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quinta-feira, 23 de agosto de 2018
Um livro para férias no campo ou na praia, pois passa-se num poço onde mulheres se afogam
Acabei de ler "Escrito na Água" aquele livro esperado pelos que apreciaram "A Rapariga do Comboio", de Paula Hawkins, sendo esse o meu caso. Não penso que esteja no mesmo nível, mas para mim é bom para uma leitura de férias, e como o "senhor Carlos" está sempre de férias, farta-se de ler, tudo lê desde jornais, livros, rótulos de iogurtes, facturas, sendo esta a menos preferida. Mas "voltando à vaca fria", hoje já se usa pouco a leitura tradicional, pena, mas este será um bom livro para retomar o contacto. Mostra este livro que afinal as situações misticas, lendas, adivinhações funestas, declínio, determinismo, destinos marcados, acabam sempre por ter explicação bem mais prosaica, e no caso de terem por consequência a morte criminosa, estará sempre presente uma das três motivações criminosas de ser humano, o dinheiro, o sexo e a maldade humana pura e simples. É o caso, e afinal escrito na água, na pedra, no papel, no tablet, seja onde fôr, crime é crime, e caímos sempre num dos três motivos anteriormente citados. "Quod erat demonstratum" !!!
quarta-feira, 1 de agosto de 2018
Machado de Assis
Entre os livros que recebi e que tinha arrumados na casa da minha filha vinha uma edição já antiga de um clássico da literatura brasileira publicado em 1881, e clássico da literatura em língua portuguesa, "Memórias póstumas da Brás Cubas", de Machado de Assis, nascido no Rio de Janeiro em 1839 e falecido em 1908. Não sei onde ou quando o comprei, mas resolvi ler e achei um livro excelente. O período em que viveu fica bem retratado neste romance, curto, humorado, realista ao nível do melhor de Eça de Queiroz. Tem 160 capítulos, a maioria de meia página, o que lhe dá uma dinâmica narrativa interessante. Tudo é contado a partir da morte do protagonista e narrador, pelo que se pode dizer que é um romance escrito por um defunto. O humor por vezes é corrosivo e a escrita muito moderna e num português bem particular. Uma surpresa para mim, tinha este livro há muitos anos mas nunca o tinha lido.
quinta-feira, 26 de julho de 2018
Arrebatador
Acabei de ler. Quase setecentas páginas num ápice. Um thriller, ou seja um romance de mistério em que a cada momento as certezas se vão e novas pistas se encontram. E no final tudo muda. Um livro que também segue o percurso da literatura, e o amor entre pessoas muito diferentes. No final o desaparecimento de Nola Kellergan, adolescente de quinze anos desaparecida para sempre há trinta e três anos fica esclarecido, mas antes conhecemos o percurso de uma jovem com mais vida do que se suporia, mais madura e portadora da virtude de fazer os outros felizes. Gostei e recomendo para férias.
terça-feira, 25 de julho de 2017
Mão (Apresentação 37)
Este poema é do livro "Poemas Quotidianos" e naturalmente dedico à Francisca, o meu prolongamento mais remoto. Deve ler-se neta onde se lê filha....
Não é a tua mão
filha
que eu levo
na minha mão
é uma raiz
que eu planto
em mim mesmo
Não é a tua mão
filha
que eu levo
na minha mão
é uma raiz
que eu planto
em mim mesmo
António Reis "Poemas quotidianos"
segunda-feira, 24 de julho de 2017
Desprezo
"Quando a mulher ama, adora. Quando o homem ama, despreza, porque alguma insignificância deve ter a espécie feminina para permitir o erotismo".
Mais uma citação desconcertante de Agustina, no livro que estou a ler, chamado "Fama e Segredo na História de Portugal" de 2006, pois desde lá que Agustina deixou de escrever, atacada pela doença. Referia-se á relação de Dom João II com as mulheres. Mas a frase é intrigante e nela Agustina apresenta o homem como misógino e contraditório. Como pode o desprezo ser uma forma de amor ? Ainda por cima em nome da menorização do erotismo, quando se passa a ideia de que o homem lhe atribui uma excessiva importância ? Mas se pensarmos melhor ela terá alguma razão. O homem vê a mulher como uma forma de "pecado" do qual não consegue escapar. Diz-se, o diabo conquista o coração do homem através da mulher, não sei onde li isto, e esta relação contraditória faz do homem um infeliz em potência. A mulher nesse aspeto é previlegiada pois sempre é o centro da atenção, o chamado "objeto do desejo". O homem que despreze, só lhe faz mal.
