso pelo caminho, e pela manhã já se estava na fila para comprar bilhete para entrar, A cidade encontra-se numa baixa junto ao mar e muito se tem de descer para lá chegar, após quilómetros feitos a uma altitude razoável, da qual só nos apercebemos quando temos de descer até ao nível do mar.
Conta-se que em 1953, a delegacia da cultura da cidade natal de Pablo Picasso, pediu duas obras ao artista, que entusiasmado com a ideia, terá dito que não oferecia duas obras, mas dois camiões de obras, oferta recusada pelo governo franquista, que excluia o génio espanhol, conhecido como comunista e inimigo do ditador Franco. Só em 1992 foi retomado o processo, tendo a família do artista feito a doação de 285 obras que estão expostas no Museu inaugurado em 2003.
Entrámos no Museu e podemos usufruir de obras de todos os estilos que Picasso utilizou, e períodos da sua pintura, ou escultura, que também está exposta. Não estarão ali as principais obras do autor, mas das mais de 2000 que criou, estão 285, em particular muitas do cubismo. É um encher o peito com a criatividade deslumbrante do artista, sendo que muitas das obras nos questionam, se nós próprios não as faríamos, agora que as vemos, tal a liberdade e a simplicidade de algumas, só que ele as fez hà cerca de 100 anos, quando os conceitos de pintura eram outros, daí o seu carácter tão inovador e irreverente, mesmo para os dias de hoje. Da cidade nada mais interessou. Voltámos, uma noite em Benidorm, ali perto, na altura de inverno uma cidade fantasma, e "ala que é cardoso" de regresso ao Algarve. Valeu a pena !
Conta-se que em 1953, a delegacia da cultura da cidade natal de Pablo Picasso, pediu duas obras ao artista, que entusiasmado com a ideia, terá dito que não oferecia duas obras, mas dois camiões de obras, oferta recusada pelo governo franquista, que excluia o génio espanhol, conhecido como comunista e inimigo do ditador Franco. Só em 1992 foi retomado o processo, tendo a família do artista feito a doação de 285 obras que estão expostas no Museu inaugurado em 2003.
Entrámos no Museu e podemos usufruir de obras de todos os estilos que Picasso utilizou, e períodos da sua pintura, ou escultura, que também está exposta. Não estarão ali as principais obras do autor, mas das mais de 2000 que criou, estão 285, em particular muitas do cubismo. É um encher o peito com a criatividade deslumbrante do artista, sendo que muitas das obras nos questionam, se nós próprios não as faríamos, agora que as vemos, tal a liberdade e a simplicidade de algumas, só que ele as fez hà cerca de 100 anos, quando os conceitos de pintura eram outros, daí o seu carácter tão inovador e irreverente, mesmo para os dias de hoje. Da cidade nada mais interessou. Voltámos, uma noite em Benidorm, ali perto, na altura de inverno uma cidade fantasma, e "ala que é cardoso" de regresso ao Algarve. Valeu a pena !
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
Londres
Apenas visitei Londres duas vezes, uma em 2005 e outra em 2007, esta última já um pouco debilitado, e confesso não ser a cidade das minhas maiores simpatias, talvez por não ser muito fluente em inglês. Hoje em dia tenho lá a minha filha Joana a residir, que gostaria de visitar para falta-me a coragem, e sobretudo as forças. O que quero aqui recordar é a minha última visita a Londres em 2007, e que teve dois focos em concreto, a visita ao Museu Britânico, onde estava uma exposição do Exército de Terracota, da China, e uma ida ao Royal Albert Hall, que não conhecia, para um espectáculo, no caso um concerto de Harry Connick Jr, um americano, durante anos indicado como o "crooner" sucessor de Frank Sinatra, mas ainda hoje a grande "Voz", não encontrou substituto, apesar de ter deixado o lugar em aberto. Mas além do show, era a sala que me atraía, uma sala emblemática, onde muitos dos meus ídolos actuaram. E lá fomos.
