Mostrar mensagens com a etiqueta Crónicas da minha janela. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Crónicas da minha janela. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

First day in paradise

Hoje o pessoal regressou ao trabalho, ou para alguns deu-se um regresso ao lazer. Para quem pode. Para quem quer, não para quem deve. Acontece que com esta histórias das pontes e pontinhas, tolerâncias e outras manigâncias, aquilo que se pensou ser " ter tolerância no dia 26 OU no dia 2 de Janeiro", com um jeitinho passou a ser "tolerância no dia 26 E no dia 2 de Janeiro", Há sempre um dia de férias esquecido, aquela manhã de sábado, aquele fim de tarde que prolongou, aquela deslocação a um local longe com chegada tardia, enfim um bom pretexto para que a consciência fique em repouso perante um diazinho de descanso do buliço dos dias do fim de semana prolongado. Acontece que alguns nem avisam, nem dizem nem acertam estas ausências auto autorizadas. Pudera trabalhamos todos sozinhos, não dependemos de nada  nem de ninguém, nem temos de articular presenças. Tudo bem. Tudo feliz. Ainda bem. Se o ano vai ser um "paradise" este parece ser o seu primeiro dia. Então e ser for "the hell" ??? Demos o nosso contributo.
(Aviso : este texto pode ter conteúdo explicitamente reacionário, mas foi testado sem dano em 1000 portugueses adultos)

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Back again

Começamos a voltar a tudo na maneira normal. As fotos de terraço, os balanços, os "best wishes" para 2018. Tudo bem, tudo simples, tudo normal, assim deve ser e assim será. Compromisso !!!
Pra já o sol nasceu e o dia primeiro deste ano aparece a inundar tudo de muito sol, um céu sem mácula e uma promessa de mais um ano sem pinga de água. Essa a parte pior da novela. A desertificação avança quer o sr Trump queira quer não. São as alterações climáticas, estúpido !!!!

No rol dos desejos pra 2018 estaria logo este primeiro, chuva !!! Outros se seguem, para além dos habituais, da saúde, da paz na terra, de um mundo mais igual, e outros lugares comuns a jeito de qualquer miss bum bum. Por exemplo eu pra mim desejo um excelente mês de Abril. Esquisito não é ? Já me serve. Desejo uma neta a tirar a fralda e a começar a falar, se bem que o seu nível de comunicação atual bastaria ! Desejo muito perder o meu emprego. Esquisito não é ? É porque já não se justificaria. Nada melhor que um tesoureiro obsoleto ! Desejaria ainda que o dia 22 de Março fique guardado na minha memória. Não terei outra oportunidade pra ver o meu ídolo da juventude.

Afinal os meus pedidos são bem razoáveis !  Nada de coisa complicada, nada de fim na guerra, nada de ganhar o Mundial de futebol na Rússia, naquela final sempre desejada por todos os tugas, Portugal contra Brasil. Nada disso me interessa. Apenas coisa realizável.

E  por falar de coisa realizável, vamos todos pensar mais, ler mais, escrever mais, amar mais, realizar mais os pedidos dos outros, desculpar mais, sonhar mais, ocupar-se mais, e contar mais vezes até dez antes de dizer besteira. O mundo seria tão mais "cool". Não acham ??

domingo, 31 de dezembro de 2017

Todo o ano num só dia (balanço pessoal)

 
Volto ao blog pra fazer um balanço.

Imaginenos que o ano de 2017 se resumia a um dia. Manhã cedo começou nublado. Logo aí recebi um estranho convite que nem sabia que ía mudar o meu dia lá para o inicio da tarde, mas como é meu hábito para com a pessoa que o fez, aceitei. Na realidade, segundo a própria tudo se resumiria a fazer uma pequena viagem por mês e dar uma ou duas horas do meu tempo. Tinha de ser, e o que tem de ser tem muita força.

A manhã foi decorrendo com muita calma. Dando pinceladas nos meus pobres trabalhos, procurando levar alguns outros a interessarem-se, e oferecendo préstimos pra uma maior ocupação das pessoas que querem mais do que o diz que disse.