Mais uma citação desconcertante de Agustina, no livro que estou a ler, chamado "Fama e Segredo na História de Portugal" de 2006, pois desde lá que Agustina deixou de escrever, atacada pela doença. Referia-se á relação de Dom João II com as mulheres. Mas a frase é intrigante e nela Agustina apresenta o homem como misógino e contraditório. Como pode o desprezo ser uma forma de amor ? Ainda por cima em nome da menorização do erotismo, quando se passa a ideia de que o homem lhe atribui uma excessiva importância ? Mas se pensarmos melhor ela terá alguma razão. O homem vê a mulher como uma forma de "pecado" do qual não consegue escapar. Diz-se, o diabo conquista o coração do homem através da mulher, não sei onde li isto, e esta relação contraditória faz do homem um infeliz em potência. A mulher nesse aspeto é previlegiada pois sempre é o centro da atenção, o chamado "objeto do desejo". O homem que despreze, só lhe faz mal.
sexta-feira, 14 de julho de 2017
Poemas quotidianos

Cá está mais um post que nada diz a ninguém tirando ao seu autor, um homem do antigamente, que ainda lê livros velhos, e os compra em alfarrabistas, que ouve CDs, um velho de cabelos brancos, olhar desfocado, algo pitosga, muito agarrado aquelas coisas que naqueles anos faziam a diferença, entre os "aburguesados" de gravata que íam às discotecas e engatavam umas miúdas, e nós "os outros" de barba por fazer, desalinho nas roupas, e cabelo por pentear, andávamos com livros forrados com capas de papel, porque os livros que trazíamos sempre debaixo do braço não se podiam exibir em certos ambientes. Estávamos alguns anos antes do 25, e qualquer gesto podia ser mal interpretado. Nessa altura, 1967, saiu um livro, ou melhor a reedição de um livro original de 1957, chamado "Poemas Quotidianos", de um autor sem nome, António Reis, que teve grande aceitação neste grupo de gente, nós os barbudos e mal vestidos... Os poemas eram curtos, diretos, melancólicos, escritos por alguém sufocado pelo país de opereta do salazarismo. Foi-me emprestado pela minha amiga da altura, a Graciete, rapariga um pouco mais velha, que andava em Letras, como era natural nas meninas da altura, e também gostava desta poesia desesperada e chã ! Gostei tanto que, não havendo papel para o comprar, e não tendo ainda sido inventada a fotocopiadora, decidi copiá-lo com a minha máquina de escrever Olivetti, pois o livro até era pequeno. Hoje a Graciete é catedrática na Sorbonne, decerto reformada, sob o nome Maria Graciete Besse, nunca mais a vi, o autor deste texto já não tem barba, embora continue a vestir-se mal, António Reis morreu em 1991 sem grande obra publicada para além dos ditos poemas quotidianos, os "aburguesados" tiveram filhos das meninas que engataram nas discotecas, o Salazar caiu da cadeira há 50 anos, e o principal motivo desta crónica que já vai longa é que o tal livro ensimesmado e carregado de melancolia foi agora reeditado de novo, em 2017, altura em que fazem 50 anos da segunda reedição de 1967, Está na "Tinta da China", custa pouco mais de 12 euros, e eu agora vou poupar os dedos. Leiam, talvez não compreendam !