Voos baratos, Easyjet até Gatwick, e depois hotelzito, apesar de rasteirinho, caro, como sucede em Londres, onde a comida e o alojamento têm pouca qualidade e são sempre muito caros, ou se quer ficar bem alojado tem de se abrir bem a carteira. Bilhetes para o Royal Albert Hall, muito caros, apesar dos lugares, comprados na net serem, no ultimo lugar do ultimo balcão, mas comprados aí não tanto pelo preço, proibitivo, mas por a sala estar quase esgotada com muita antecedência. No dia e hora, 20h30, lá fomos até Kensington, onde fica a célebre sala, e entrámos pela cave, onde existem muitos bares, e restaurantes onde se pode jantar antes de show, não foi o caso, pois tudo era proibitivo, ficou-se por um café, tipo balde, e uma pequena tarte. depois procurar o lugar, uma odisseia, elevadores, escadas, rampas, sempre subindo, pois o lugar era mesmo lá no alto. Quando se entrou na sala, um susto. A sala era linda, mas o lugar parecia à beira de um precipício, tal era o desnível para o palco, que se situava lá no fundo, e nós estávamos de lado e quase a ver de "helicópetro". O show iniciou-se, o som era bom, mas a vista um pouco deficiente dada a posição, mas não havia um único lugar vazio, o "artista" era um virtuoso, já sabia, quer a cantar, próximo de Sinatra, mas também a tocar piano. No intervalo tivemos a noção mais exacta do local, quase um estádio de futebol coberto, onde decerto cabiam mais de 5 000 pessoas (sei que são 5272 lugares), e onde a movimentação é afinal muito facilitada por bons acessos no interior. Ficou a memória deste dia, e coloquei mais um visto na minha lista de locais emblemáticos a visitar.
Voos baratos, Easyjet até Gatwick, e depois hotelzito, apesar de rasteirinho, caro, como sucede em Londres, onde a comida e o alojamento têm pouca qualidade e são sempre muito caros, ou se quer ficar bem alojado tem de se abrir bem a carteira. Bilhetes para o Royal Albert Hall, muito caros, apesar dos lugares, comprados na net serem, no ultimo lugar do ultimo balcão, mas comprados aí não tanto pelo preço, proibitivo, mas por a sala estar quase esgotada com muita antecedência. No dia e hora, 20h30, lá fomos até Kensington, onde fica a célebre sala, e entrámos pela cave, onde existem muitos bares, e restaurantes onde se pode jantar antes de show, não foi o caso, pois tudo era proibitivo, ficou-se por um café, tipo balde, e uma pequena tarte. depois procurar o lugar, uma odisseia, elevadores, escadas, rampas, sempre subindo, pois o lugar era mesmo lá no alto. Quando se entrou na sala, um susto. A sala era linda, mas o lugar parecia à beira de um precipício, tal era o desnível para o palco, que se situava lá no fundo, e nós estávamos de lado e quase a ver de "helicópetro". O show iniciou-se, o som era bom, mas a vista um pouco deficiente dada a posição, mas não havia um único lugar vazio, o "artista" era um virtuoso, já sabia, quer a cantar, próximo de Sinatra, mas também a tocar piano. No intervalo tivemos a noção mais exacta do local, quase um estádio de futebol coberto, onde decerto cabiam mais de 5 000 pessoas (sei que são 5272 lugares), e onde a movimentação é afinal muito facilitada por bons acessos no interior. Ficou a memória deste dia, e coloquei mais um visto na minha lista de locais emblemáticos a visitar.
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Barcelona
Dizem que é uma cidade vibrante, acredito pois todas as cidades de Espanha assim são, e esta em particular tem os dons de uma cidade portuária, que afinal não é espanhola, assim, mas catalã. Apenas a visitei uma vez e já foi há alguns anos, 1998, para ser mais exacto, e mais uma vez juntou-se um compromisso profissional, com um pouco de turismo. Das suas extraordinárias benesses arquitectónicas e artisticas não falarei agora, mas muitas passam por Gaudi, por Juan Miró ou Picasso, que ali dispõe de um museu que lhe é dedicado, entre muitos outros, como Dali, ou até literárias, lembro a boa recordação de romance "A sombra do vento", de Carlos Luiz Zafon, ali passado. Mas de nada disso quero agora falar, ou recordar, mas a minha recordação de hoje está ligada a uma coisa mais prosaica, um estádio famoso na cidade, que se confunde com ela, e com a própria Catalunha. O Estádio Olimpico de Barcelona. Mas não é de desporto verdadeiramente, mas de um facto por mim vivido que tem algo de curioso. Tinhamos ido a Barcelona para assistir ao lançamento europeu de um automóvel da marca para a qual trabalhava na altura. Uma daquelas operações de massas, em que aviões fretados e uma organização impecável colocam milhares de pessoas numa cidade. Assim foi, chegámos a meio da manhã, e fomos deslocados para a zona de Montjuic, onde se tinham realizado os Jogos Olímpicos em 1992, que fomos visitar, e por ali se andou, a ver o museu Miró, que também está na zona, mas onde a populaça visitante, composta em grande parte por vendedores de automóveis, com uma cultura inversamente proporcional ao tamanho dos nós das gravatas, bocejava de fome, pois a hora de almoço chegava e não se via por ali local onde se pudesse amesantar tantos "gentilómens". Nisto a ordem é para nos dirigirmos para o estádio Olimpico, e directamente para o relvado, e ainda houve comentários acerca do estranho conteúdo da refeição. Mas não. Ao entrarmos vemos um conjunto de tendas montadas no relvado, para onde se entrou, e onde muitas mesas, buffet de excelentes entradas, escandalosas sobremesas e um serviço de mesa para refeições quentes saciou a fome daqueles milhares, que têm para contar terem almoçado no próprio relvado do grande Olimpico onde a nata dos atletas desfilou, e bebido grandes vinhos e melhores digestivos ( coisa que um bom vendedor de automóveis jamais dispensa). Fiquei com essa recordação gravada, desta grande cidade, e ainda hoje apesar de ter visto grandes obras nos seus museus, é o almoço na relva que perdura. Obrigado vendedores de automóveis !!!
