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segunda-feira, 10 de setembro de 2018
"Impossible n'est pas français"
Não gosto nada de queixumes, carpir mágoas ou criar impossibilidades. Pelos vistos estou a dar de mim uma imagem diferente. Uma pose pessimista que devo afastar por não corresponder à minha forma de estar na vida. Até já amigos me têm ligado alertados para este estar que não corresponde ao homem que conhecem. É verdade que este último ano me trouxe alguns dissabores, assumidos e jamais revertidos para responsabilidade de terceiros. É verdade que muitas vezes tenho ultrapassado aquilo que me parece serem os limites da sensatez, para me "atirar" ás coisas impossíveis. É verdade que já me tinham alertado para o comportamento das pessoas, mas não para o de "certas" pessoas. Por isso nada tenho de que apresentar fatura, pois esses alertas foram ignorados em consciência. Quando assim é as ações ficam com quem as pratica, e nada mais a acrescentar. Não esperem, no entanto, que assista sentado á destruição do pouco que se construiu. Não dei parte do meu tempo, saúde e boa disposição para serem queimados na fogueira das vaidades e dos egos sempre prontos a pedir o escalpe do "indio" que oferece o corpo ás balas. E digo como Napoleão "impossible n'est pas français"
sexta-feira, 7 de setembro de 2018
Medidas de auto proteção
Há pessoas que acreditam em coisas mesmo que todas as evidências as contrariem. Nem sei como classificá-las, acreditam de tal forma em si que correm o risco da arrogância, ou tão pouco confiantes na sua verdade que correm o risco de ser ingénuas. Ainda assim parece que prefiro as segundas. Isto porque acho a arrogância insuportável, e vejo-me muitas vezes rodeado dela por todos os lados. Penso que a ingenuidade é mais leve, e deixa-nos campo para acreditar mesmo nas coisas impossíveis. Pode até vencer as barreiras que as pessoas colocam há sua volta para as proteger de um mundo que as faz sofrer. É aquilo que aqui já chamei "a campânula". Eu próprio por vezes estou dentro de uma também. O problema é que as barreiras também pode ferir. Mas essas medidas de autoproteção apenas nos dão uma ilusão, pois na realidade há sempre forma de nos levar a fazer o que não queremos. Basta que não nos digam a verdade, ou que a ignoremos... que nos pintem um lindo cenário, e já agora que confiemos nas pessoas erradas. Acontece !!! Estar com as pessoas certas é o que nos protege. Mas como saber quem são elas !!!
quarta-feira, 5 de setembro de 2018
Amigos
Temos amigos. Amigos dos amigos. Amigos dos amigos dos nossos amigos. Na verdade estamos quase sozinhos.
terça-feira, 4 de setembro de 2018
Estar cansado
Tem sido o meu estado de espirito nos ultimos tempos. Uma sensação de não saber se vale a pena. Por um lado levanto-me cedo com energia e vontade de viver. Mas o dia derruba-me. Os contratempos são muitos e manifestamente não tenho muito com quem os partilhar. O peso do meu corpo como que dispara, e as pernas começam a não querer levantar o resto do corpo. E uma fragilidade toma conta de mim. A isto chama-se estar cansado. Claro o calor nada ajuda, e as minhas ocupações só atrapalham. Mas entendo que neste momento as soluções dos problemas passam por cima do meu corpo, e deixam marcas. Já tempo demais a dar o corpo às balas, e estas vêm donde não se espera. Apoios são poucos e acabo mergulhado num "inferno particular". Eu, que sou por natureza um optimista, mergulho na descrença, e a saúde acompanha. Estado fisico e emocional desatinam, zangam-se um com o outro, "guerreiam", como se diz aqui nesta terra de "Guerreiros", e claro, ambos saem a perder. Procuro corrigir mas não há correção. Pessoas que me interessam não se interessam por mim, e o tempo começa a ser curto. No próximo mês chega os sessenta e seis anos e a contagem prossegue. É como se estivesse num beco sem saída. E com uma pesada bola de ferro presa num pé. Este o meu "Tratado sobre o pessimismo", vindo desta pessoa positiva que sou. Ou represento ?
domingo, 2 de setembro de 2018
Domingo "by night" ...