terça-feira, 16 de maio de 2017
Fátima (1979-2016)
Livro de fotografias do fotógrafo António Pedro Ferreira, do Expresso, com textos de Clara Ferreira Alves, recebi agora a um preço quase simbólico editado pelo Expresso. As fotos cobrem o período indicado, cerca de uma centena, e são extraordinárias, recomendo mesmo, para quem gosta de fotografia, sendo que todas as imagens foram obtidas no Santuário aos longo de quase quarenta anos. Mostra bem de uma forma expressionista o fenómeno de Fátima como raramente o vemos, o grande povo que expressa a sua fé no limite das suas forças, um povo sem esperança, despojado pelas elites que ali encontra a relação directa com o espiritual. O tal catolicismo popular, a esperança dos pobres e deserdados. Dos que acreditam contra tudo, Como diz D. Manuel Clemete "em Fátima cabem todos, mesmo os que não querem caber em lado nenhum". A qualidade das fotografias deixa-nos em silencia a vê-las e a meditar no sentido que têm. É especial.
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
A Rapariga no Comboio
Ando longe dos best sellers, e este é um dos livros mais vendidos deste ano que agora deu filme. Li o livro e recomendo. O filme não vi mas dizem que ficou a léguas, apenas vi a apresentação e vi que de facto o ambiente não é o mesmo. Porquê ? Porque os direitos comprados para a Dreamworks levaram o filme para New York quando o original se passa em Londres. Gosto do ambiente do livro, das três personagens femininas que protagonizam o livro, desde logo a principal personagem, Rachel, que está feita num caco. Tudo perdeu na vida, e vegeta em viagens de comboio suburbano, em que alimenta a sorte da vida dos outros com os quais tudo está bem. É sempre assim, com os outros está tudo melhor do que connosco e ali nas barbas de Rachel tudo se passa e nada está bem. Gosto do enredo, muito bem feito, sendo o primeiro romance da autora. Um livro de facto arrebatador, que nos mostra a vida suburbana. Leiam, quanto ao filme se calhar se lerem não valerá a pena gastar mais...
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
Coisas Novas
Jozef Sors é a figura central de "Um pintor debaixo do lava-loiças", de Afonso Cruz, um autor português multifacetado, escritor, músico, artista plástico, sendo este o seu terceiro livro. O livro é a vida de Sors, uma figura inventada, mas inspirada num pintor judeu, refugiado em Portugal durante a guerra, e acolhido pelos avós do autor, e que para se esconder dormia na cozinha "debaixo do lava-loiças". É uma figura cândida mas complexa, que sempre quis fazer desenhos inacabados, e representar os olhos das pessoas. O pintor deu meia volta ao mundo na procura das coisas sem interesse, pois afinal "os artistas vêm coisas novas nas coisas velhas", essa a sua arte e afinal "é assim que se separa a humanidade: uns pegam nas coisas para morrer e outros para viver", mas as coisas são sempre as mesmas. É bem claro de que lado da humanidade está o artista... (Na imagem pintura de Dan McCaw)
Numero Zero
Última obra de ficção de Umberto Eco, o italiano ensaista, historiador, filósofo e romancista mais conhecido pelo "Nome da Rosa", talvez o romance histórico mais fabuloso de todos os tempo, Pois pûs-me a ler esta pequena obra que é o seu mais recente romance, de nome "Número Zero". Vamos ao que se trata. Imaginemos que alguém poderoso decide publicar um jornal. Para isso vai publicar um numero zero para ver como resulta, contrata um director, um consultor em comunicação, e meia dúzia de jornalistas "low cost", daqueles que enchem revistas de lixo, e deita mãos à obra. No entanto existe um segredo que poucos sabem. O jornal não é para publicar, é apenas para fazer crer que se publica, e com essa hipotética publicação, insinuar juntos de inimigos do poderoso patrão, que se dispõe de uma informação que se pode vir a publicar, e assim obter, por chantagem benefícios políticos, financeiros ou reputacionais. Assim de numero zero, em numero zero o jornal não se publica, os jornalistas nada escrevem, mas fazem umas investigações rentáveis, até que afinal as efabulações também se podem tornar realidade, e essa realidade pode custar até vidas,
E não digo mais nada. Uma obra dos dias da comunicação, fantástica e para quem quer pensar.