domingo, 25 de outubro de 2015
Viena
O sonho de qualquer apaixonado por música, o meu caso, é assistir a uma ópera em Viena. Concretizei esse sonho em 1995, e em vez de uma assisti a duas, em dias diferentes, e na Ópera Nacional, e pela Companhia Nacional de Ópera. Os espectáculos foram o "Otelo" de Verdi, e as "Bodas de Fígaro" de Mozart, e logo Mozart na sua cidade, uma combinação perfeita. Para estes espetáculos existem meses de antecedência de reservas, pelo que a hipótese de chegar, comprar bilhete e entrar, é bastante remota. Mas na realidade foi isso que aconteceu. Em condições muito particulares veremos, mas exemplares acerca da forma como a música é vista na Áustria. Estávamos de visita a Viena, por motivos profissionais, mas como sempre nestes casos aproveitou-se para fazer um pouco de turismo. Devo dizer que na época de Ópera existem representações todos os dias, em duas sessões, á tarde e à noite, sendo que o espetáculo da tarde difere do da noite, e nos dias seguintes podemos ainda ver espetáculos diferentes, o que dá a ideia do que é, em termos de montagem e desmontagem, de organização e de número de artistas envolvidos.
De visita à cidade e ao edificio da Opera Nacional, apenas para uma vista de olhos, pois jamais pensaria assistir a um espetáculo, consultámos o programa, e naquele dia à tarde estava em cena o Otelo de Verdi. Constatámos que pessoas compravam bilhete, e entravam, o que me deixou espantado. O que era então ? Apesar de tudo estar esgotado, havia um conjunto de bilhetes que só podiam ser vendidos na próprio dia, e quem chega primeiro compra. A questão é que esses bilhetes só permitiam ver o espetáculo de pé, num local previligiado, mesmo atrás da plateia ( na foto um pequeno rectângulo atrás da ultima fila ) e de frente para o palco, e tendo por apoio uns corrimões onde as pessoas podiam apoiar-se para estarem mais "confortáveis. Comprámos bilhete que era muito barato, e entrámos embora o espetáculo só começasse dentro de duas hora, fomos ver o lugar que estava destinado e era um espaço aberto com 4 ou 5 alinhamentos de corrimões de apoio, onde as pessoas penduravam cachecois para reservar os lugares, e assim fizemos. Deixamos os nossos cachecois, pendurados voltámos a sair e fomos dar uma volta . No regresso ocupámos os lugares, e durante cerca de 3 horas assitimos de pé a um espetáculo fabuloso duma cenografia maravilhosa e excelentes cantores, e como havia a possibilidade de dois dias depois assistir ás "Bodas de Fígaro", lá voltámos para o mesmo procedimento. Nos dois casos a representação estava esgotada para os restantes lugares, mas estes lugares baratos e de última hora estão sempre disponiveis para os amante de musica que não se importem de passar 3 horas ou mais ( as óperas são sempre muito longas) de pé apenas apoiados num corrimão. Grande musica merece grande esforço. Para mim, vinte anos depois até subir a minha rua me atrapalha. Outros tempos! Mas na lista dos locais visitados onde diz "Ópera em Viena" está para sempre um visto !!! Esta já ninguém me tira ! Agora ouço em CD ou no Spotify ... música para paraliticos... paciência !!!