Cada dia a minha neta povoava os meus dias, via pelo Skype, apreciava a sua curiosidade a sua energia contagiante a sua carinha sempre risonha e positiva.

Chegamos assim ao final da manhã. A filha regressou do UK e a neta passou a estar mais próxima, e a engraçar com o avô e ele com ela. O calor veio, e recordo o dia em que não fui ao seu primeiro aniversário. O calor era insuportável. Nesse mesmo dia, 17 de Junho, ela faz um anito, e 64 morreram em Pedrogão vitimas da brutalidade da natureza selvagem e da incompetência dos homens e da sua fraqueza face à natureza. Esse foi também um momento de reencontros. Por mero acaso, ah ah ah, encontrei uma pessoa com que partilhei vida durante um ano, há já muitos anos. Aconteceu.

O inicio da tarde deu-se com muito calor e os ecos de muitos problemas com aquele convite aceite logo cedinho. Pensei com os meus botões, numa tendência para premonições muitas vezes comprovada, e se aquela gente abandona o barco, barco onde tinha apenas alguns dedos dos pés, pois ninguém me pedia mais do que isso.

O facto é que como já tem acontecido outras vezes, o receio auto realizou-se, e fui projectado para o dilema seguinte, ou atirar a toalha ao chão e ficar com a minha consciência num farrapo, ou dar passo em frente e ficar com a saúde num frangalho, o que aliás já estava.

Assim antes do lanche, a meio da tarde, corri, junto com outros poucos, esse risco. Entrar num projecto solidário financeiramente falido, tecnicamente afundado, de gente em desmotivação, sem salário nem atenção, mas fortes e habituados a viver com muito pouco. Nem sei como suportei o impacto deste Titanic à deriva, no casco da minha frágil constituição. Mas aguentei, aguentámos e o pior foi controlado, as previsões de morte anunciada acabaram goradas,  e o lanche decorreu sobressaltado mas tranquilo. Acabei até fazendo amigos, e receber sinais de reconhecimento de pessoas que quase nem conhecia.

O final do dia aproxima-se e o reencontro virtual tornou-se mais físico. Reencontrei afectos antigos, caminhos partilhados em contextos de grande intensidade. Renovei laços e reconheci espaços, locais e olhares. Foi contagiante e senti que me foi insuflada uma dose de adrenalina que me puxou do buraco. Ainda bem. A noite cai e as perspectivas para um novo dia parecem promissoras, encontrar um equilíbrio entre prazer, obrigação, necessidade, entre a arte e o pensamento, entre amizades e afectos, reais, virtuais e outros que tais.

Pra 2018 vou ver mais o meu diabinho, vou ter mais arte no meu universo, vou ouvir mais música, vou ver Bob Dylan ao vivo (já tenho bilhete), vou fazer mais contas e contornar os momentos duros, vou fazer novos reencontros e alimentar as novas amizades. Se a saúde não trair, se o dinheiro não sumir, se a dor permitir, se a net não ruir.

Se alguém leu esta prosa cifrada, e tirou conclusões certas ou erradas, então que tenha um 2018 tão bom que sinta pena de não o ter começado já em 2017

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A furia do "like"

A discussão de opiniões agora está muito facilitada. Basta por "like" naquilo que se gosta ou não se entende. E naquilo que não percebemos ou não interessa nada passa-se à frente. Sugiro que criem um "unlike". Assim dávamos sinal de participação. Aí chegamos a este mundo a preto e branco, mas na realidade não chega a haver conversa, discussão, reflexão, análise, Qual quê ! Isso não interessa nada, Alguém diz um "bitaite", a gente acha que é assim mesmo, bolas, faz um "like", a seguir se esse "like"foi dado por conhecido, like puxa like e em menos de nada temos opinião unanime, se tanta gente "like" é porque é verdade, foi mesmo assim, são uns malandros estes gajos, só roubam, isto não pode continuar. Assim se forma uma opinião "informada", como nas aldeias as cuscuvilheiras na soleira da porta, enterram-se vivos, desenterram-se mortos.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Mentalidades

