segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Filomena

Grande filme de Stephan Frears, com Judi Dench, candidato a vários Oscares em 2014. O argumento é poderoso e vai buscar práticas criminosas feitas em nome da Deus. Agora atacamos, com razão o Estado Islâmico, mas grandes crueldades foram feitas em nome de Jesus Cristo, nomeadamente nos conventos na Irlanda, onde raparigas eram submetidas a grandes desumanidades. Como "as boas raparigas vão para o céu, as más para todo o lado" esta má rapariga decidiu já no final da vida procurar o filho que lhe foi retirado e dado para adopção, ou vendido, por uma moral castradora e cruel. Não que seja novidade mas devemos ver.

Pessoas

Não gostando da auto promoção não resisto a publicar aqui a foto duma pessoa importante na minha vida, chamada "eu próprio". Como diria alguém " o maior projecto da minha vida sou eu próprio", mas publico porque este foto foi agora desenterrada das catacumbas onde se encontrava, e mostra a minha imagem quando tinha 22 anos, foi tirada em Setembro de 1973, ou seja tem um pouco mais de 40 anos, no decurso do meu Inter Rail, e encontrava-me em Lund na Suécia onde passei para visitar o meu amigo que na altura me acolheu por uns dias. Ía também ver o ambiente para um possível "salto", caso viesse a ser necessário, mas não foi, pois sem eu saber estavamos a sete meses do 25 de Abril e do fim da ditadura. Fica aqui a imagem tão sebento como verdadeiramente me encontrava, com uma gabardina surrada. Tomava um balde de café choco, como era o que havia naquelas terras nórdicas, e sem saudades de Portugal, excepto da bica. Mesmo no regime fascista a bica sempre foi incomparável... com a zurrapa que se vendia nas democracias nórdicas.

Galinhas

Hoje segunda feira de atelier de pintura para as senhoras da Aldeia de Palheiros. Estamos a acabar a primeira tela, sendo que para a maioria é a primeira que fazem na sua já longa vida, O trabalho é todo delas, apenas ajudei no desenho e algumas pinceladas dadas. De resto faz-se a vontade das alunas. Querem galinhas, fazem galinhas ! Neste caso até levaram a familia...  Bom para por na cozinha. Esta tela é da senhora Leonarda e ficou alegre não acham ?

domingo, 19 de outubro de 2014

Ceifa

Já não existe, já não se faz desta forma, as mãos já não empunham foices, e mesmo os martelos só para pregar pregos nas paredes... Outros tempos ! Assim limito-me a reproduzir um imaginário distante em que as ceifas não eram feitas por potentes máquinas agricolas, e ainda bem que agora é assim. Fica a imagem.

sábado, 18 de outubro de 2014

Sábado

Era sábado e estava sol, tal como hoje. Dis 18 de Outubro, mas de 1975, um ano agitado, em que tudo acontecia e as esperanças estavam no auge. Acabado de fazer 23 anos, o curso ainda a meio, tinha previlegiado o trabalho, mais que o trabalho, o estar no trabalho, condição importante para estar activo naquele ano de brasa em que tudo era política, em que o amanhã não se adivinhava e o mês seguinte, podia ser tudo, pois tudo estava em aberto. As coisas compunham-se com muito pouco, e o pouco era suficiente, pois a ambição pessoal era nada, tudo se centrava no colectivo, ou disso estavamos convencidos. Por isso casar, sendo importante, era apenas mais um passo numa aproximação intima, amável mas muito ingénua, pois eramos levados por uma grande ingenuidade, uma grande vontade de viver em conjunto, mas não de uma forma isolada e voltada para o interior. A vida naqueles anos era uma exaltação, um pretexto de intervenção, e sê-lo-ía por mais algum tempo. Por isso tudo foi muito simples, mas bonito, claro que sim. Foi assim um sábado irrepetível, e cumpriu-se aquilo que ali ficou acertado, apesar das palavras naquele tempo já valerem pouco, "até que a morte os separe".

Diabo na cruz

Não é nenhuma novidade mas o grupo "Diabo na Cruz" é muito original, pois mistura o rock com a inspiração do folclore mais tradicional, ou se quisermos, mais "popular", e o título dos seus albuns atestam, "Roque Popular" e "Virou !!!". Alia a isso letras bem construidas e por vezes de um "non-sense" arrasador, por vezes surrealistas, outras hiper-realistas, mas sempre com os pés na realidade portuguesa. Neste clip que aqui publico, a canção "Vida de Estrada" é mostrada apenas pela sua letra, e convenhamos que está muito bem "apresentada"... Contraditória como o nome do próprio grupo, pois já imaginaram o diabo na cruz ???

Semear

Sei que já não se semeia assim, parece que até já não se semeia, os produtos nascem já nas prateleiras dos supermercados, já embalados, e prontos a saltar para a panela. É a evolução natural ! Ficam as imagens duras do tempo em que cada semente saía das mãos do homem que a deitava à terra, onde esperava o tempo necessário para germinar, crescer e ficar pronta para mãos do homem a colher. É desse mundo em que a terra era de terra, em que as mãos eram de carne e osso que procurei a recordação.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Cat in a bag

Prossegue a paixão da gata Mia pelas malas da dona. Parece que é um local onde gosta de dormir, embora também goste de estar junto ao monitor do computador, de preferência a olhar para a dona (ou a sentir-se dona...), até o sono chegar. Agora está adoentada, já tem 12 anos, é diabética e toma insulina todos os dias, sem problemas. Haja quem lha consiga dar !

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Lancheira

Visto em DVD o filme indiano "A lancheira" de Ritesh Batra. Um filme que recomendo, leve, triste, mas bonito. A história faz lembrar aqueles namoros em que os meninos deixavam bilhetinhos para as meninas debaixo das carteiras da escola. No circuito das lancheiras que as esposas enviam aos maridos com o almoço para o trabalho, e distribuidas como se se tratasse de um circuito de correio, a lancheira vai ter a mãos erradas, e aí começa uma singela relação entre duas almas solitárias e infelizes. Só que uma delas é alguém em processo de reforma, a caminhar para a velhice, a outra uma mulher ainda jovem casada tratada com indiferença pelo marido. A relação parecia ter tudo para florescer até ao dificil frente a frente. E não digo mais.

Ganhões 2

É um trabalho que já não se faz desta forma, pois as máquinas substituiram o homem, mas fazia~se. Malhar era a palavra utilizada, e procurei representar essa actividade dura, num trabalho decerto dificil, pesado e mal pago. Fica aqui a recordação.