De visita à cidade e ao edificio da Opera Nacional, apenas para uma vista de olhos, pois jamais pensaria assistir a um espetáculo, consultámos o programa, e naquele dia à tarde estava em cena o Otelo de Verdi. Constatámos que pessoas compravam bilhete, e entravam, o que me deixou espantado. O que era então ? Apesar de tudo estar esgotado, havia um conjunto de bilhetes que só podiam ser vendidos na próprio dia, e quem chega primeiro compra. A questão é que esses bilhetes só permitiam ver o espetáculo de pé, num local previligiado, mesmo atrás da plateia ( na foto um pequeno rectângulo atrás da ultima fila ) e de frente para o palco, e tendo por apoio uns corrimões onde as pessoas podiam apoiar-se para estarem mais "confortáveis. Comprámos bilhete que era muito barato, e entrámos embora o espetáculo só começasse dentro de duas hora, fomos ver o lugar que estava destinado e era um espaço aberto com 4 ou 5 alinhamentos de corrimões de apoio, onde as pessoas penduravam cachecois para reservar os lugares, e assim fizemos. Deixamos os nossos cachecois, pendurados voltámos a sair e fomos dar uma volta . No regresso ocupámos os lugares, e durante cerca de 3 horas assitimos de pé a um espetáculo fabuloso duma cenografia maravilhosa e excelentes cantores, e como havia a possibilidade de dois dias depois assistir ás "Bodas de Fígaro", lá voltámos para o mesmo procedimento. Nos dois casos a representação estava esgotada para os restantes lugares, mas estes lugares baratos e de última hora estão sempre disponiveis para os amante de musica que não se importem de passar 3 horas ou mais ( as óperas são sempre muito longas) de pé apenas apoiados num corrimão. Grande musica merece grande esforço. Para mim, vinte anos depois até subir a minha rua me atrapalha. Outros tempos! Mas na lista dos locais visitados onde diz "Ópera em Viena" está para sempre um visto !!! Esta já ninguém me tira ! Agora ouço em CD ou no Spotify ... música para paraliticos... paciência !!!
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Hábitos
Existem bons hábitos e maus hábitos, devemos guardar uns e rejeitar outros. Em Portugal existe um bom hábito que é quem ganha as eleições governa, quem perde faz oposição. Assim só uma grande ambição pode levar um líder respeitado como Costa a fazer o contrário. Até porque o PS teria mais poder efectivo se permanecesse na oposição, negociando dia a dia as aprovações na AR, do que terá no poder, nas mãos da extrema esquerda. Aí tudo terá de ceder para se manter. E nós a pagar !!! Já vêm pedir a nacionalização da TAP, dos transportes, repor salários e pensões, e donde virá o dinheiro para isso uma vez estamos com os cofres cheios, mas de dívidas ?
sábado, 3 de outubro de 2015
Reunificação
Muita gente já não se lembra ou não sabe o que querem dizer as iniciais RFA e RDA, ou a palavra Stassi, ou quem foi Honecker ou mesmo Koll, Willy Brandt ou Schmit, agora que se fala de muros afinal qual foi o Muro inspirador. Muita gente não lembra mas foi apenas há 25 anos que a Alemanha se reunificou, e daí para cá encetou o caminho de integrar os chamados alemães de leste, nas condições da Alemanha democrática e desenvolvida. Dois paises de regimes tão diferentes, acabaram por se fundir, e dar origem a uma potência invejável. Com o fim da RDA, terminou as últimas esperanças dos burocratas comunistas de fazer na Europa o que nunca conseguiram fazer em mais lado nenhum, um estado rico, justo, distribuidor de "cada um segundo as suas capacidades a cada um segundo as suas necessidades", e para isso a RDA pretendia vir a ser uma montra, afinal foi-se a ver e era uma montra de repressão, corrupção, pobreza vivida em silêncio, poluição incontrolável, tristeza, desesperança, obscurantismo, desconfiança até da própria sombra. Só uma coisa se perdeu, o inesquecível arquipoluente Trabant, para o qual era melhor inscrever a criança quando nascia, pois o prazo de entrega podia ser de mais de 25 anos...
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
Old friends
Sat on their park bench
Like bookends.
A newspaper blown through the grass
Falls on the 'round toes
On the high shoes
Of the old friends.
Old friends.
Winter companions,
The old men
Lost in their overcoats,
Waiting for the sunset.