Os últimos dias têm sido muito edificantes para mim. Tenho visto pessoas em stress, fora da zona de conforto, a terem de decidir e as estratégias que montam para as suas decisões ou indecisões. Como a idade também nisso tem relevância. Perante as situações de pânico a primeira opção é passar ao lado ou se possível fugir. Hoje diz uma coisa logo a seguir diz-se outra, o compromisso tomado agora, afinal amanhã já não é, um passarinho passou e disse que o vento soprava para outro lado.  Ouvi dizer que, porque não disseram que (nunca perguntou...), afinal vieram dizer que, assim não é bem como pensava, bolas, e você o que é que pensa !!! No meio contam as opiniões dos outros, mas apenas para justificar a minha que é... pira-te ! E onde ficam os meus valores, onde fica a minha palavra, onde  fica o sentido de responsabilidade, onde ficam os homens com H (e as mulheres ?) Mistério. Olha, ficam os velhos, e os que não podem sair.



quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Estado de espirito

Quando acreditamos em alguma coisa ou em alguém e isso nos trás deceção qual o estado de espirito ? O normal será revolta, vontade de vingança, querer romper com a situação que nos desiludiu, quebrar laços se for esse o caso. Outra atitude é querer recuperar a confiança naquilo que nos desiludiu ou na pessoa que não se portou bem connosco, perceber o que se passou, porque se passou, e recuperar aprendendo com a experiência mal vivida. Curioso que eu sou mais pela segunda solução. Faz-me mal alimentar ódios, é penoso para mim querer a vingança, ou a retaliação. Sou parvo, eu sei, por vezes penalizo-me porque não disse "não" na altura certa. mas detesto a queixa e a vitimização. Se não esteve certo nós, que pactuámos ou aceitámos a situação somos os primeiros culpados. Vitimas de manipulação só o são porque se deixaram manipular, terão de aprender a viver melhor a vida, prever melhor o erro, não confiar tão facilmente, serem mais perspicazes. Também não me atrai a culpa, procuro ver a situação na sua forma positiva, se a tem, e há sempre um lado bom, mesmos nos piores momentos. E as pessoas não são definitivamente más nem boas, são elas mais a sua circunstância.

domingo, 30 de julho de 2017

O Presidente Rei

Domingo podemos parar um pouco para pensar. Marcelo deu uma entrevista ao DN, em que o menos republicano de todos os presidentes da democracia, digamos um Presidente Rei, declara a sua maior fidelidade ao Parlamento, dizendo que a maioria só deixará cair este governo se quiser. É uma evidência mas também uma forma de dizer, não contem comigo, nem num sentido nem noutro. Vêm aí as autárquicas, a tal linha vermelha de que ele falou, e a partir de agora se querem continuar entendam-se nos projetos fundamentais para o país. Eu por mim nada farei contra. Aprovo totalmente, assim deve ser. Cada vez mais a taxa de aprovação deste Presidente sobe, adquirindo um estatuto quase "real", o que lhe permite uma intervenção sem limites, onde aliás não tem faltado, apagando alguns "incêndios" da política e dos políticos, sempre prontos a aproveitar a desgraça para a "surfarem". Tem estado bem o nosso Presidente, e sem duvida que vamos ter presidente para os próximos oito anos.

sábado, 29 de julho de 2017

A vida é a cores

Eu sei a tendência que temos para o cinzento. Para a lamentação, o pessimismo, para a queixa com muitas ou poucas razões. Mas não fomos sempre assim. Que é feito do povo dos "navegadores", dos "aventureiros" sem limite, da latinidade marítima ? Nada ! Ficou em pó ! Agora rói-nos a inveja, o "poucachinho", a canção da desgraçadinha. Apesar de tantas coisas boas terem ocorrido no último ano e meio. Mas basta uma desgraça para nos atirar, sem hesitação, para a valeta do desânimo. Assim passamos uma semana a discutir quantos morreram. A lançar ultimatos, feitiços, insultos sem nenhuma lógica, a discutir conclusões que ainda não foram retiradas, a pedir comissões e a desautorizá-las. A lançar avisos traiçoeiros, a prever novas vindas do diabo, a falar da inevitável rota para o abismo. Começa a fartar, senhores políticos da oposição ou do governo. Não queremos isso. Arrepiem caminho, e preocupem-se como melhorar, como fazer melhor, diferente, como resolver problemas e não como criá-los. A vida é a cores, não esqueçam. Não queiram condenar sempre as pessoas a escolher entre o mau e o péssimo. O preto ou o branco. Ou melhor, entre dois tons de cinzento.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Os ditadores