E não digo mais nada. Uma obra dos dias da comunicação, fantástica e para quem quer pensar.
sexta-feira, 5 de junho de 2015
Irmão
"O meu irmão" de Afonso Reis Cabral venceu este ano o Prémio Leya. Acabei de ler este que é o seu primeiro romance, e fiquei fascinado. Uma obra muito bem escrita, uma ficção que toca a realidade de uma forma profunda, um tema de abordagem dificil, pois com facilidade pode ceder-se a paternalismo, vulgaridade ou mau gosto. O escritor consegue abordá-lo com crueza, realismo e afinal com elegância. Um professor que vive só, por morte dos pais, decide ocupar-se do irmão deficiente com 40 anos, com quem não convive há mais de 20 anos e vai-se envolver nos problemas de um homem com sindrome de Down, suas dificuldades, obsessões, afectos exacerbados. O maior de todos, Luciana, outra deficiente adulta que é a maior fixação de Miguel, o "meu irmão" deficiente. Não digo mais nada, mas informo que estamos longe de um final cor de rosa ! Leiam!
quinta-feira, 28 de maio de 2015
Suite Francesa
Acabei de ler este volumoso livro de Irene Némirovsky. Já tinha lido dela "O baile" um pequeno mas excelente livro acerca da rebeldia de uma jovem numa familia judia que "investiu" na sua ascenção social. "A Suite Francesa" é algo de muito diferente. É o ultimo livro da autora nascida na Ucrânia em 1903 e chacinada em Auchwitz em 1942, aos 39 anos após uma auspiciosa carreira literária. O original foi escrito entre 40 e 42, escrito quase às escondidas, e o manuscrito salvou-se numa velha mala com fotografias, que a filha Denise levou consigo quando de uma fuga que a salvou da deportação bem como a irmã. Este esteve desconhecido durante cerca de 60 anos e acabou por ser publicado em França, país onde Irene fez a sua vida após abandonar a Rússia com os pais após a revolução bolchevique. "A Suite Francesa" relata a fuga de Paris após a ocupação nazi, e a ocupação de uma vila francesa pelos alemães e num caso e noutro, a teia de colaboracionismo, traição, cobardia, calculismo, que caracterizaram esses anos numa França culta e elegante. Uma obra extraordinária, de uma autora ela própria um exemplo vivo da história da Europa na primeira metade do século XX. Agora deu origem a um filme, mas que apenas retrata uma parte da obra, a parte que relata a relação de amor, amizade, ódio, desprezo e manipulação entre uma jovem esposa de um prisioneiro francês e um oficial alemão que alojou em sua casa.
sábado, 23 de maio de 2015
Avenidas Periféricas
Cada vez mais "modianesco" acabei a leitura de "Avenidas Periféricas" um livro do nobelizado Patrick Modiano, de 1972, mais um pequeno livro deste autor que faz uma grande obra composta por prquenos livros, sendo em todos os que li, e já li quatro, o mesmo pano de fundo, a França ocupada pelos alemães e as cumplicidades, as tramas, dessa ocupação, e de como muitos a superaram. Praticamente sem edição portuguesa, e a pouca que havia esgotada, Modiano está agora a ser objecto de reedição e começa a estar disponível. Neste livro persegue a memória do pai, um judeu que vive de esquemas, junto com um bando de gente que sobrevive à ocupação fazendo apelo ao que o homem tem de pior. Ou não fosse a ocupação o aviltamento de uma nação e de cada um em particular, estimulando os "extremos" da capacidade humana, de resistir ou de trair, de viver ou rastejar. Quanto mais leio mais gosto de Modiano.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Sapatos italianos
Acabei de ler, de 2006, do autor sueco Henning Mankell, mais conhecido por livros policiais, mas escreveu também romance. Este é excelente, e agarrou-me de forma muito intensa. Eu sei que há livros que nós não largamos pois queremos saber o fim. Neste caso estamos perante um livro qur não vamos querer que acabe, tal o prazer que nós dá lê-lo. "Sapatos Italianos" é uma ficção nórdica, em que um homem que vive só durante 12 anos numa ilha no Báltico num isolamento que apenas a morte vai interromper, de repente, vê, a partir de um ponto no horizonte, a sua vida voltada do avesso, e encontra um sentido que jamais imaginara. E não digo mais.
