sábado, 12 de abril de 2014
Nervosa
A presidente da Assembleia tem aparecido em comentários televisivos entre duas portas e um corredor sempre apressada e nervosa o que não é bom conselheiro. A forma como está a gerir as comemorações dos 40 anos do 25 Abril na AR é negligente. Afinal porque razão os militares que trouxeram a democracia ao país não podem falar na sessão comemorativa do 25 de Abril ? Ainda não foi dada uma explicação convincente. Terão medo daquilo que vão dizer, mas nem todos os que vão falar terão a mesma opinião. Isto envergonha-me, e roça a má consciência. Cortar a palavra a quem nos deu o direito à palavra é no minimo uma falta de vergonha.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
VMER
Estas quatro letras iniciais de Viatura Médica de Emergência e Reanimação podem fazer a diferença entre a vida e a morte, e eu sei do que falo pois fui 3 vezes socorrido por estes profissionais e fez a diferença, dado que ainda hoje aqui estou a escrever este post coisa que talvez não ocorresse se nesses dias a VMER estivesse inoperacional. Só se fala quando há um acidente de automóvel e não se é socorrido como aconteceu agora em Èvora mas, por exemplo, naquela noite de Fevereiro de 2009 estava em casa na cama e a arritmia atacou e a morte súbita ficou por minutos. E são muitas as intervenções que estas viaturas e os profissionais que as utilizam fazem todos os dias . Assim o ter esta viatura inoperacional é uma grande perda de eficácia na emergência médica, muito para além do que não assistir a um acidente com impacto mediático. É no dia a dia que se deve notar a falta, pois a reanimação é sempre um problema de tempo e de competência. Ter a tempo meios eficazes, quando deles se necessita é fundamental e nada onde se possa poupar, dispensar ou menorizar. Falo por mim !!!
terça-feira, 8 de abril de 2014
O meu 25 de Abril (38)
Tiveram uma efectiva influência no inicio dos anos 70, e ficaram conhecidos por ala liberal. Foram eleitos em 1969 e mantiveram-se até 1973, mas nas "eleições" desse ano os que ainda restavam, pois foram-se demitindo de deputados, foram expurgados da lista da ANP. Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Miller Gurra, Mota Amaral, Magalhães Mota entre outros, foram convidados a integrar as listas da ANP, novo nome dado por Marcello à antiga União Nacional, como independentes num total de 30 deputados em 1969. E durante cerca de 3 anos, com as suas intervenções, e com o impacto que tiveram, nomeadamente no jornal Républica, mostraram o quanto a "evolução na continuidade" era uma mistificação. Em 1970, no debate da revisão constitucional, proposeram o que na prática seria a entrada num regime democrático, só que o regime não estava para aí virado, e todas as propostas da ala liberal foram chumbadas e ridicularizadas pela "carneirada". Ficaram célebres as polémicas entre Sá Carneiro e o deputado ultra nacionalista Francisco Cazal Ribeiro. Eu acompanhava muito estes debates que eram publicados com grande destaque, e sendo debates parlamentares a censura tinha algum pejo em cortar o seu conteúdo, pelo que o impacto publico era excecional, numa classe média que lia jornal e que não se identificava nem com o regime, nem com a oposição de influência comunista e terá sido esse um grande contributo para um 25 de Abril em que não se disparou um tiro e em que a unanimidade era total. A ala liberal ajudou muito a desacreditar Marcello Caetano, que no inicio ainda tinha a imagem de liberalizador, e para esse fim muito ajudaram com as suas intervenções. A maioria deles depois dos 25 de Abril criaram o que hoje é o PSD, outros aderiram as PS mas o seu contributo estava dado.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Passado
Cada vez gosto mais do cinema iraniano, e Ashgar Farahdi um dos seus interpretes. Claro que agora já está numa lógica internacional e os seus filmes reflectem essa realidade sendo menos iranianos. Falo de "O passado" que vi este fim de semana, mais um grande filme do iraniano, e que foi nomeado nos Globos de Ouro deste ano. Um filme intenso, com um argumento que evoca os laços com que se tecem as novas famílias, os filhos que não se reconhecem nos pais, as relações cruzadas em que as pedras não encaixam, a dúvida, o amor que faz sofrer, e finalmente a morte. Saiu em DVD e vale a pena. Apenas aviso que é um filme pouco feliz.
domingo, 6 de abril de 2014
Queridas feras
Pois a partir de uma foto disponivel no Face achei por bem fazer esta composição sem pretensões que mostra o lado rebelde destas meninas que por acaso são netas, embora por afinidade. O método utilizado é mais uma vez o transfer que permite fazer alguns "milagres". Caso agrade é para oferecer às figurantes, as tais queridas feras. Só ousei colocar em rede porque a foto já lá estava, nem acrescentei qualquer valor. Que medo !!!
