domingo, 12 de janeiro de 2014

Flores

Hoje de manhã no jardim do Miradouro onde faço um passeio matinal para que as pernas não ganhem moleza, as flores rasteiras, simples e resistentes num Inverno cinzento, domingo que nasceu tristonho mas que tem a vantagem de ser domingo. Para mim, reformado militante o domingo seria um dia igual aos outros, mas não, respeito o domingo e dedico-lhe outra ocupação, outra roupa e até outra comida (hoje recaiu no frango de caril a minha escolha). Entretanto deixo aqui as flores que ofereço aos meus hipotéticos leitores, que saúdo, pois têm-me acarinhado com a sua presença.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Congresso

Este fim de semana Congresso do CDS. Um fogo fátuo. Nada há a decidir, nada a discutir apenas um ensaio de auto elogio, os jornalistas todos excitados bem procuram encontrar rasquicios de alguma oposição interna, que alimente as suas intrigas e ajude nas audiências. De resto nada a assinalar, e o fim de semana politico vai ser um enorme bocejo.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Ser pensionista

Dizem que pensionista e reformado não é o mesmo. Parece que não, o reformado adquiriu direitos para si, o pensionista adquiriu de terceiros, mas para PPC é tudo a mesma gente. Mas o que é ser pensionista? É ser alguém que vive à custa do estado, embora tenha contribuido com o seu dinheiro para isso. É alguém que não tem direitos pois os seu "contrato" não está formalizado, não podendo defender-se ou invocar incumprimento, como fazem os detentores de concessões em regime de PPP. É ser alguém que é tido por um peso morto, daí o estado quando corta pensões diz que "esta a reduzir a despesa", ser pensionista é ser "uma despesa", um "desperdício" na contabilidade ultra-liberal. É ser alguém que é tido por detentor de um privilégio, pois nunca descontou o suficiente, e é desconsiderado todos os dias por ministros energúmenos, nomeadamente o primeiro deles, isto porque este senhor conhece alguns colegas de partido (e de outros partidos ou sem partido)  que usufruem de pensões adquiridas com meia dúzia de anos de trabalho, e espera que no futuro possa ele próprio usufruir dessa bemesse, mas não o pode confessar publicamente. É ser alguém que quando come, pensa, "estou a comer os impostos dos portugueses". É ser alguém que pertence a um grupo social que os governantes veriam com agrado ser extinto. É alguém que já foi, mas já não é. É ser alguém que conta apenas como mais um ratio na percentagem do PIB, e como tal é visto, e sobre quem são estabelecidos objectivos de redução, mas é para quem tudo se volta quando é preciso tapar buracos, nos orçamentos dos netos, dos filhos, ou do governo. É verdade será isto tudo mas afinal todos serão pensionistas um dia. Por isso o que aconteceu hoje, em que os pensionistas que recebem pensão no banco SantanderTotta, não a receberam, é um péssimo prenúncio, pois diz-nos que ser pensionista pode ser também alguém a quem se paga quando houver possibilidade, e a qualquer reclamação sua se responde "tenha paciência".

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Solidão

Não que se queixe mas o sentimento que associamos a esta imagem é mesmo a solidão, embora haja quem diga, com alguma razão "la solitude, ça n'exist pas". Pois só estamos "sós"  se assim queremos. Ontem no meu percurso deparei com este sobreiro, forma elegante e no meio da paisagem acompanhado do tapete verde e do céu profundo e cinzento, a imagem de uma natureza que renasce num ciclo que vem dos tempos sem tempo. Gosto do inverno.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Tapete

Primeiras flores, as brancas. Parece uma tapete gelado mas são flores, as primeiras do inverno e muitas se seguirão até ao apogeu da primavera. Hoje na Aldeia dos Fernandes, aqui pertinho, mas já no concelho de Almodovar, onde uma estrada plana, recta e esburacada nos conduz com muitos sobressaltos.

Aurora


 
Ser pobre não é defeito
Ser rico não é fineza
Tudo é trabalho feito
Pela lei da natureza

Ao romper da bela aurora
Sai o pastor da cabana
Vem gritando em altas vozes
Muito padece quem ama
 
Hoje pelas 7h30 vi bem o que significa esta bela aurora. É a riqueza do dia que nasce onde "ser rico não é fineza tudo é trabalho feito pela lei da natureza". Tirei a foto na certeza de que o dia não estaria à altura  do que aquela aurora anunciava. Mas os dias são o que queremos fazer deles, são apenas a matéria prima que amassamos na mão como um oleiro. Bela aurora na planície, hoje.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Inverno

Os campos adquirem agora uma estranha tonalidade acinzentada, onde algum verde também desponta devido à humidade. Há uma indefinição no horizonte e o frio da manhã parece ter côr. Entretanto mais uma cegonha, acabada de chegar, enquanto o seu par procura alimento ou mobilia para a casa, vai fazendo as limpezas e procurando espaço, onde em breve porá ovos e nascerão os filhotes. A calma é total, mas só aparente. Para além do silêncio muita vida aproveita o inverno para despontar. A foto é desta manhã-

Caríssimas


"Carissimas canções" é o mais recente registo de Sérgio Godinho autor por quem nutro uma enorme admiração. Mas não sou fã incondicional. Por exemplo não gosto deste disco, onde me parece um peixe fora da água, e a única de que gosto é a única do próprio. "Ultima sessão". De resto o disco é composto por versões de canções que sendo de outros autores Sérgio Godinho considera serem as "da vida dele", e eram 40 na versão em livro. Depois no CD, que é gravado ao vivo juntou apenas 13 a uma da sua autoria e ficam 14. Mas penso que as interpretações ficam muito aquém dos originais, e ele não lhe acrescenta nada, na minha opinião, e o resultado é algo artificial que não aprecio. Assim passaria bem sem este registo, eu que muito gostei do seu anterior "Mutuo consentimento", e que não acho nada que esteja a perder as suas qualidades de autor de canções. Para o provar deixo aqui mesmo a canção "Ultima sessão", que julgo estar neste disco mas ser já antiga. A confirmar.
Após confirmação é uma canção de 2000 do album "Lupa", mas é muito boa como se pode ouvir, e ter atenção à letra. Para quê, rapazes de camisola verde, vendavais ou pessoas estranhas ?

domingo, 5 de janeiro de 2014

Mine (take 2)

Um banco de jardim pode ainda acolher a bebida oficial, no conforto do suma-a-pau. Desde que o "vasilhame" se parapeite...

Mine

É a bebida oficial da Républica Popular do Alentejo, e está por todo o lado, até no Café Central, não interessa em que vila pois em todas há um, e este vende "mines", tomadas na mesa, ao balcão, ou na rua. Todas as horas são boas, todos os locais são adequados, todas as companhias são consideradas, até um banco de jardim ou uma janela, desde que tenha um parapeito para deixar o "vasilhame". A noite aconselha que se deixe para no dia seguinte serem recolhidas pois não são "tara perdida", ou se forem o "vidrão" não está no vocabulário. A "mine" não é apenas a bebida dos idosos de boné na cabeça, mas dos jovens e das mulheres que não se ensaiam nada para beber duas ou três pela garrafa. Não vem mal ao mundo, e este post não é critico apenas documental. Vai uma "mine" ?