Muitas vezes temos uma estranha sensação de que a casa é demasiado pequena. E sendo grande, só pode ter acontecido duas coisas: as paredes reduziram-se e o espaço agora livre é menor, ou nós aumentamos de tamanho o que pode suceder fora do domínio físico. Fácil de entender, mas tudo isto que parece ficção, é bem real em certos momentos, quando a solidão nos aperta a alma, ou a rejeição nos entristece o coração. Em qualquer dos casos há que deitar a cabeça de fora e respirar, o oxigénio que nos faz falta e de que se carece, nem está assim tão disponível, ou melhor está, mas nós não lhe temos acesso. Ou porque o procuramos e não nos é dado, ou porque nem sempre o procuramos no melhor local. Quem diz local diz pessoa, pois é de pessoas que falo. Mas adiante que a conversa está demasiado hermética para o meu gosto. É bem um post de domingo à noite...
sexta-feira, 31 de agosto de 2018
Tarde para aprender
Dia de receber, dia importante, em que se cumpre ou se fica com um peso de muitas toneladas. Uma enorme responsabilidade, um compromisso, e eu sou uma pessoa péssima com os compromissos. Faltar a um compromisso para mim é mortal. Felizmente "desaconteceu". Graças a Deus. Saber que pessoas aguardam este dia com ansiedade, que da nossa decisão depende o futuro imediato de gente que ganha muito pouco, que tem também compromissos, gente para alimentar. Nada que mais deteste do que falhar, nada que mais exerça pressão sobre os meus ombros. A minha relação com os compromissos é doentia e jamais deveria ter de os aceitar. Mas as coisas são o que são. Agora para mim é um peso demasiado, e nem sei como a minha vida se enredou num novelo assim, em que tudo se espera e pouco se reconhece. Entrou na rotina. A coisa "até corre bem" e ninguém está preparado para que corra mal. No entanto o risco de correr mal mantém-se, e cada vez os meus ombros são menores para aguentar tal responsabilidade, que poucos partilham, poucos apreciam e quase nenhuns reconhecem. É imenso o sentimento de solidão, quando nos vemos perante uma parede que avança para nós, e nos vemos sem ajudas, sem apoios, sem seguranças, sem margem de manobra, sem planos B, sem alternativas, sem mão onde agarrar, e ainda suportar com as incompreensões, exigências e idiotices de alguns. De facto a vida prega-nos partidas que não se anteviam. Confiar nas pessoas tornou-se fatal, quase tanto como o "vírus ébola". E sobretudo lido mal com a palavra "não". O problema é que não sei desconfiar, ser opaco, ter várias caras. E agora é tarde para aprender.
quinta-feira, 30 de agosto de 2018
Perfeito vazio
Tem dias assim. Queremos fazer exercício e não podemos, ou podemos mas com grande esforço e sempre as pernas muito aquém da cabeça. Queremos falar com uma pessoa e ela não se disponibiliza para nós. Queremos pagar uma quantia mas não temos saldo. Queremos deslocar para ir buscar um papel mas as escadas fazem pensar se não será melhor ficar para depois. Queremos depositar um cheque mas a quantia estava errada. Queremos aproximar de alguém mas esse alguém ignora-nos. Felizmente em casa fiz o almoço que queria e o corpo repousou numa tarde de sono profundo. Tomara nem acordar desse sono. Tem dias assim. São apenas dias e nada mais. Dias.
terça-feira, 28 de agosto de 2018
Foto do dia
Recebi uma foto da minha neta na piscina, metida na sua bóia na maior expressão de gozo e prazer que tenho visto nos últimos tempos, mostrando o quanto delira com a "sua piscina", o quanto retira da sua curta vida. Dois anos e picos e vibra com a vida como se se esgotasse tudo num minuto. Como se tudo fosse feito para ser desfrutado. E comprovo que o faz de uma forma que contagia. Sem querer começo a pensar nos sessenta e tal anos, e aquilo que perdemos, a incapacidade de projectar um futuro feito de bem estar e felicidade. As crianças bem nos tentam ensinar mas, burro que sou, não aprendo. Talvez porque permitimos que outros nos imponham a sua vontade, e na verdade somos impotentes para imaginar uma vida para ser vivida ao minuto, tirando partido dele como se não tivessemos mais nenhum. Não, o futuro faz nos pensar e impede-nos de viver livres, o passado das histórias de vida, bem ou mal passadas, interfere, constrange e limita, e o receio impede-nos de arriscar. E o contador vai marcando o tempo desprezado.
