quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Mar

Fui ver a exposição "O mar e a arte", no Convento de S.José em Lagoa, com artistas do concelho, e cujo tema é a relação com o mar. Dentro das telas saliento estes  "Lugares de água" de Clara Andrade. Verdadeiramente muito bom, talvez o melhor dos expostos, para mim.

Aurora

Na proxima semana esta imagem recua uma hora no tempo. Quando abri a portada, 8 da manhã mais coisa menos coisa já o sol parecia despontar num dia que se revela como um verão de S.Martinho adiantado. vamos ver qual a factura a pagar por tal benesse. No entanto chegará já no domingo a hora de inverno e o sol terá de se apressar... À noite será a tristeza generalizada. Nem quero pensar que às seis da tarde será noite cerrada. De facto não teria paciência para viver na Islãndia !

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Pinceladas

Agora também no Centro de Convívio de Ourique vamos procurar um grupo para "aprendizes" de pintura. O gosto é tudo, e os talento vem por acréscimo, com a prática. Claro nem todos podemos ser Julios Pomar, Paulas Rego ou Van Gogh, só para citar alguns, mas o objectivo é conviver e desenvolver de forma inteligente o lado artistico que cada um tem cá dentro no cantinho do coração, e todos temos qualquer coisa a descobrir. Começou ontem dia 21, e será todas as terças, e nada se paga, a não ser uma pequenina contribuição para o material. É mesmo dar só um pouco de tempo. Para quem gosta, claro !

Campaniça

Esteve práticamente dada como extinta, é caracteristica do Baixo Alentejo, sendo uma viola com um formato de cintura fina, som metálico das suas cordas de arame, e tocada por eximios tocadores, que se perdem nos campos do sul, e dada a avançada idade arrastariam consigo o destino do instrumento. Alguém lhe deitou mão e deu-se um processo de recuperação que a coloca a lado de violas tipicas, nomeadamente a viola caipira brasileia como ficou provado nos espectáculos dados em conjunto na recente Feira de Castro. Já a tinha pintado, mas volto ao tema. Fica aqui a memória, mas também a realidade da viola campaniça e dos seus tocadores.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Telecom

A desvalorização bolsista da PT é mais do que um problema "lá deles", dos que são accionistas, gestores, trabalhadores ou até clientes da PT. O valor da empresa, de facto, não se resume ao valor bolsista, mas quando se vê a empresa dividir por dez o seu valor na bolsa no ultimo ano, e percebermos que está nas mãos de uns pardacentos gestores brasileiros de que nem o nome se sabe, que por falta de liquidez a podem vender a "quem der mais", incluindo um grupo francês de má fama, chamado ALTICE, e que nada tem a ver com as telecomunicações, é apenas um abutre financeiro que faz raides sobre presas frágeis, perceberá o risco em que estamos quando temos a jóia da coroa das empresas tecnológicas em Portugal, a preço da "uva mijona". Qualquer um a pode comprar, e despedaçar os seus activos para vender a retalho ao melhor preço. Um país não pode estar à mercê destes humores, desta gente sem escrupulos, e os homens de punhos de renda, Salgado, Granadeiro, Bava, também não saem bem desta história, pois são os primeiros responsáveis por esta quase tragédia nacional. E não estão na cadeia !!!!

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Filomena

Grande filme de Stephan Frears, com Judi Dench, candidato a vários Oscares em 2014. O argumento é poderoso e vai buscar práticas criminosas feitas em nome da Deus. Agora atacamos, com razão o Estado Islâmico, mas grandes crueldades foram feitas em nome de Jesus Cristo, nomeadamente nos conventos na Irlanda, onde raparigas eram submetidas a grandes desumanidades. Como "as boas raparigas vão para o céu, as más para todo o lado" esta má rapariga decidiu já no final da vida procurar o filho que lhe foi retirado e dado para adopção, ou vendido, por uma moral castradora e cruel. Não que seja novidade mas devemos ver.

Pessoas

Não gostando da auto promoção não resisto a publicar aqui a foto duma pessoa importante na minha vida, chamada "eu próprio". Como diria alguém " o maior projecto da minha vida sou eu próprio", mas publico porque este foto foi agora desenterrada das catacumbas onde se encontrava, e mostra a minha imagem quando tinha 22 anos, foi tirada em Setembro de 1973, ou seja tem um pouco mais de 40 anos, no decurso do meu Inter Rail, e encontrava-me em Lund na Suécia onde passei para visitar o meu amigo que na altura me acolheu por uns dias. Ía também ver o ambiente para um possível "salto", caso viesse a ser necessário, mas não foi, pois sem eu saber estavamos a sete meses do 25 de Abril e do fim da ditadura. Fica aqui a imagem tão sebento como verdadeiramente me encontrava, com uma gabardina surrada. Tomava um balde de café choco, como era o que havia naquelas terras nórdicas, e sem saudades de Portugal, excepto da bica. Mesmo no regime fascista a bica sempre foi incomparável... com a zurrapa que se vendia nas democracias nórdicas.

Galinhas

Hoje segunda feira de atelier de pintura para as senhoras da Aldeia de Palheiros. Estamos a acabar a primeira tela, sendo que para a maioria é a primeira que fazem na sua já longa vida, O trabalho é todo delas, apenas ajudei no desenho e algumas pinceladas dadas. De resto faz-se a vontade das alunas. Querem galinhas, fazem galinhas ! Neste caso até levaram a familia...  Bom para por na cozinha. Esta tela é da senhora Leonarda e ficou alegre não acham ?

domingo, 19 de outubro de 2014

Ceifa

Já não existe, já não se faz desta forma, as mãos já não empunham foices, e mesmo os martelos só para pregar pregos nas paredes... Outros tempos ! Assim limito-me a reproduzir um imaginário distante em que as ceifas não eram feitas por potentes máquinas agricolas, e ainda bem que agora é assim. Fica a imagem.

sábado, 18 de outubro de 2014

Sábado

Era sábado e estava sol, tal como hoje. Dis 18 de Outubro, mas de 1975, um ano agitado, em que tudo acontecia e as esperanças estavam no auge. Acabado de fazer 23 anos, o curso ainda a meio, tinha previlegiado o trabalho, mais que o trabalho, o estar no trabalho, condição importante para estar activo naquele ano de brasa em que tudo era política, em que o amanhã não se adivinhava e o mês seguinte, podia ser tudo, pois tudo estava em aberto. As coisas compunham-se com muito pouco, e o pouco era suficiente, pois a ambição pessoal era nada, tudo se centrava no colectivo, ou disso estavamos convencidos. Por isso casar, sendo importante, era apenas mais um passo numa aproximação intima, amável mas muito ingénua, pois eramos levados por uma grande ingenuidade, uma grande vontade de viver em conjunto, mas não de uma forma isolada e voltada para o interior. A vida naqueles anos era uma exaltação, um pretexto de intervenção, e sê-lo-ía por mais algum tempo. Por isso tudo foi muito simples, mas bonito, claro que sim. Foi assim um sábado irrepetível, e cumpriu-se aquilo que ali ficou acertado, apesar das palavras naquele tempo já valerem pouco, "até que a morte os separe".