"Os ditadores nunca se acham sós. Ou são as reverências dos seus validos, ou o protocolo que simula dedicação, ou sobretudo o eu que está indissoluvelmente ligado ao seu mundo em que decorre a sua realidade. Às vezes, um mundo extravagante de crises em que a culpa parece ser uma forma de aliviar o excessivo consentimento do seu poder. Há momentos em que o rei se declara humilde, pede que não lhe chamem Alteza, e está perto de demonstrar um eu psicótico e delirante."

Esta  frase de Agustina, citada de um dos seus livros que estou a ler, referia-se ao rei de Portugal Dom João II, que governou de 1481 a 1495, mas podia-se aplicar a qualquer um. Veja-se  a imagem de Nicolás Maduro, um ditador "de esquerda", que na maior cegueira, conduz a Venezuela, que chegou a ser um exemplo de democracia, ao caos e à ruína, por achar que todos os apoiam, ancorado no seu mundo delirante, rodeado de defesas para o seu ego psicótico, surdo à realidade. Esta semana vai fazer uma eleição fantoche para mudar a Constituição, e procurar uma "legalidade" que o eternize no poder, enquanto o povo morre de fome e de falta de bens essenciais como medicamentos, Até quando meu Deus o humano sofre desta vertigem de se sentir bem no lugar do Criador ? Porquê um modesto condutor de autocarros, sem nenhuma preparação, se convence desta ideia de que é um "salvador" ?

sábado, 22 de julho de 2017

O passado e o presente

Estamos em momentos diferentes, em contextos, realidades e suposições diferentes. Passado é passado, presente é presente. Mas será que é mesmo assim ? Será que seríamos o que somos se não tivéssemos aquele passado, será que aquele passado foi premonitório deste presente? Assim a vida é. Um rio em que águas do passado conduzem a uma foz que muda todos os dias, pelo que o rio tem de procurar todos os dias a sua foz. O presente não é mais do que o acumular de muitos passados, interagindo uns com os outros, uns que se perderam, outros que persistem, outros ainda que irrompem sem sabermos de onde. Agora certo certo, é que não podemos modificar o passado, vivê-lo de outra forma da que foi vivido, remendar esses dias, embora se possa olhar para eles de outra  forma, ter deles uma opinião que evolui como o nosso amadurecimento. Afinal o presente também já é passado, e o passado até pode vir a ser presente. Temos olhar para a vida com toda a relatividade. Certo as águas não voltam a passar de novo por debaixo da ponte, mas outras águas virão, água é sempre água.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Paisagem

Em geral associamos a paisagem do Alentejo às planícies sem ter fim. Mas quando nos aproximamos do litoral aparece um relevo pouco alto, mas ainda assim interessante, onde floresce vegetação como arvoredo, que corta um pouco com tudo o resto. É o caso nesta foto que tirei em Relíquias que já aqui citei. É tudo Alentejo, tudo bonito, tudo calmo, diria mesmo pachorrento, em todo o lado se vêm muitas mulheres a fazer trabalhos, e se vê homens a beber umas minis, ou sentados junto das paredes que dão um bom encosto. Há exceções claro. Nada de generalizações abusivas senão acontece-me como ao outro.. Qual outro ? O Raposo claro ! Quem se mete com alentejanos leva ! Mas tudo isso é a paisagem, o encanto do lugar onde estar nem parece que se está. Apenas planamos sobre os lugares. Apreciamos sem ser preciso imergir totalmente, pois que não sou de cá e prezo muito a alma alfacinha. Agora a paisagem está-se a impor a Lisboa, ao contrário do que dizia o Eça ( estou-me a referir ao dito "País é Lisboa, o resto é paisagem" ). Paisagem revolta-te !!!!