O meu 25 de Abril (37)
É por estas e por outras que a partir do 25 de Abril votei sempre em todos os actos eleitorais não falhando um unico. Não votei sempre do mesmo modo, mas votei. Não gostei de muito do que ouvi mas acompanhei todas as campanhas eleitorais, e apesar de todas as diatribes, aldrabices, aproveitamentos, disparates, incompetências, irresponsabilidade, conversa fiada, continuo a respeitar a política e os políticos, onde há gente boa e gente má como em todas as actividades da vida. Eu que acompanhei as eleições de 28 de Outubro de 1973, e sei bem o que eram as eleições desse tempo, e o que terá custado dar ao povão a liberdade de voto tenho dificuldade em deitar tudo borda fora. Foram as primeiras eleições totalmente realizadas pelo regime de Marcello Caetano e onde se poderia "testar" a sua política que chamava de "evolução na continuidade", que era afinal o salazarismo com uma pitada de conversa fiada. Desde o acesso aos cadernos eleitorais limitado, e sabe-se a importância que tinham pois os boletins eram enviados aos eleitores, a exclusão de candidatos, o periodo limitado de campanha, durante o qual havia uma abertura limitada a outras opiniões, mas essas quase não tinham expressão pública, pelas imposições da censura, as perseguições, as detenções por delito de opinião, as sessões vigiadas, canceladas, e o risco que corria quem se expressasse de forma livre. Participei nalgumas, estive algumas vezes na sede local da CDE na Cova da Piedade, trouxe e distribuí alguns comunicados, mas tudo era semi clandestino, apesar de se estar em "período eleitoral". Que diferente do que tinha observado um mês antes na Suécia, onde tinha estado a fazer o Inter Rail. No final as dificuldades eram tantas e os obstáculos postos de tal ordem que os responsáveis acharam, e bem, que não poderiam validar tais procedimentos participando nas eleições e como tal colaborar numa aparente normalidade com os desacatos de uma sistema repressivo, ditatorial e totalmente incapaz de fazer coisa tão simples e tão vulgar na Europa dessa época, eleições livres. Assim os candidatos da CDE, uma Comissão Democrática Eleitoral, que tinha por detrás o acordo do PCP com o PS, e que não podiam surgir pois os partidos estavam ilegalizados no país, acharam por bem desistir e deixar o regime a falar sozinho, o que foi celebrado pelos candidatos da ANP, de onde já tinham sido expurgados os deputados da ala liberal, como reconhecimento de derrota. Elegeram assim os 150 deputados da Assembleia Nacional e tiveram 1393294 votos em mais de 8 milhões de portugueses a maioria deles de pobres funcionários públicos que tinham mesmo de votar senão seriam apontados a dedo, de legionários e outras "forças vivas" . Coitados, poucos meses mais tarde veriam a dimensão da sua "vitória" !!!
sábado, 5 de abril de 2014
Blue Jasmine
Um Woody Allen ao nível dos seus melhores dias, apesar de muitos o acusarem de senilidade, violação e outras coisas feias, mas que a mim não me interessam nem retiram a genialidade do mestre, do alto dos seus 78 anos marcou-me desde o dia já longe, em 1973 em que vi "Inimigo Público" no cinema Berna, quem se lembra... A vida de Jasmine, é uma radiografia dos nossos dias de mentira, faz de conta, ilusão, mas tudo tem uma ironia, naquela dose em que Woody Allen é admirável. Servida pela interpretação de Kate Blanchett que ganhou o Óscar deste ano para melhor actriz principal um desempenho tão credível que nos faz ver o filme mais de uma vez, pois vale a pena ver a forma como vive a sua ilusão, a forma como mente, a forma como chora, mantendo uma dignidade que nunca existiu. Nos tempos da crise Jasmine é a esposa dourada de uma "investidor" milionário que acaba na cadeia e no suicídio. Jasmine é arrastada nesse vórtice mas insiste em manter uma vida de ilusão que a vai levar ao beco sem saída. Muito bom !