segunda-feira, 27 de agosto de 2018
Fim de festa
Vou á vila de Garvão várias vezes por semana, há vários meses, ao longo de alguns anos. Aulas de pintura, ATL, apoios pontuais quando me pedem, outros menos pontuais quando a cabeça me impõe, mas em geral de boa vontade. Agora houve as festas da terra, mas mantive-me afastado. Por um lado o meu caracter anti social vem ao de cima, na realidade nem teria companhia, e festa é coisa para se fazer em conjunto, por outro chego-me pouco nas "mines", ainda menos nas "litrosas", arraiais chateiam-me, e touros gosto muito muito, mas é vê-los ao longe a comer a erva dos campos, nas praças ou nas ruas não contam comigo. Assim a imagem que mais gosto é mesmo a que acompanha este post. O fim de festa. Gosto muito desse momento em que se arreiam os andores, as bandeirinhas e as flores de papel ficam espalhadas "como calha" finalmente livres para irem para onde quiserem. Estéticamente detesto a organização... embora não possa viver sem ela.
quinta-feira, 23 de agosto de 2018
Falar prós seus sapatos
Habitualmente coloco os meus posts no Facebook, a partir de coisas que escrevo, ou fotos que tiro, e em geral com base no blog. Isso permite "gerar tráfego" no blog, coisa que, sem me preocupar grandemente, vou acompanhando com frequência, Toda a gente gosta de saber que não está a falar sozinho ou como se diz em bom português "pró boneco". Claro que há posts que guardo apenas no blog e não partilho, por conterem assuntso mais intimos, que pouco interessam aos outros, ou falarem de política, que é assunto meu, ou por manifestamente não terem interesse no grande público dos meus "amigos" do Face, que é grupo heterógeneo, e formado por pessoas que algumas nem conheço pessoalmente, apesar de não aceitar amizades sem uma análise minima. Tenho assim noção do que as pessoas gostam de ver, falo em pessoas mas estou no grupo limitado daquelas que têm amizade no Face. E o que gostam é de fotografias de pessoas, em primeiro lugar, esse é o assunto que gera mais likes e mais contactos. Depois tudo o que tenha a ver com o lugar onde estamos, desde que acompanhado da fotografia da ordem. Sem foto não há movimento, ou apenas muito pouco. Finalmente assuntos que começaram a desinteressar o meu grupo, os temas culturais, livros, música e filmes. Há algum tempo ainda tinham alguma aceitação, mas agora caminha para o zero absoluto. Nota-se a progressão da ileteracia, da incultura e da fútilidade. Depois temos aquilo a que chamo as frases feitas tipo "miss mundo", são frases que toda a gente concorda de banais que são, mas temos de imaginar que nos tempo actuais muita gente é a coisa mais elaborada que consegue ler, e muitas pautam as suas vidas por essa citações, muitas vezes falsas, de pessoas algumas inexistentes, e que repetidas e postadas mil vezes se tornam filosofia de vida, barata, banal e vulgar. Muita gente daí não passa. Esta a minha experiência e decerto muitos concordarão. Caminhamos para um mundo de iletrados especialistas, que pode saber muito de muito pouco, mas não cruzam conhecimentos, ideias ou sentimentos. Triste, mas é assim e não podemos mudar. Só mesmo para pior. Sad !!!