domingo, 16 de julho de 2017

Sunday Sunshine Morning

Parece o título de uma música dos Kinks dos meus saudosos idos anos 60, mas na realidade é apenas uma referência a uma manhã de domingo. ensolarada, com a temperatura a subir para os trinta e muitos graus, e o Alentejo como fundo à vista do meu terraço. Este calor mata-me, acabo por ficar numa letargia, uma passividade preguiçosa que não se recomenda a um sexagenário de bom senso que ainda quer dar ares de "estar para as curvas". Quais curvas, mesmo nas rectas o  motor afrouxa, e a preguiça toma conta. Nesta manhã no entanto tratei da roupa, para mim tarefa de domingo, depois tenho mais que fazer. Por agora em vez de desperdiçar o sol, aproveito a sua energia para proceder ao processo físico de evaporação da água da roupa, o que qualquer dona de casa nortenha chamaria, "secar a roupa, carago !!!" ou coisa pior... Mas eu não sou dona de casa, muito menos nortenha !!! E a roupa que se lixe...

sábado, 15 de julho de 2017

Altice rima com...

Durante esta semana muito se falou da Altice, Costa descascou, Passos defendeu, a própria procurou limpar, em causa os "despedimentos" encapotados, a tranferência de pessoal, a compra da Media Capital, a vontade de criar um Banco digital, entre outras manobras, decisões ou confusões. Na realidade temos de ver que esta Altice começa por ser um fundo que visa rentabilidades rápidas, e se possível comprar barato e vender a prazo mais caro realizando mais valias. Por isso vale tudo. Mas para quem tanto critica a compra da PT pela Altice, deve pensar bem pois a fonte de todo o mal foi a venda da Vivo no Brasil, acompanhada pela compra de 30% da Oi, empresa falida já na altura, gerida por um bando de corruptos, alguns hoje presos no Lava Jato, e posterior fusão da PT com a Oi, tudo apadrinhado pela pandilha, Sócrates, Salgado, Granadeiro e Bava. Aí começou a desgraça que levou mais tarde a Oi a vender a PT para realizar capital pois estava afundada. É aí que aparece a Altice, e foi sorte. pois já nessa altura era a Oi e não o estado português a verdadeira dona da PT. Já se percebeu o que acontece a quem se mete com gestores brasileiros. Agora queixem-se. Quanto à Altice o que  posso dizer é como cliente, aí à medida que perdem clientes, sobem os preços para compensar! Talvez seja aldrabice a palavra com que rima...

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Allons enfants de la patrie, le jour de gloire est arrivé

Hoje é o dia nacional de França, o célebre " 14 juillet", dia da Tomada da Bastilha. Porquê recordar tal data ? Porque hoje de novo a França representa uma esperança para a Europa, a esperança da Europa dos seus ideais mais fidedignos, da liberdade, igualdade e fraternidade, tão arrastados pela lama nos tempos presentes, entre outros por uma personagem que o sr. Macron decidiu convidar para a comemoração, o sr. Trump, cujo reconhecimento nesses valores desse ser diminuto, havendo mesmo merecidas dúvidas se ele saberá o significado de tais palavras. É que para falar delas os 140 caracteres do Tweeter, tão caros a esse milionário que agora é temporariamente presidente, não chegam. E para tudo o que tenha mais que isso ele não entende. Quando os ingleses optam pelo Brexit os valores europeus tremem na sua aplicação, quando hungaros escolhem Orban, valha-nos  Deus, quando os de leste repudiam refugiados, Cristo ajoelha, quando os italianos quase escolhem um idiota para primeiro ministro, que dizer, agora derrotada Le Pen, acredito na França para equilibrar a Europa calvinista da sra. Merkel. Daí me juntar ao  hino "allons enfants de la patrie, le jour de gloire est arrivé, contre nous de la tyrannie, etc ".

