domingo, 31 de maio de 2015
Sniper
Agora disponível noutros circuitos vi "Sniper Americano" propalado filme de Clint Eatwood, candidato a Óscares, mas que julgo nada ganhou em 2015. É um filme cruel, é o que se pode dizer, de uma crueldade que não deixa ninguém de fora, nem os "bons" nem os "maus". É quase um documentário onde o centro da acção está em Chris Kyle, personagem verdadeira que se celebrizou como a "Lenda", pois na sua conta tinha 160 mortes, de iraquianos, poupando com isso a vida de muitos milhares de militares americanos. Quando regressou da vida de "sniper", para finalmente se juntar à família foi assassinado por um colega com uma bala perdida. Neste filme não nos apetece tomar partido, não se distinguem valores ou atitudes, causas ou ideologias, apenas se vê martírio, extremismo, arrogância e morte. O mundo terá de ser assim ? Pela evolução recente parece que sim.
Cão também tem retrato
Porque não ? Tantas fotos ridiculas de pessoas, tantas manifestações de mau gosto, tantas amigos, gente com 2404 amigos, afinal o fiel amigo, daqueles que não se fazem apenas com um "click", também tem direito a retrato pintado em acrílico cá com as minhas poucas capacidades e talentos, mas faz-se o que se pode. Saiu esta "cara" que parece que nos interroga, com o seu vasto entendimento canino. E agora podem partilhar como quiserem. Tal como o cão o original já tem dono. E nome.
sábado, 30 de maio de 2015
Verão
Chegou finalmente o bom tempo, começa a época dos banhos frios, dos calções , das sandálias, mar, praia e outras belas palavras. Para mim reinicia um tempo que sendo agradável me é particularmente penoso. As pernas começam a pesar mais, o cansaço ataca logo após o almoço, a sesta não é dispensável, antes pelo contrário é o melhor do Verão, e o final do dia dedica-se mais a "actividades de sofá" pois a energia falha um pouco. Praia não a procuro, mar já não o vejo há algum tempo, e o calor do Alentejo é impróprio para cardíacos. Vá lá, a brisa fresca do final da tarde, um curto passeio enquanto está fresco, e o sol que tento quebrar com a cortina. As pernas ardem, pois não dispenso as meias de compressão, e a casa é o refúgio que me faz sentir bem. Uma realidade que me torna o verão suportável, a que o ar condicionado acrescenta algum conforto e o melão e a melancia alguma frescura na mesa. Sorte de quem tem uma casa no final de um caminho rústico ou à beira do mar. Esta a crónica de dias de "férias", e em breve temos aí a "silly season". "Venham os novos e os velhos, mas que ninguém me dê conselhos".
sexta-feira, 29 de maio de 2015
Partir
"Filhos criados trabalhos dobrados", as cegonhas aqui dos arredores uma vez os filhotes comecem a voar, e está quase, fazem os preparativos para a partida. O Verão começa a chegar e com ela a falta de alimentos obriga esta gente a procurar outras paragens, pelo que com os filhotes criados há que garantir a chegada a locais onde os alimentos estejam disponíveis, e aí fechar o ciclo. Este sinal de partida será dado sabe-se lá como, pelo ciclo da natureza que elas interpretam melhor que ninguém. Só nós humanos queremos adaptar a natureza á nossa medida, com as consequências que começamos a saber agora. Por isso somos seres "mais inteligentes" e "uma espécie superior". Está tudo dito.
quinta-feira, 28 de maio de 2015
Suite Francesa
Acabei de ler este volumoso livro de Irene Némirovsky. Já tinha lido dela "O baile" um pequeno mas excelente livro acerca da rebeldia de uma jovem numa familia judia que "investiu" na sua ascenção social. "A Suite Francesa" é algo de muito diferente. É o ultimo livro da autora nascida na Ucrânia em 1903 e chacinada em Auchwitz em 1942, aos 39 anos após uma auspiciosa carreira literária. O original foi escrito entre 40 e 42, escrito quase às escondidas, e o manuscrito salvou-se numa velha mala com fotografias, que a filha Denise levou consigo quando de uma fuga que a salvou da deportação bem como a irmã. Este esteve desconhecido durante cerca de 60 anos e acabou por ser publicado em França, país onde Irene fez a sua vida após abandonar a Rússia com os pais após a revolução bolchevique. "A Suite Francesa" relata a fuga de Paris após a ocupação nazi, e a ocupação de uma vila francesa pelos alemães e num caso e noutro, a teia de colaboracionismo, traição, cobardia, calculismo, que caracterizaram esses anos numa França culta e elegante. Uma obra extraordinária, de uma autora ela própria um exemplo vivo da história da Europa na primeira metade do século XX. Agora deu origem a um filme, mas que apenas retrata uma parte da obra, a parte que relata a relação de amor, amizade, ódio, desprezo e manipulação entre uma jovem esposa de um prisioneiro francês e um oficial alemão que alojou em sua casa.
Luz Luzia
A luz que emana das paredes brancas é única e "insuportável", no sentido de que não se aguenta o olhar. Subimos ao alto junto da pequena capela e temos uma visão da vila, e uma percepção da beleza branca e intensa que tudo inunda, tudo comanda. tudo contagia. Impossível ficar indiferente e imaginamos neste local alto os combates, os mouros, as grandes e pequenas lutas que estes campos viram. Deste local alto, e destas paredes o olhar estende-se pela lonjura das terras. è tudo muito calmo, a tranquilidade dá-nos uma paz interior que nenhuma sessão de psicoterapia produz. E é grátis.
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Ruína feliz
Santa Luzia
Hoje de manhã fui até Santa Luzia uma das mais encantadoras localidades do concelho. Fica perto e o sol e a claridade recomendavam umas fotos para futuras inspirações pintadas, e assim foi e não dei o tempo por perdido. A vila é muito luminosa branca e bem conservada, e as flores estão por todo o lado. As paredes brancas e as escadinhas e becos que conduzem à igrejinha são um encanto e um convite à máquina fotográfica. Pouca gente nas ruas como é normal nestas manhãs de verão nestas localidades a caminho de uma desertificação galopante. Mas por ali sente-se vida, pela beleza e conservação dos locais e poucas ruínas e casa abandonadas. Tudo bem, era altura de regressar e no regresso ainda apanhei uma sacada de pinhas já a pensar no próximo Inverno, homem prevenido...
terça-feira, 26 de maio de 2015
Patos bravos
Estes são autênticos e não dos outros daqueles que se dedicam a actividades mais ou menos especulativas. Pintados pela Ilda, na actividade do Centro de Convívio de Ourique. Ficaram bem coloridos na sua cama de ervas onde se ocultam e podem encontrar-se. É o terceiro trabalho feito pela Ilda e tem por detrás muita dedicação e esforço, pois a vista não é mesmo o seu forte. Ficou afinal um trabalho que procura aplicar algumas técnicas entretanto ilustradas. De como a perfeição não é o objectivo, mas sim obter um resultado que satisfaça o próprio.
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Old man
Um rapaz de 60 e picos, uma saúde e um aspecto de 80, eis a vida no seu esplendor, mas "alive and kicking" ! Aqui procuro ajudar a Isabel e a sua telha. Uma telha pode ser um bom suporte para artesanato se nos esmerarmos no estilo popular da pintura. Moinho, burro e moleiro, que não se vêm na foto são os actores desta "história" contada numa telha !
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