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Dora Bruder
Em 1942 um anuncio num jornal, os pais procuram a sua filha desaparecida. Em Paris, uma Paris ocupada pelos alemães, numa França dividida entre duas realidades que eram duas faces da mesma moeda, os ocupantes, e a zona livre, na realidade composta pelo regime pró nazi de Vichy. A filha desaparecida é Dora Bruder. Filha de judeus, escondida pelos pais enquanto judia, numa cidade onde é perigoso existir, só resulta rastejar, entre os criminosos e os colaboracionistas. O internamento era o mais normal para quem era fora do normal. Vinte anos depois alguém procura Dora Bruder, a partir do anuncio, e percorre o seu caminho nas ruas, nos prédios que se julga ter habitado, nas escolas onde possa ter estado, nas prisões onde uma adolescente terá sido presa, com prostitutas, comunistas, desamparados, judeus e outros "anormais", nos campos onde terá sido internada, nas manhãs geladas de 1942, nos vagões que a terão transportado, nos campos onde terá terminado sua curta vida. Dora Bruder é um excelente pequeno livro do nobelizado Patrick Modiano. Onde reconstrói um enorme puzzle, de uma Paris cidade de escuridão, servidão e desumanidade, em 1942, dias de chumbo, onde o homem foi predador do próprio homem. A ler.
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Modiano
Acabei a leitura do livro do recém nobelizado Patrick Modiano, "Na rua das lojas escuras", naturalmente movido pela curiosidade que a atribuição do Nobel despertou em mim. O escritor é pouco conhecido fora de França, e em França a ministra da cultura não foi capaz de citar um titulo de seu mais recente Nobel. Este livro venceu o prémio Goncourt em França, em 1978, sendo uma obra com alguns anos. É uma escrita interessante, um romance quase policial, em que se trata a reconstrução da memória, de alguém que a perdeu e a vai, não diria retomar, mas vai construindo, como um puzzle. O ambiente parece ser o mais habitual no autor, a França ocupada pelos nazis, e vai tecendo a sua própria memória muitos anos depois, a partir de uma escuridão onde nada existe. Como argumento daria um grande filme, pois o fio da narrativa agarra-nos. No entanto a mim parece-me um "pequeno livro", e creio que este autor é um grande escritor de pequenas obras, Não estão lá teses, filosofias, causas, não é um Saramago, ou um Vargas Llosa mas não arriscaria apreciação acerca da validade ou não de um Nobel. Vou ler mais algumas obras.
sábado, 27 de setembro de 2014
Falhar
Ontem à noite o escritor Pedro Chagas Freitas. esteve aqui na Feira do Livro em Ourique. Escritor, formador, animador, comunicador, nadador salvador, publicista, jornalista, ou outra coisa que não sabemos, talvez palerma, a fazer fé na sua biografia publicada no seu site. Penso que é uma nova geração entre a escrita e o marketing, entre o romance e a auto ajuda, entre a publicidade e a escrita criativa, aquilo que ele mesmo chama "ilusionismo linguistico". Comunica muito bem, é hábil no uso das redes sociais, e é um bom promotor do seu produto. Basta ver o título extraordinário que encontrou para o seu ultimo livro, "Prometo Falhar". e em subtítulo "o amor acontece quando desistimos de ser perfeitos". O Edson Athaide não faria melhor, e é um guru da publicidade. Procura leitores e fãs, e aproxima-se de uma estrela pop, mas no final dou-lhe o beneficio da dúvida. De algumas coisas que li digo que escreve muito bem. Vamos ver o Chagas. Pelo menos o público feminino caiu a seus pés !!!