The sounds of the city,
Sifting through trees,
Settle like dust
On the shoulders
Of the old friends
Can you imagine us
Years from today,
Sharing a park bench quietly?
How terribly strange
To be seventy.
Old friends,
Memory brushes the same years,
Silently sharing the same fear...
quinta-feira, 30 de abril de 2015
Ovibeja
Hoje foi visita à Ovibeja. Para mim foi a primeira vez, aproveitando a boleia da Nossa Terra que proporcionou a ida de um grupo. Muita gente, muitos grupos de idosos e muitas crianças de mãos dadas a fazer filinhas. É um acontecimento social à imagem do Alentejo, embora esperasse um pouco mais. Para além de pavilhões dedicados à pecuária, e aos comeres alentejanos, enchidos, queijos, doçaria, vinho e azeite tudo com bom aspecto mostrando aquilo que é a essência da sua actividade. Depois os municípios, sendo que Ourique estava em versão minimalista, quatro porcos decorativos e um "garçon" a cortar tiras de presunto, numa palataforma exterior, é tudo o que existe neste pequeno concelho. Este ano um pavilhão dedicado ao cante, mas em ano de património da humanidade, merecia mais e sobretudo melhor. Enfim, uma manhã cansativa, terminada com uma sande de secretos grelhados gigantesca, mas que me consolou, consolou ! Em falta o artesanato, que também o há por cá, mas se calhar ao preço que é cobrado aos artesãos não justifica a presença.
sábado, 1 de novembro de 2014
Feriado 2
Faz hoje 4 anos escrevi um post com este título, "Feriado", pois na altura era feriado, hoje não. Nesse post, com uma foto de um prato de "arroz de marisco", um dos meus pratos preferidos, agora banido, simbolizava que como me sentia, mesmo que visse esse prato na minha frente eu não o provaria sequer, tal o meu fastio, a minha fragilidade e a "rejeição" que a comida me provocava. Nesses dias duros, nada me fazia levantar da cama, a cama era o meu quarto, a minha casa de banho, o meu jardim, o meu passeio, o meu cinema, o meu computador, a minha rua, e foi da cama que coloquei esse post, e falo dele por ser o mais visitado de todos os que coloquei, talvez por razões de mera coincidência do mundo digital. Nesse feriado, a minha esperança mantinha-se, apesar dos prognósticos, o moral estava em baixo, e ao adormecer ouvia o bater descoordenado do meu coração, o que me deixava em pânico, e foi aí que me tornei dependente do Lorenin, pois só queria uma coisa, adormecer e ver o sol do dia seguinte. Apenas um dia de cada vez e sem deixar que a luz se apague, hoje como há quatro anos.
sábado, 18 de outubro de 2014
Sábado
Era sábado e estava sol, tal como hoje. Dis 18 de Outubro, mas de 1975,
um ano agitado, em que tudo acontecia e as esperanças estavam no auge.
Acabado de fazer 23 anos, o curso ainda a meio, tinha previlegiado o
trabalho, mais que o trabalho, o estar no trabalho, condição importante
para estar activo naquele ano de brasa em que tudo era política, em que o
amanhã não se adivinhava e o mês seguinte, podia ser tudo, pois tudo
estava em aberto. As coisas compunham-se com muito pouco, e o pouco era
suficiente, pois a ambição pessoal era nada, tudo se centrava no
colectivo, ou disso estavamos convencidos. Por isso casar, sendo importante, era apenas mais um passo numa aproximação intima, amável mas muito ingénua, pois eramos levados por uma grande ingenuidade, uma grande vontade de viver em conjunto, mas não de uma forma isolada e voltada para o interior. A vida naqueles anos era uma exaltação, um pretexto de intervenção, e sê-lo-ía por mais algum tempo. Por isso tudo foi muito simples, mas bonito, claro que sim. Foi assim um sábado irrepetível, e cumpriu-se aquilo que ali ficou acertado, apesar das palavras naquele tempo já valerem pouco, "até que a morte os separe".
sábado, 25 de janeiro de 2014
Praxes
Agora que a pretexto da tragédia do Meco, se voltou a falar de praxes e da sua irracionalidade, que é tanto maior quanto menos tradição têm as escolas onde são praticadas, recordo os meus tempos de universidade. Foi em Novembro de 1970 que entrei no IST, e nessa altura as praxes era tradição de Coimbra, não me recordo de em Lisboa haver qualquer desses espectáculos circenses à força, que hoje chamam praxes, nem no Porto, únicos locais onde na altura existiam Universidades. Recordo no entanto o meu primeiro dia do Técnico. A praxe foi uma prova de fogo mas à séria. Já conto.