domingo, 9 de julho de 2017

Animal de pequeno porte

Um pequeno animal muito rico nas suas propriedades. A principal, ou aquela que mais me interessa é o mimetismo, isto é a sua capacidade de adaptar o seu aspecto exterior ao meio em que se integra, adquirindo a sua tonalidade. Daí ser sempre comparado a determinadas pessoas, aquelas que usufruem dessa propriedade, sendo aquilo que não são, porque isso lhes permite uma vantagem. São os "camaleões". Estão presentes um pouco por todo o lado, da política aos bombeiros, da Protecção Civil, aos Comandos Distritais, passam por ser gestores pessoas que geriram nada, e aparentemente atendiam chamadas telefónicas. No "Sexta às Nove" da RTP  tantos foram os citados que até arrepia. Mesmo que não seja verdade para todos, a alguns tal se aplicará com as consequências que todos vimos... Mas que coisa. O animal até é um animal engraçado, muito acossado, o que o leva a estar ameaçado, e o seu habitat até já travou demolições na Ria Formosa, pois julgo que o Algarve é o local do país onde ainda os podemos encontrar, embora durante mais de dez anos de estadia nessas terras apenas encontrei três. Os outros, os que apenas lhe tomam o nome estão por todo o lado e sempre prontos a aproveitar as oportunidade, sobretudo no Bloco Central, onde as diferenças são poucas e o mimetismo é mais fácil de aplicar.  O animal da imagem foi produzido em cativeiro por este vosso criado.

sábado, 8 de julho de 2017

Bipolar

Um país bipolar parece ser o nosso. Sentado aqui no meu sofá não saio, não vou ao café, não convivo muito, mas isso dá-me a possibilidade de observar. vejo na televisão. ouço da rádio, leio na net, ou nos jornais, e do que vejo o traço da bipolaridade está lá. Ontem estava tudo no melhor dos mundos, seríamos os maiores, um ministro sem rasgo era comparado com Ronaldo, os indicadores indicavam para o céu, num país "adorado" por hordas de turistas, e campeões, eurovisões e outras embirrações. "Derepentemente" muda a onda, e umas chamas, uns roubos, a baleia azul, passamos da fase maníaca para a depressiva. Volta a tristeza, as demissões consumadas ou pedidas, os suicídios virtuais, ou reais, os políticos da oposição arranjam finalmente discurso, depressivo para variar, e os que governam, pouco habituados à crítica, responde com palavras atabalhoadas, explicações complicadas, que parece esconderem algo. Bem fez o Costa, deixa os afectos para o homem do costume, as explicações para um ministro que se safa sempre, e vai a banhos até que a onda passe, gosta mais da fase maníaca, que volta dentro de momentos.

domingo, 14 de maio de 2017

Salvador salva o Festival

Já vai o tempo em que seguia o Festival, o de cá e o de lá, quando lá cantavam o Tordo, o Paulo Carvalho, a Simone, entre outos, e quando lá fora sabíamos que nada era possível, era a "política", como se dizia, Portugal era perseguido pela sua politica colonial, e mesmo quando se fez representar por um negro nada mudou. Depois do 25 de Abril, passou-se para uma fase contrária, com alguns de esquerda a serem também ostracizados, talvez porque a sua mensagem era inoportuna, num Festival musical com intuitos comerciais. Então se era de comércio que se tratava vamos por aí, e durante anos Portugal esteve presente com musicas feitas por medida, tirando excepções, mas mesmo assim "o azar persegue-nos esconde-se à espera". Nessa fase eu pessoalmente não acompanhava nem cá nem lá, e sobretudo lá assistíamos a todas a piruetas, luzes, fogos de artifícios, e até uma cantora de barba tivemos. Nada feito! Agora em 2017 o Festival de cá começou por ser diferente com o convite a diversos músicos de reconhecido mérito, compositores que prezam fazer bem as coisas, e tudo parecia indicar que se iria "cair" numa música complicada, com conteúdo pensado e pesado, uma música elaborada para "não ganhar" pois ganhar já seria piroso. E apareceram os manos, a Luisa com créditos firmados, percurso a partir do jazz, e algumas produções comercialmente rentáveis, mas sempre no meio de boas prestações. O Salvador, menos conhecido, eu apenas lembrava o percurso de qualidade que teve nos Ídolos acabou por dar uma voz e imagem inesperadas. Senti que ali havia algo, uma letra de uma simplicidade tocante, uma música que remete para os grandes clássicos americanos, e uma linha melódica reconhecível sem ser "orelhuda". E afinal haveria interesse em saber qual o destino desta música icónica, pelo que o Festival para mim teve interesse cá e lá. Claro que o de lá apontei para ouvir o Salvador, e a votação, tudo o resto não tinha interesse, com gorilas em palco, cantoras deitadas no chão, ou falsos solos de saxofone, do pouco que vi. Para mim este rapaz salvou o Festival, e curioso, o público europeu recusou a intoxicação. Ele há coisas !