O meu 25 de Abril (36)
Estive cerca de uma semana em Lund. A minha intenção era exploratória, para ver as condições de vir fazer o salto, como o meu amigo. Na realidade fui tendo adiamentos militares até ao 25 de Abril e a guerra acabou por me passar ao lado. Por lá as coisas funcionavam com tranquilidade. A Suécia tinha uma activa política de apoio aos que se opunham ao colonialismo, graças à politica dos social democratas com Olaf Palme à cabeça. Assim após uma apresentação às autoridades explicando que se era perseguido no país de origem era possível obter estadia, apoio monetário e alojamento, bem como aprendizagem da língua. Não conheço os detalhes, mas aparentemente o meu amigo estava bem integrado e corria tudo bem. Claro a Suécia era outro mundo, a calma era muita, a liberdade grande, em todos os domínios, a limpeza era impecável nas ruas, o tempo era sempre muito cinzento, na altura anoitecia pelas 4 da tarde, e pelas 5 da manhã já era de dia, não havia a "bica", bebiam uns baldes de "café" de saco, mole e sem grande sabor, reconheço que nesse aspecto nada se comparava com o nosso Portugal, ao fim de semana o pessoal enfrascava-se, pois a venda do alcool era controlado e reduzida a lojas do Estado.
Estava na altura de pensar em regressar, e assim fiz. Faltava ainda mais de 15 dias para a data a que tinha de chegar, não só porque o Inter Rail caducava nos 21 anos, mas a autorização de saída também iria caducar pouco tempo depois. Planeei a viagem de regresso, coisa que o viajante deve fazer, e organizei-me para estar uns dias em Copenhaga, depois Munique, Genebra e de novo Paris, onde cheguei no inicio de Outubro de 1973. Tinha gostado tanto da cidade que pensava lá estar mais alguns dias, agora já a pensar no regresso ao rectângulo. Munique também me tinha agradado, até pela coincidência de ter passado durante a Festa da Cerveja, tradicional na Baviera, onde grandes alemães comiam salsichas gigantes, e canecas de cerveja que nunca tinha visto antes. Uma alegria indescritível. Da Gare de Austerlitz a Santa Apolónia, onde cheguei a 5 de Outubro de 1973, num comboio meio vazio, e tristonho, ao contrário da saída num comboio a atafulhar de emigrantes, crianças, panelas de sopa, cabazes com enchidos, e vinho a rodos, na alegria da saída. O regresso era sempre triste, sabíamos que voltávamos para os "oito séculos de história" regados com o vinho dos pobres e o sangue dos soldados. Uma desolação !!! Que falta fazia o 25 de Abril, nem sabíamos quanto !
Estava na altura de pensar em regressar, e assim fiz. Faltava ainda mais de 15 dias para a data a que tinha de chegar, não só porque o Inter Rail caducava nos 21 anos, mas a autorização de saída também iria caducar pouco tempo depois. Planeei a viagem de regresso, coisa que o viajante deve fazer, e organizei-me para estar uns dias em Copenhaga, depois Munique, Genebra e de novo Paris, onde cheguei no inicio de Outubro de 1973. Tinha gostado tanto da cidade que pensava lá estar mais alguns dias, agora já a pensar no regresso ao rectângulo. Munique também me tinha agradado, até pela coincidência de ter passado durante a Festa da Cerveja, tradicional na Baviera, onde grandes alemães comiam salsichas gigantes, e canecas de cerveja que nunca tinha visto antes. Uma alegria indescritível. Da Gare de Austerlitz a Santa Apolónia, onde cheguei a 5 de Outubro de 1973, num comboio meio vazio, e tristonho, ao contrário da saída num comboio a atafulhar de emigrantes, crianças, panelas de sopa, cabazes com enchidos, e vinho a rodos, na alegria da saída. O regresso era sempre triste, sabíamos que voltávamos para os "oito séculos de história" regados com o vinho dos pobres e o sangue dos soldados. Uma desolação !!! Que falta fazia o 25 de Abril, nem sabíamos quanto !