quarta-feira, 22 de agosto de 2018
Revista
Como algumas pessoas sabem, ou deveriam saber, o processo muitas vezes vale mais do que o resultado. Não que o resultado seja apoucado, mas toda a actividade que se estruturou para o obter tem muito valor e muitas vezes esse valor nem se reflecte como merece. Lá está de novo o "senhor Carlos" com o seu pendor para a filosofia barata. Pois é verdade, mas não é por acaso que há muitos anos atrás me chamavam "engenheiro psicólogo", talvez porque nada sabia nem de uma coisa nem doutra !!! . Passemos à frente. Esta conversa vem a propósito da simples revistinha que o meninos e meninas do ATL fizeram. O resultado ficou bonito, mas mais bonito é o envolvimento de todos para que esse resultado seja obtido, e principalmente os seus autores. A maneira como tratamos as crianças deveria ser a melhor forma de chegar aos pais, e de os sensibilizar para a importância de certas causas sociais que muitas vezes desprezam. Mas nem todos são iguais, se se chegar a um em dez, já estaremos bem. Ficam para já os pequenos trabalhos que fizeram, as visitas, as saídas, um conjunto de actividades que proporcionam uns dias diferentes a todos. Por isso julgo que vale a pena, e serei sempre um defensor de nos envolvermos e patrocinarmos dentro do possivel esta ocupação de tempos livres.
terça-feira, 21 de agosto de 2018
Raizes
Recebi uma foto simpática de uma das minha filhas que eu chamaria visita às raízes. A foto foi tirada na cidade serrana de Manteigas de onde é originária a família da mãe, e mostra-a á porta dos avós já falecidos há cerca de vinte anos, nem posso precisar. Acontece que os filhos se organizaram para manter a pequena casa em pé, mesmo no centro da cidade, e poderem assim visitar quando entenderem, extensivo aos netos que acarinharam a ideia. Por vezes a casa é utilizada para férias, ou apenas para encontrar uma recordação das raízes, pois parte da sua origem está ligada aquela terra e áquela casa em particular. Mostra que a descendência, que é vasta, reconhece ali parte de si. Penso que num tempo em que estamos muitas vezes urbanizados, em casas impessoais, rodeados de estranhos, é bom ter sempre um referência. afinal ter o seu "quadrado". Não é que ela sirva de rectaguarda fisica, nem pensar, mas saber de onde viemos ajuda a saber para onde queremos ir. Claro falo assim, embora resida agora num local onde esses problemas nem se põem, pois aqui a família tem uma presença forte na vida das pessoas, a estrutura familiar ainda permanece em muitos casos unida, onde quase todos têm familiares próximo. Embora com os riscos de se viver em grupo, coisa que não aceitaria para mim, essa estrutura é positiva e o apoio dela é uma mais valia. Infelizmente é rede a que pouco posso recorrer. Sou mais do tipo anti-social, e nada fácil para mim "puxar palavra" com alguém. É preciso querer muito ...
segunda-feira, 20 de agosto de 2018
Interior
Estou colaborando numa pequena instituição que possui uma unidade de cuidados de saúde. Tem um pequeno defeito que lhe deita tudo a perder. Está no interior, diria mesmo, no interior do interior. É que muito se fala agora de Pedrogão, Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos, Pampilhosa. Todos os ministros, lideres políticos, primeiro ministro, presidente, se desdobram em visitas, planos, projectos, infelizmente por razões tristes, estes locais acabam por estar na moda. Mas como diz o povo "há mais Marias na terra". Sendo um alfacinha de gema, vejo com pena a dificuldade que é fazer alguma coisa no interior de BA, onde tudo é dificil, envelhecimento, desertificação, pouca instrução, nem diria pouca formação, pois cursos de formação não faltam a quem se quer tornar em profissional deles. Agora nesta pequena instituição submetida ás mesmas regras de funcionamento de uma situada em Almada ou em Sintra, entra gente sai gente, poucos ficam, poucos se fixam, excepto aqueles que são naturais da terra, e mesmo esses ! Permanentemente com o credo na boca com medo de perder as pessoas, a quem, diga-se de passagem, não se pode pagar muito, para compensar o esforço de estar num local como este. Qualquer assistência necessária é prestada mal, à pressa e custa uma fortuna só em deslocações. Vou dizer uma coisa estúpida, mas nem tem árvores para arder. Assim o ministro não vem, e o abandono é sempre o que paira no horizonte. Talvez se o ministro viesse acabasse tudo na mesma.