sábado, 13 de maio de 2017

Periferias

Numa das suas homilias de ontem o Papa referiu que percorremos todos os caminhos rumo a todas as periferias. Estou a citar de cor, mas ao contrário dos lideres mundiais este homem procura as periferias, como se nelas estivesse o seu destino. De facto estas periferias são os locais físicos ou espirituais onde é mais difícil estar, onde ninguém quer estar, onde estar não traz conforto, reconhecimento ou retorno pessoal, que não o retorno de tentar mudar. Os lideres preferem as centralidades, o Papa recomenda as periferias, onde estão os deserdados, os excluídos, as guerras, a violência, os carecidos de tudo. Daí se perceber o roteiro deste Papa e a razão pela qual talvez Fátima não fosse para ele uma prioridade. Prefere os locais onde o sofrimento se expõe, onde a desigualdade se afirma como lei, onde a vida é desprezada e a morte é o alívio, tal a dimensão da indiferença. Mais uma vez crentes ou não crentes, homens de boa vontade seguem-no, mas, muitos dos poderosos não acompanham. Atrair a tenção para as periferias, preferir o caminho das pedras. Uma lição para quem não quer aprender.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Luz e trevas

Não sou na verdade um crente, mas a relação com o "não sei quê" não me deixa indiferente, por isso não fico de fora de fenómenos inexplicáveis, daqueles que mesmo mentes mais maquiavélicas teriam dificuldade em inventar. Assim as caminhadas até Fátima, como outras no mundo, de gente simples e que responde a um chamado fascina-me. E pensem bem, a fuga dos refugiados é algo que pode ser associado. Com as devidas distâncias assistimos em qualquer dos casos a uma fuga das trevas rumo à luz protetora. As pessoas hoje sentem um enorme perigo que se aproxima e que pode pôr em causa a própria Humanidade. A ascenção da violência como religião, a indiferença face ao sofrimento humano, a cultura do lucro ganancioso, a validação de politicas tenebrosas, que excluem o ser humano e o tornam simples marionete de líderes boçais, ignorantes e violentos, sejam os Trumps, os Maduros, os Erdogans, os Putins, os Le Pens, os Kim Jung Il, todos os dias vemos as trevas avançar e o refugio na luz é a esperança. Não há coincidências, sei por experiência própria, ainda hoje não compreendo porque estou vivo, e só estou porque certas pessoas certas, estavam na hora certa no local certo, e esse local foi luminoso para mim. Por isso aceito os peregrinos, aceito com simplicidade os que acreditam, mais do que eu, acreditam, se bem que talvez eu tivesse ainda mais razões para acreditar. Também eu conquistei a luz, ou melhor, esta foi-me ofertada por uma mão misteriosa, também eu tenho a minha relação especial com o "não sei quê"

domingo, 7 de maio de 2017

Juventude Odemirense

Pude fotografar a passagem da banda filarmónica nas Festas, e confirmei aquilo que já me parecia uma realidade. o interesse manifesto dos jovens poe estas forma de expressão, às vezes pouco acarinhada ou tida como "careta" ou atrasada. Nada disso a Banda Filarmónica de Odemira, que está na foto tem uma participação esmagadora de jovens, e sabemos que muitos destes jovens fazem da Banda uma escola, aparecendo mais tarde nos Conservatórios, ou em orquestras ou concursos de música. Para mim as vantagens da formação artística são muitas e num mundo formatado, em que todos parece que fazem a mesma coisa, as opiniões estão balizadas pelos algoritmos das redes sociais a formação nas artes ajuda a criar diversidade, educa pela liberdade que proporciona. Achei interessante tantos  jovens numa banda de música e pensei afinal nada está definitivamente perdido, basta procurar que se encontra uma ajuda contra o isolamento do interior e essa pode até estar nas actividades artisticas.