sexta-feira, 4 de abril de 2014
O meu 25 de Abril (35)
Setembro de 1973 embarcava em Santa Apolónia para o meu primeiro e único Inter Rail. Já aqui publiquei diversos posts relativos a essa viajem inesquecível, mas no contexto do meu 25 de Abril, não poderia deixar de a referir aqui. Estava a um mês de completar os 21 anos, na altura idade limite para se usufruir deste bilhete, que permitia viajar em toda a Europa, ou pelo menos na Europa Ocidental, pois nestes tempos, havia uma coisa que se chamava Europa de Leste, que era inacessível a estas benesses, com os seus regimes comunistas, em que o "povo" governava (está-se mesmo a ver...) A viagem foi a minha primeira saída fora deste rectangulo cinzentissimo. Assim de comboio até Vilar Formoso, onde a PIDE passava a pente fino o pessoal, sobretudo os que estavam na "idade militar". Daí a Irun/Hendaye e mais tarde Paris, onde cheguei dia 12 de Setembro, o dia seguinte ao Golpe Pinochet no Chile. Aí fiquei admirado com as repercussões públicas deste evento, coisa impensável em Portugal. Dormi três noites, num "auberge de jeunesse", e visitei algumas coisas que tinha imaginado. O Louvre, o Jardim Luxembourg, a Notre Dame e sobretudo o Quartier Latin, onde o Maio tinha ocorrido há 5 anos, a animação era muita, manifs permanentes na Place S. Michel, e a livraria Joie de Lire, onde comprei algumas obras que jamais chegariam a Portugal, pensava eu. Paris era e facto, coisa que ainda hoje se mantem, uma cidade espetacular, de dia e à noite. Gente por todo o lado, um ar que se respirava em pleno, e uma sensação de liberdade que contrastava com as cidades portuguesas, acabrunhadas, cinzentas e cadavéricas. Este meu primeiro contacto mostrava que a liberdade era possível, e não era o "fim do mundo", o "deboche", de que os politicos fascistas referiam em Portugal. E lá andavam os portugueses nas ruas, a trabalhar nas obras, nas limpezas, nos táxis, a fazer pela vida que lhes era negada em Portugal. Mas o meu destino era Lund, na Suécia, onde o meu amigo e vizinho, tinha combinado receber-me e já era candidato a refractário, onde estava desde 1972, pelo que não poderia regressar a Portugal. Assim depois deste primeiro banho de cosmopolitismo, meti-me de novo no comboio na Gare du Nord, rumo a Copenhaga, onde cheguei depois de uma viagem nocturna de 16 horas, pela França e Alemanha. De Copenhaga iria rumar de barco a Malmoe e Lund distaria uns 30 quilómetros, coisa rápida, e acabaria por encontrar o meu amigo numa residência universitária, rodeado de verde, de bicicletas, já a estudar na Universidade local. Tudo ali me espantava, estavamos em campanha eleitoral na Suécia ( coisa que iria ocorrer em Portugal em Outubro de 1973) e ali pude ver o que era uma campanha em liberdade, coisa de que só ouvira falar. Que pacóvio !!!
quinta-feira, 3 de abril de 2014
O meu 25 de Abril (34)
A situação da escola, acabaria por ter as suas consequências sobre as pessoas. Uns acabaram por ser incorporados no serviço militar, outros inscreveram-se em outras escolas, pois nada os impedia, em Coimbra, no Porto, ou mudaram de curso, houve mesmo alguns que foram inscrever-se em Lourenço Marques, hoje Maputo, onde abrira a Universidade. Outros desistiram, um ou outro terá sido preso. Comigo também tinha de haver impacto. Embora não sendo "primeira linha", como dizia o Sales Luís, apoiava e participava. As novidades vieram pelo correio, agora o meio privilegiado para o Sales "falar" com os alunos do Técnico. Dia 3 de Janeiro de 1974, o ano acabava de começar e recebo em casa uma dessas cartinhas, em que me era aplicada uma suspensão por um período de três meses. Não era invocado qualquer motivo, qualquer processo disciplinar, qualquer procedimento que tivesse levado a essa decisão. Era uma decisão da direcção da escola, ponto final. Embora tendo comigo o cartão mágico que permitia a entrada na escola, se o tentasse ele seria apreendido, assim não tentei sequer entrar. Acabámos por nos juntar várias vezes em Medicina, e acabei por saber que comigo totalizavam cerca de 60 suspensões, as tais segundas linhas, que se juntavam aos cerca de 20 que já tinham sido expulsos no ano anterior. A suspensão era igual para todos, e aplicava-se "apenas" às aulas, poderia fazer exames nas datas respectivas, mas não poderia assistir às aulas nem entrar no Instituto. Escusado será dizer o impacto que tal situação teve nos meus pais, por exemplo. Mas enfim pensei que fosse pior, pois nesta altura já ninguém esperava que um aluno universitário tivesse vida fácil, apesar de uma "vox populi" que o regime alimentava de que os estudantes eram uns priveligiados, e que em vez de estudarem, como lhes competia, faziam agitação política a soldo dos tais interesses inconfessáveis. E assim foi, não podia ir às aulas, mas ía a reuniões, pelo que o pessoal manteve contacto, ía trabalhar, e já agora aproveitei para retirar de casa uns sacos com livros e comunicados menos "recomendáveis" que um colega meu dos CTT guardou, um que nada tinha a ver com a universidade, não fosse o diabo tecê-las. Ainda fiz um ou dois exames, de cadeiras que tinha em atraso, o que implicava apresentar-me à porta, apresentar o cartão, dizer que vinha para o exame tal, o que era confirmado, e era dada autorização de entrada, mas depois de acabar o exame tinha um período curto para sair, senão o cartão podia ser apreendido. E foi assim que os dias foram decorrendo até 3 de Abril, data a partir da qual podia voltar ao convivio dos colegas. Nessa altura já só faltavam 22 dias para o 25 de Abril e o Sales estava por dias.
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