Cheguei ao IST logo de manhã, e pelas paredes exteriores do Instituto estavam pendurados cartazes que diziam "Abaixo a Repressão", "Abaixo o fascismo", etc, escancarados para o exterior. Estávamos ao que soube depois numa vaga de encerramentos de algumas associações de estudantes, coisa que se fazia sem pré aviso, nem autorização de nenhum tribunal. Entrámos, mas os novatos, após uma ou duas aulas fomos convocados para uma reunião na AEIST, onde vi pela primeira Mariano Gago, presidente da associação de estudantes. Essa reunão visava fazer a "praxe" de informar o "macacal" do que se passava na Universidade de Lisboa. Durante a reunião fomos informados também que a policia de choque tinha cercado o Instituto e exigia que todos os cartazes colocados no exterior fossem retirados, sob pena de invadirem a escola e retirarem pelas suas mãos, e dar umas bastonadas, ou mesmo prender alguns dos "agitadores", isto é, nós caloiros, no primeiro dia de escola. Comentava com os meus botões, "está a começar bem". Braço de ferro, uns não queriam tirar, outros insistiam, e acabaram por encerrar os portões, ninguém entrava nem saía, e lá estávamos nós a ser "praxados" mas o Dux, era o capitão Maltez, temido chefe da Policia de Choque. Chegou o almoço, nada se alterava, a estudantada não cedia, e nós os caloiros cada vez mais à rasca, pois os outros já estavam habituados a estas andanças, a que eu proprio depois me habituei. Tudo terminou com a polícia a arrancar os enormes cartazes, não identificou ninguém, embora tivesse entrado para falar com o director, na altura o Prof Frausto da Silva, e pelas 15horas, levantou o cerco e aí pudemos regressar a casa. A partir daí todos os caloiros fizeram a sua "integração", e eu próprio vi os sinais do que, não desconhecendo, nunca tinha visto ao vivo, o "rosto da repressão" num país autocrático e sem liberdade. Grande praxe, melhor que "rastejar com pedras presas nos pés" ou "passear colheres de pau ridículas". No final não morreu ninguém, e saímos mais conscientes, hoje até se morre e sai-se mais humilhado destas praxes idiotas !!!
Cheguei ao IST logo de manhã, e pelas paredes exteriores do Instituto estavam pendurados cartazes que diziam "Abaixo a Repressão", "Abaixo o fascismo", etc, escancarados para o exterior. Estávamos ao que soube depois numa vaga de encerramentos de algumas associações de estudantes, coisa que se fazia sem pré aviso, nem autorização de nenhum tribunal. Entrámos, mas os novatos, após uma ou duas aulas fomos convocados para uma reunião na AEIST, onde vi pela primeira Mariano Gago, presidente da associação de estudantes. Essa reunão visava fazer a "praxe" de informar o "macacal" do que se passava na Universidade de Lisboa. Durante a reunião fomos informados também que a policia de choque tinha cercado o Instituto e exigia que todos os cartazes colocados no exterior fossem retirados, sob pena de invadirem a escola e retirarem pelas suas mãos, e dar umas bastonadas, ou mesmo prender alguns dos "agitadores", isto é, nós caloiros, no primeiro dia de escola. Comentava com os meus botões, "está a começar bem". Braço de ferro, uns não queriam tirar, outros insistiam, e acabaram por encerrar os portões, ninguém entrava nem saía, e lá estávamos nós a ser "praxados" mas o Dux, era o capitão Maltez, temido chefe da Policia de Choque. Chegou o almoço, nada se alterava, a estudantada não cedia, e nós os caloiros cada vez mais à rasca, pois os outros já estavam habituados a estas andanças, a que eu proprio depois me habituei. Tudo terminou com a polícia a arrancar os enormes cartazes, não identificou ninguém, embora tivesse entrado para falar com o director, na altura o Prof Frausto da Silva, e pelas 15horas, levantou o cerco e aí pudemos regressar a casa. A partir daí todos os caloiros fizeram a sua "integração", e eu próprio vi os sinais do que, não desconhecendo, nunca tinha visto ao vivo, o "rosto da repressão" num país autocrático e sem liberdade. Grande praxe, melhor que "rastejar com pedras presas nos pés" ou "passear colheres de pau ridículas". No final não morreu ninguém, e saímos mais conscientes, hoje até se morre e sai-se mais humilhado destas praxes idiotas !!!
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