domingo, 19 de agosto de 2018
Pessoas
Pela nossa vida passam pessoas, pessoas e pessoas. Umas deixam-nos uma imensa carga, um peso de más experiências, e cada minuto que passámos com elas pareceu horas. Infelizmente quando nos apercebemos disso já muito foi soterrado debaixo dessa carga, e o que da vida poderia ter sido prazer e felicidade sucumbiu sob um mundo de exigências, pressupostos, imposições, para não dizer pior. Laços desfizeram-se por sua intransigência, redes que foram desmanteladas e agora nos fazem falta, vinculos desfeitos, amizades perdidas. Há uma máxima que deveriamos aplicar mas que sempre esquecemos e que é "nunca gostes de alguém que não gosta das pessoas de que tu gostas". Sempre achamos que a ligação com essa pessoa será mais forte e tudo compensará. Errado ! Depois temos pessoas que passam como raios de luz. Tudo foi muito rápido, leve mas muito luminoso, quando pensamos o que fazer com tanta luz, esta apaga-se e fica-se na escuridão. Temos ainda pessoas que nos dão a confiança e a solidez, e estão disponíveis sem se imporem nem pedirem nada em troca, apenas porque estão bem no ambiente que lhes criamos, e geram para nós um ambiente que nos faz sentir tranquilos. Com essas pessoas entramos em portas diferentes de um enorme centro comercial e sempre nos encontramos pois os nossos passos nos conduzem ao encontro. Não estou aqui a falar de frases feitas, como aquelas banalidades com que sempre tropeçamos na internet. Falo de experiência própria pois já encontrei todos estes tipos de pessoas e talvez outras aqui não descritas. Vivi com elas e ainda hoje carrego algumas das dores dessas ligações. Por muito que queiramos o passado não se apaga com o botão "delete", e não é para apagar, pois é uma riqueza e não um fardo. Há no entanto que o domesticar, e colocá-lo onde deve ser posto, a pasta dos processos arquivados. Nalguns casos passar primeiro no triturador de papel...
sábado, 18 de agosto de 2018
Amor incondicional
Para quem tem filhas como eu tenho, e se tenha habituado com o tempo à sua companhia, mesmo que à distância, sabe do que falo. Aquele sentimento de permanente e imensa cumplicidade capaz de tudo aceitar e tudo perdoar. É o chamado amor incondicional, aquele que aceita sempre um copo meio vazio como um copo quase cheio. Ilusão de pai para quem as filhas são como que "eternas namoradas". E nós acabamos sendo "eternos heróis". Acabamos mesmo convencendo-nos de que incondicional quer dizer exclusivo. Errado ! Escaldados pelos trambulhões emocionais, pelas experiências de falhanços e quedas, de voltar a levantar, parece que ali, junto daquelas raparigas, encontramos porto seguro. Ora elas também têm os seus trambulhões e nem sempre representam a estabilidade. Além de que todo o ser humano quer ter a sua vida com tudo a que tem direito, Quem quer ter uma criança tem criança, e aqui falo daquela coisinha fofa em que penso todos os dias, a neta, quem prefere ter cão tem cão. O amor esse permanece incondicional. Mas por mais que se dê voltas, ninguém merece a nossa exclusividade. A vida é uma estrada que tem várias ramificações, a ciência está em conseguir seguir os melhores caminhos. Muitas vezes nem acertamos. Na foto podemos ver os meus "amores incondicionais", as filhas do "senhor Carlos", agora em formato "cerimónia 4.0", e a prova de que o justificam plenamente.
Antigo ??