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Serafim
Ontem, no quadro da Feira do Livro da Biblioteca Municipal, aqui em Ourique, assisti à apresentação do livro "A minha boca parece um deserto" de Jorge Serafim. Para além de um talentoso declamador, contador de histórias, animador de créditos firmados, incluindo na TV, escreve muito bem e não só para crianças. O livro, com a imagem de um livro para jovens, ficciona o problema da falta de água, e escreve por exemplo, acerca do pai amargurado pela seca,
"Está mal-encarado, as arrelias consomem-lhe a figura. Os dias não se lhe fazem úteis. Pergunto á minha mãe o que se passa e ela responde renitente. O pai está assim porque o céu amuou com a terra. Nem água vem nem mágoa vai ! E se lhe pergunto porquê, a minha avó dá logo um ar da sua desgraça. Porque os homens secam imteligência e florescem burrice! A maior parte das vezes não entendo as coisas que a minha avó diz. Quanto mais a ouço, mais enigmado fico, enrolando compreensão em resposta nublada. Mas, ela, ríspida acrescenta, se não começa para aí a chover... Vai tudo por mágoa abaixo ! Ai vai, vai!"
Uma escrita de uma grande beleza, tudo menos óbvia.
As ilustrações são de José Francisco, e estão num registo que tem algo de gótico, é muito bonita. Por 10 euros um belo objecto, comprei com dedicatória para a neta. A Feira decorre até sábado vale uma visita, vá lá !!!
"Está mal-encarado, as arrelias consomem-lhe a figura. Os dias não se lhe fazem úteis. Pergunto á minha mãe o que se passa e ela responde renitente. O pai está assim porque o céu amuou com a terra. Nem água vem nem mágoa vai ! E se lhe pergunto porquê, a minha avó dá logo um ar da sua desgraça. Porque os homens secam imteligência e florescem burrice! A maior parte das vezes não entendo as coisas que a minha avó diz. Quanto mais a ouço, mais enigmado fico, enrolando compreensão em resposta nublada. Mas, ela, ríspida acrescenta, se não começa para aí a chover... Vai tudo por mágoa abaixo ! Ai vai, vai!"
Uma escrita de uma grande beleza, tudo menos óbvia.
As ilustrações são de José Francisco, e estão num registo que tem algo de gótico, é muito bonita. Por 10 euros um belo objecto, comprei com dedicatória para a neta. A Feira decorre até sábado vale uma visita, vá lá !!!
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Ondjaki
Acabei de ler "Os transparentes" de Ondjaki. Não tinha lido nada do autor angolano que ganhou o Prémio Saramago em 2013, e digo que foi um dos livros mais interessantes que li nos ultimos tempos. Poderia desanimar com as mais de 400 páginas, mas não, é de uma leveza de leitura, uma escrita temperada, um humor corrosivo, mas ao mesmo tempo ingénuo, ao tratar da vida de um grupo de personagens que têm entre si o facto de todos viverem no mesmo prédio, na mesma aventura de sobreviver todos os dias, de encontrar um esquema, uma forma de contornar os que apenas funcionam a troca de um "matabicho", cada um á sua dimensão claro, um político corrompe-se pela cedência de uma concessão de água canalizada, um chefe da polícia por um "bife com batatas fritas , mas com ovo mal passado". Como em todos os grandes escritores angolanos o tema é a sua grande pátria e seus habitantes, todos os dias espoliados por uma clique, num país onde tudo abunda, mas é para muito poucos. De ler.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Angola
Agora que se fala tanto de Angola, angolanos, petróleo, cleptodemocracia, e outras coisas de um sistema que parece dar-se mal com o seu povo, e preferir o trafego, os casinos, a apropriação dos meios de produção por alguns, faço aqui uma sugestão de leitura, que estou a seguir eu próprio, e que vale ler, é grande mas de leitura fácil e até divertida, mas dando uma verdadeira imagem de Luanda e Angola, que eu nunca conheci. "Os transparentes" de Ondjaki, um excelente livro que ganhou este ano o Prémio Saramago, sucedendo a outros vencedores tão fortes como JL Peixoto, Gonçalo Tavares ou João Tordo. Li cerca de um terço do livro, e para quem leu Pepetela, pode comparar pois é o mesmo estilo mas onde algum humor alisa o áspero dramatismo da vida daquelas personagens que vivem todas no mesmo prédio na Luanda do suburbio. Quando acabar digo um pouco mais.
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