domingo, 24 de agosto de 2014

Homens do largo

Uma das mais alentejanas das canções de Vitorino, cantada pelo próprio, mas também por Janita, para mim claro !!! Não que tenha muito mais a ver com o cante, mas tem muito a ver com aquilo que encontramos em todas as aldeias do Alentejo, os homens num largo, pleno da luz, mas carregado de melancolia, gosto particularmente do verso "ainda mal se vê já ali vem", a claridade da luz não deixa ver com nitidez, e alguma magreza desfoca a nossa vista.

Não interessam frios,
já é hora das trindades
tosse ao desafio com os cães
colado à brancura da parede dos quintais
ainda mal se vê já aí vem
Uma bucha dura navalhinha de cortar
venha mais um copo pr´aquecer
Tem a alma fria de tanto tempo passar
lá vem mais um dia pr´a esquecer

Sentado num-banco espera sempre o vento norte
o sol posto dita a sua sorte
já não espera mágoas nem dá danos a ninguém
dorme e já não volta amanhã


Uma bela canção de domingo, pode ouvir-se no album "Raiano" de Janita, de 1994.

Borboleta

Uma borboleta pintada em pedra, as tais pedras vindas directamente da Zambujeira para a minha mão, ficou aqui mais um exemplo do que a vista ainda me permite, cada vez mais mais complicado de compatibilizar com as pinturas. É mais um exemplo do que meninos e meninas podem fazer agora na próxima terça feira, pois vamos pintar em pedra.

Joaninha

Sei que não está um primor de execução nem é muito original, mas serve de exemplo para meninos e menionas, e ao mesmo tempo dedico às "joaninhas", pois são várias as que conheço e que por vezes aparecem por aqui, correndo como as originais. Mais uma pedra.

sábado, 23 de agosto de 2014

S.Romão

Talvez a mais pequena aldeia aqui do concelho. Mesmo junto ao IC1, escondidinha entre as árvores numa baixa, onde apenas um pequeno sinal de transito indica a presença do local. Hoje o transito era intenso, tudo para o Algarve em busca das praias, e eu, que centenas de vezes passei e prometi um dia fazer um pequeno desvio hoje foi o dia. Uma aldeia branquíssima, talvez uma dezena de habitantes, tudo bonito e conservado. Ali nem se suspeita da confusão que se passa na estrada, com os bólides em excesso de velocidade, tudo doido com a perspectiva de um mergulho na mar. Ali a vida parece pacata, e parece a milhas do buliço da estrada. Tirei uma foto da igreja, mas não pude evitar a tenda da quermesse, duma festarola das muitas que ocorrem no Verão em todas as aldeias do concelho de Ourique.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

12 anos escravo

Vi agora, só agora, este filme multipremiado, e bem que valeu a pena. Realizado por Steve Mcqueen, e contando com a excelente interpretação de Chiwetel Ejiofor, o filme passa-se em 1841 e nos 12 anos seguintes em que Solomon, um negro educado, musico, é raptado na zona Norte dos EUA, onde era um homem livre, e é levado como escravo para o Sul dos EUA, onde ainda vigorava a escravatura. Pelos vistos este procedimento era vulgar, e acontecia a cidadãos livres negros, que por ganância de alguns eram entregues como escravos. Apesar do tema não ser original, o episódio em si é interessante pela visão que imaginamos possa ser a de um homem livre escravizado e o nível de violência e abuso a que se submetia. A violência deste filme é imensa e nem sempre explicita ou passada em imagens chocantes. Algumas das imagens sem recurso a cenas chocantes transmitem o clima de violência, não pela sua exposição, mas pela indiferença que demonstram. Numa altura em que os EUA estão de novo com cenas de racismo, com os recentes acontecimentos no Missouri, este filme é actual. Mas, não pode a escravatura servir de pretexto para acontecimentos actuais. Um filme que nos deixa bastante descrentes na raça humana e onde pode chegar um ser humano e como tem capacidade para criar uma "narrativa" que justifique os seus actos. Neste caso basta ler a Bíblia e onde se lê "Senhor", entender-se "Senhor de Escravos", e passa a ser cristão escravizar.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A manhã, a toalha e as andorinhas em concentração

Mais um directo da partida das andorinhas. A história começa comigo a estender a toalha de banho, eram sete da manhã, e vi esta concentração da passarada. Como o fotógrafo estava lá decidi tirar o instantâneo. Não demoraram muito a partir, Foi mesmo a tempo,

Maria Antónia

Hoje no "atelier" concluiu-se mais um trabalho, e gosto particularmente do ar satisfeito da Dona Maria Antónia quando mostra o seu trabalho em acrílico, Seguiu as indicações mas a criatividade foi dela, a escolha das cores e o resultado acho que o colocaria na minha cozinha de boa vontade. Só posso dar parabéns a todos pois os outros trabalhos também estão bonitos, no entanto para mim saliento este. As pessoas, de qualquer idade, têm sempre talentos escondidos que se revelam quando se abre a porta da criatividade, a qual está muitas vezes fechada a sete chaves,

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Pinceladas

Fazem bem à cabeça, e apuram o gosto, pinceladas dadas a preceito e em função do nosso gosto. Hoje tivemos novas presenças, mais jovens, pois estas pinceladas são para todas as idades. Eu no meio delas pareço mais novo e menos empoeirado. A ocupação mesmo sob algum sofrimento é uma grande terapia.

Pedra

Agora deu-me para isto...  Umas pedras foram trazidas pela minha estimada médica de família para os meninos e meninas trabalharem, mas decidi fazer uma experiência e pela primeira vez na vida dediquei-me a esta terapia.. Assim as pedras vieram directamente da Zambujeira do Mar, e decidi-me por um peixe, assim  uma brincadeira de crianças. Gostei do resultado e afinal pintar pedras é facílimo, com caneta permanente, tinta acrílica e verniz, bem como alguma inspiração. Artesanato puro e simples. Vamos agora ao trabalho.

Veloso

Tordo partiu para o Brasil, Veloso parte para o silêncio. É o destino dos verdadeiros artistas, quando os espectaculos escasseiam pois os Municipios têm pouco dinheiro para a cultura, e muitas vezes investem  em projectos popularuchos ou em projectos de pacóvio provincianismo vanguardista, ao nivel dos seus promotores, muitas vezes patos bravos deslumbrados pelo poder efémero. Quero no entanto aqui referir um grande concorrente para os nossos Tordos e Velosos, e que está a tomar conta das decisões "culturais" das autarquias. trata-se de contratar de chave na mão, para animar as festas e festarolas que pululam por aí, "espectaculos " promovidos pela TVI, SIC ou RTP, que percorrem o país, fazendo as festas com um naipe de artistas populares de terceira escolha, e respectivos animadores de serviço, Eirós, Baiões, acompanhados de caras bonitas, saltitonas, numa lotaria ambulante da pior qualidade, mas que tem uma vantagem para os Municipios, a transmissão em directo das tarde de sábado e domingo, com a tal "publicidade" feita ao local "de borla", isto é paga-se o montar da tenda. Os artistas com A claro que aqui não têm lugar, a menos que se sujeitem a cachets dignos de pin ups de perna ao léu. É o serviço público, estúpido !!!  os artistas que se calem, e avancem os trauliteiros e as tombolas gigantes. Tristeza.