Andava procurando uma capa para o meu "smartphone", que a minha já se desfaz, ali para os lados de Castro, e decidi ir a uma loja Phone House num centro comercial, daqueles que nem cheiram muito bem, e cheio de gente na esplanada, gordos, falando alto, enfim um bom ambiente urbano para gente rural. A menina era de enorme simpatia, apetecia mesmo comprar-lhe qualquer coisa... Ao ver o meu aparelho diz ela "Para estes telemóveis antigos já não tenho capas, e será dificil encontrar!" Parece que estavamos a falar de um telemóvel tijolo, dos primórdios da comunicação sem fios, arcaico e sem funções daquelas que não servem pra nada ! Mas na realidade o meu ainda nem fez três anos (faz em Outubro como o seu dono...), e já merece o epíteto de "antigo". Mas que noção do tempo existe agora neste comércio modernaço. Para a simpática criatura eu deveria comprar um novo e aproveitava e levava a capa também. Mas é isto a sociedade do desperdício, incutido pelos interesses comercias nas cabecinhas ocas destas jovens. Um telemóvel de três anos deve durar mais três, no meu modo de ver, se calhar o meu modo de ver é que é antigo, a menos que seja verdade que a sua morte esteja logo programada à partida, como parece ser a prática da Apple. Apetecia-me comprar qualquer coisa à jovem vendedora, pela sua simpatia, mas acabei apenas por trazer umas revistinhas para ver as "fantásticas" promoções e logo decidir. Decidir que não vou decidir claro ! E o telefone "esperto" que se aguente na sua capa miserável, pelo menos mais três anos. A menos que a morte já lhe esteja ditada.
sexta-feira, 17 de agosto de 2018
Aceitar
Os últimos dias têm sido de arrasar. Mistura de sentimentos contraditórios, contradições, dúvidas, falsas certezas, rejeição e afastamento. Depois caiu tudo quando a presença de outra pessoa, a mãe, só complica. A paciência vai-se, o tempo é devorado em tarefas do quotidiano, e a saúde afinal nem ajuda. Finalmente no meio de tudo isto a minha organização esvai-se, o tempo contrai-se, a vida esboroa, e tudo aponta para a espiral depressiva. O calor também chateia, e o que poderia ser um belo dia de praia, é apenas um pretexto para a sombra, para a retração e para o inchaço. A questão é sempre a mesma, a solidão de quem põe o braço fora da água, e não sente a presença de qualquer embarcação. Complicado, sim, mas nada que o tempo não acabe por ajudar a resolver. A questão é que tudo foi demasiado rápido, demasiado imprevisivel, demasiado para alguém com principios de vida sólidos, e uma ética estupidamente obsoleta. Claro aceito tudo como mais uma dádiva, mais uma experiência, mais uma prova de resistência que Deus está-me proporcionando. E já foram tantas que nem teria de me admirar. Estou a aproximar os sessenta e seis, e se as estatisticas fossem a lei de Deus só teria mais cinco anos de vida. Felizmente ou não, as estatisticas são apenas estatisticas e Deus está-se nas tintas para elas. Veja-se o meu amigo Vitor, qual seria a probabilidade de morrer aos 64 ? E desde ontem ele lá está, chamado à Sua presença. Vamos aceitar e esperar. Deus tudo vê e tudo aprecia.
Vida de reformado
Não sei se repararam que ultimamente se tem falado muito em acabar com a reforma compulsiva aos setenta anos. Isto é uma pessoa poder trabalhar para o Estado ou instituições públicas até ao fim da vida no caso de o desejar. No privado isso já sucede. Graças a Deus. Eu detesto decisões compulsivas, o ser obrigado a, provoca em mim um desejo imediato de contrariar, de contornar ou desobedecer. E vejo como homens de grande nível são obrigados a parar, e o Estado e o povão a perderem o contributo de pessoas que queriam contribuir com muito préstimo. Temos vários casos mas talvez o que disparou a discussão foi o do grande cirurgião Manuel Antunes, obrigado a reformar-se, ou do Prof. José Fragata, o homem que me salvou da ruína e da morte, a caminhar também para lá. Agora até eu sou reformado também, embora ainda nem tivesse chegado à idade, e levo essa célebre vida de reformado, em que se joga ás cartas, em que se está a polir bancos do jardim, no caso dos homens, ou a lamber os netos no caso das mulheres. A isto se adiciona no Alentejo ter por perto umas "mines". Mas a minha vida de reformado é um pouco diferente. Pus me a pensar que hoje levantei pelas sete horas, depois de aprontar café da manhã