quarta-feira, 3 de junho de 2015

Julio Pomar

"O almoço do trolha" do grande pintor felizmente ainda vivo, Júlio Pomar, foi vendido em leilão por 350 000 euros sendo o mais caro vendido em Portugal de um autor português vivo. Tudo bem, a arte não tem preço e o quadro do final dos anos 40, é bem uma emanação do que se vivia na altura, a força do proletariado, e a estética neo realista, que nesta altura se iniciava como estilo, na pintura, cinema e sobretudo na literatura. A má noticia é  que a tela foi arrematada por um comprador privado e não como se poderia esperar por uma instituição pública ou museu ou fundação. A Gulbenkian ainda tentou mas ficou pelos 300 000. Assim poderá ir directamente para um cofre, pois um valor destes não se tem debaixo da cama.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Ocupação selvagem

Os donos abandonaram a sua propriedade, ausentes, falecidos, desinteressados não foi possível manter a ocupação da sua casa de família e agora o abandono tomou conta de tudo. Não totalmente verdade, pois uma planta insistente tomou o lugar e qual ocupação selvagem, como existiam no pós 25 de Abril, ocupou a totalidade da habitação e agora nem se pode entrar. Uma nova vida renasceu onde a vida abandonou. Um espaço ocupado sem problemas ou oposição.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Porta com extra

Este o tipo de porta que a mim me calha. Um assessório estratégicamente colocado, não na banheira, para a qual tinha sido imaginado, mas para ajudar a vencer a força da gravidade, a grande inimiga das pessoas fragilizadas. Uma ideia que me agrada. Vou ter de a encarar a sério. A foto foi obtida na Aldeia de Palheiros.

Cesta

A Maria José quer mesmo fazer um cesto com frutas. Aliás era para ser um prato, mas acabou por ser um cesto para ser um pouco mais cheio e compor melhor o boneco. Não é uma tarefa fácil dado serem superficies arredondadas com jogos de luz que temos de ter em conta. Afinal um bom exercício. Boa sorte Maria José. Mais tarde mostraremos o resultado.

domingo, 31 de maio de 2015

Sniper

Agora disponível noutros circuitos vi "Sniper Americano" propalado filme de Clint Eatwood, candidato a Óscares, mas que julgo nada ganhou em 2015. É um filme cruel, é o que se pode dizer, de uma crueldade que não deixa ninguém de fora, nem os "bons" nem os "maus". É quase um documentário onde o centro da acção está em Chris Kyle, personagem verdadeira que se celebrizou como a "Lenda", pois na sua conta tinha 160 mortes, de iraquianos, poupando com isso a vida de muitos milhares de militares americanos. Quando regressou da vida de "sniper", para finalmente se juntar à família foi assassinado por um colega com uma bala perdida. Neste filme não nos apetece tomar partido, não se distinguem valores ou atitudes, causas ou ideologias, apenas se vê martírio, extremismo, arrogância e morte. O mundo terá de ser assim ? Pela evolução recente parece que sim.

Cão também tem retrato

Porque não ? Tantas fotos ridiculas de pessoas, tantas manifestações de mau gosto, tantas amigos, gente com 2404 amigos, afinal o fiel amigo, daqueles que não se fazem apenas com um "click", também tem direito a retrato pintado em acrílico cá com as minhas poucas capacidades e talentos, mas faz-se o que se pode. Saiu esta "cara" que parece que nos interroga, com o seu vasto entendimento canino. E agora podem partilhar como quiserem. Tal como o cão o original já tem dono. E nome.

sábado, 30 de maio de 2015

Verão

Chegou finalmente o bom tempo, começa a época dos banhos frios, dos calções , das sandálias, mar, praia e outras belas palavras. Para mim reinicia um tempo que sendo agradável me é particularmente penoso. As pernas começam a pesar mais, o cansaço ataca logo após o almoço, a sesta não é dispensável, antes pelo contrário é o melhor do Verão, e o final do dia dedica-se mais a "actividades de sofá" pois a energia falha um pouco. Praia não a procuro, mar já não o vejo há algum tempo, e o calor do Alentejo é impróprio para cardíacos. Vá lá, a brisa fresca do final da tarde, um curto passeio enquanto está fresco, e o sol que tento quebrar com a cortina. As pernas ardem, pois não dispenso as meias de compressão, e a casa é o refúgio que me faz  sentir bem. Uma realidade que me torna o verão suportável, a que o ar condicionado acrescenta algum conforto e o melão e a melancia alguma frescura na mesa. Sorte de quem tem uma casa no final de um caminho rústico ou à beira do mar. Esta a crónica de dias de "férias", e em breve temos aí a "silly season". "Venham os novos e os velhos, mas que ninguém me dê conselhos".

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Partir

"Filhos criados trabalhos dobrados", as cegonhas aqui dos arredores uma vez os filhotes comecem a voar, e está quase, fazem os preparativos para a partida. O Verão começa a chegar e com ela a falta de alimentos obriga esta gente a procurar outras paragens, pelo que com os filhotes criados há que garantir a chegada a locais onde os alimentos estejam disponíveis, e aí fechar o ciclo. Este sinal de partida será dado sabe-se lá como, pelo ciclo da natureza que elas interpretam melhor que ninguém. Só nós humanos queremos adaptar a natureza á nossa medida, com as consequências que começamos a saber agora. Por isso somos seres "mais inteligentes" e "uma espécie superior". Está tudo dito.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Suite Francesa

Acabei de ler este volumoso livro de Irene Némirovsky. Já tinha lido dela "O baile" um pequeno mas excelente livro acerca da rebeldia de uma jovem numa familia judia que "investiu" na sua ascenção social. "A Suite Francesa" é algo de muito diferente. É o ultimo livro da autora nascida na Ucrânia em 1903 e chacinada em Auchwitz em 1942, aos 39 anos após uma auspiciosa carreira literária. O original foi escrito entre 40 e 42, escrito quase às escondidas, e o manuscrito salvou-se numa velha mala com fotografias, que a filha Denise levou consigo quando de uma fuga que a salvou da deportação bem como a irmã. Este esteve desconhecido durante cerca de 60 anos e acabou por ser publicado em França, país onde Irene  fez a sua vida após abandonar a Rússia com os pais após a revolução bolchevique. "A Suite Francesa" relata a fuga de Paris após a ocupação nazi, e a ocupação de uma vila francesa pelos alemães e num caso e noutro, a teia de colaboracionismo, traição, cobardia, calculismo, que caracterizaram esses anos numa França culta e elegante. Uma obra extraordinária, de uma autora ela própria um exemplo vivo da história da Europa na primeira metade do século XX. Agora deu origem a um filme, mas que apenas retrata uma parte  da obra, a parte que relata a relação de amor, amizade, ódio, desprezo e manipulação entre uma jovem esposa de um prisioneiro francês e um oficial alemão que alojou em sua casa.

Luz Luzia

A luz que emana das paredes brancas é única e "insuportável", no sentido de que não se aguenta o olhar. Subimos ao alto junto da pequena capela e temos uma visão da vila, e uma percepção da beleza branca e intensa que tudo inunda, tudo comanda. tudo contagia. Impossível ficar indiferente e imaginamos neste local alto os combates, os mouros, as grandes e pequenas lutas que estes campos viram. Deste local alto, e destas paredes o olhar estende-se pela lonjura das terras. è tudo muito calmo, a tranquilidade dá-nos uma paz interior que nenhuma sessão de psicoterapia produz. E é grátis.