para dois, eu a mãe, saí para ir ao banco tratar de assuntos alheios, depois para outro multibanco onde paguei contas que não eram minhas, aí fui ao Pingo, a mania de comer sardinhas ao sábado, depois fui tratar de comprar um cartão para o telefone, pensei que as sardinhas e outro peixe não gostariam da manhã na mala do carro, passei por casa a amanhar e congelar o que disso precisava, depois fiz quinze quilómetros de carro, era preciso passar na unidade para tratar de papéis, a propósito de papéis, faltavam folhas para fotocopiadora, pelo que fiz mais quinze para vir ao Pingo de novo e outros quinze para regressar, mais umas decisões e umas conversas, aí veio o almoço, desta não tinha do fazer, e tive companhia, ufff, após o que regressei a casa, outros quinze, e no total sessenta quilómetros. Cheguei a casa pelas quinze e só mesmo a cama me chamava. Quais "mines", quais cartas, quais banco do jardim. Á minha medida, nada de comparar com os grandes homens que atrás citei, quem corre por gosto... A isto se chama uma bela vida de reformado... Já lá diziam os outros "arbeit macht frei". Teriam razão ? (para quem não saiba falo da célebre máxima nazi "o trabalho liberta", afixada nos portões dos campos de concentração, libertação num local daqueles... nem a brincar)
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
Ganhar e perder
Todos os dias se ganham pequenas batalhas todos os dias se perdem pequenas batalhas. Mas nem todos os dias se ganham amizades ou se perdem amizades. Não é todos os dias que se conhecem pessoas amigas, mas quando as perdemos fica sempre um vazio. E se as perdemos sem saber que já as tinhamos perdido e qual a razão, esse vazio transforma-se em decepção e em mágoa. Acontece na vida, e temos de aceitar. Os outros têm razões que desconhecemos e se, ao ser-lhes perguntado, não respondem, fica margem para toda a efabulação. Tenta-se perceber, perceber, perceber, e nada. Tenta-se usar a lógica, a matemática, a psicologia, as ferramentas que permitem compreender a alma humana e nada ! Continuamos sem perceber. Aí só nos resta aceitar o desprezo, ler os sinais, compreender os indícios, sem mostrar arrependimento, ou frustração, digerindo a dor, agradecendo o que foi recebido, e procurando colmatar o vazio. Claro, uma pessoa não substitui outra, e a ingratidão destrói. Prova-se assim do mesmo veneno. Se calhar estava mesmo a pedi-las.
terça-feira, 14 de agosto de 2018
Como lidar com a vida quando a vida não nos quer ?
Assisti a algo que não pensava assistir. E felizmente desviei o olhar. Uma criança que vai ser entregue a uma instituição a despedir-se do seu familiar mais próximo. Era mesmo a despedida e por algum tempo uma efectiva separação. Claro casos destes não podem ter boas soluções, apenas as menos más. E no caso esta a menos má. Acontece que não estamos preparados, e aqui tiro o chapéu aos técnicos que lidam com estes casos mantendo o sangue frio e procurando no meio do drama o caminho da vida. Não seria para mim... Acontece que quando a vida nos rejeita como lidar com ela ? Quando a família falha, pais falham ou não podem acorrer pela sua situação concreta, a própria criança falha pois não conseguiu integrar a sua diferença, nem fazer se aceitar, há apenas uma solução que é a sociedade não falhar. Mas conhecendo a situação em concreto não consigo imaginar o que será o futuro para crianças como estas, o que as espera na curva da estrada. Claro ali houve choro e a consciência de que seria um longo adeus. Um adeus sem regresso, mas que se pode transformar numa luz no fundo do túnel, assim a sociedade e as suas instituições não falhem. O problema é que falham muitas vezes. Terminando com um olhar pessoal, eu mesmo algumas vezes sinto necessidade de responder à pergunta que formulo no título deste post, pois essa sensação de não ser querido pela vida faz muitas vezes parte da minha própria vivência. E como lidar então com a rejeição ? Sobretudo como lidar sózinho com a rejeição ? Isso é para Homens superiores. Que traçam caminhos, percorrem, e vão até ao fim independentemente dos outros e das suas contrariedades. É para fortes, não é o caso de uma criança sem defesas ou de um "velhote adoentado"... Melhor esquecer, melhor ultrapassar, melhor julgar-se mesmo um homem superior !!!
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