domingo, 14 de junho de 2015
Tempo para pensar
Um domingo chuvoso, onde o chapéu a usar é o de chuva. Um bom tempo para fazer trabalhos em casa, para ler, estudar ou conversar. Pode ser também um tempo para pensar. Há tanta coisa para pensar, a começar pela nossa relação com os que partiram, a minha médica de família publicou hoje um post no Face acerca disso, onde ía buscar um poema de Pessoa. É claro que os médicos têm aí uma relação mais intima com a morte, e julgo que será mais dessacralizada, a morte como fim de um processo de que faz parte. Mas para quem tem uma relação particular cada morte é uma tragédia pessoal relativamente à qual nos envolvemos. Eu que perdi alguém muito próximo sei bem como isso nos toca e nos provoca as reacções mais díspares, e nesse ponto a opinião dos outros conta pouco. Uma perda é uma perda a cem por cento, é um percurso que é todo interrompido, deixa de ser percorrido, mudar de caminho, para quem fica. Para quem parte não há mais caminho, mais nada a ver, a acompanhar. Pode ter sido uma pessoa especial, um actor, um operário, um prémio Nobel, a morte tudo interrompe. Recordei agora velhos tempos pois faleceu alguém que eu não conhecia pessoalmente mas era uma pessoa pública, irmão de uma velha amiga, e ex-marido de uma outra, e embora dele separada há mais de 30 anos, ainda se-lhe referiu com tristeza. O tempo de chuva faz pensar nestas pessoas a quem a chuva já não molha.
sexta-feira, 12 de junho de 2015
Ó Brigada !
Chegou-me agora às mãos uma caixa com 10 CD, ou seja todos os trabalhos, da "Brigada Vitor Jara". Não sei se este nome diz alguma coisa a muita gente, mas é em Portugal um dos grupos que melhor trata a música tradicional portuguesa, desde 1977, data do seu primeiro trabalho. Com origens no PREC, e nos idos do 25 de Abril, este grupo tem-se mantido até ao presente, renovando os seus membros, por onde já passaram quase 50 músicos, entre eles cantoras como Né Ladeiras, com uma linha de orientação clara, com os pés assentes nas procuras de Lopes Graça ou Giacometti. Ouvida a obra no seu conjunto digo que é maravilhosa, as interpretações são rigorosas, os instrumentos musicais usados são os que devem ser, e a tradição não está prisioneira de falta de imaginação ou capacidade de recrear músicas que o tempo consagrou. A caixa de nome "Ó Brigada", agradece por cerca de 40 anos de carreira, mas nós é que deveremos agradecer tanta beleza junta, tanto bom gosto colectado, uma viagem musical do Minho aos Açores, passando pelo Alentejo e Algarve. São de esquerda, é verdade, o nome de Vitor Jara, que muitos julgarão ser "um reforço no Benfica", é afinal uma grande referência de um músico que a ditadura de Pinochet chacinou, mas a música é do mundo, Gosto muito !
quinta-feira, 11 de junho de 2015
TAPar os olhos
A TAP parece que tem novo dono indicado pelo Governo. Não estou certo que seja a melhor solução, mas pelo menos é uma solução. O que se vivia agora era apenas uma "penosa sobrevivência", falida, em descrédito, sem fundo de maneio sequer para o dia a dia, quanto mais para renovar frota, melhorar serviços, competir com competidores agressivos em mercado aberto. No tempo em que havia exclusivos nas rotas da Madeira, Açores, algumas rotas europeias, lembro Lisboa Paris exclusivo da TAP e da Air France, nesses tempos tudo era possível, agora em mercado aberto uma TAP não competitiva é uma "barco à deriva" que em breve cairá na irrelevância diria até no encerramento. Agora pouco interessa quem fez, quem devia fazer, quem tem culpa, no enorme elefante branco em que se tornou. Pode ser que agora se comece a transformar numa pequena gazela. Eu como contribuinte agradeço. O resto também pode ser assegurado por privados.
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Condecorar
É uma velha tradição do dia 10 de Junho, e da sua icnografia, condecorar, atribuir comendas, e outras prebendas, algumas algo surpreendentes, como a do José Gil, não o filósofo, que mereceria, mas um costureiro do Fundão que veste a senhora Maria Cavaco, eis aí a relevância. Mas a mais mediática condecoração de hoje é a do ex-ministro Teixeira dos Santos. Se querem condecorar condecorem, mas já agora esclareça, qual Teixeira foi condecorado, o ministro que deu o suporte financeiro a um primeiro ministro alucinado por deixar obra e pôr os contribuintes a pagar, o ministro que durante anos não soube contrariar o caminho do abismo, o ministro que "traiu" Sócrates e que através de uma entrevista tornou inevitável o "programa de ajustamento", o ministro que trouxe a troyca ou o comentador que agora se distancia de Sócrates, ou o presidente da CMVM, ou apenas o professor universitário ? Convém esclarecer pois algumas das actividades não só não são condecoráveis mas diria muito censuráveis, como muitas outras coisas passadas nesse governo mentiroso de que fez parte. Se calhar algum recato seria aconselhável !
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Desenhar ao ar livre
Hoje o atelier de pintura, lá na Aldeia, saiu à rua. Na realidade fomos até ao jardim da Aldeia, e no meio da fresca manhã fizeram-se desenhos, alusivos ao local, ou com modelo, no caso uma velha "chocolateira". O ar da manhã estimulou as mentes e a mão. e a dificuldade em usar o lápis e o carvão foi ultrapassada. Na imagem a Maria Domingas muito concentrada na flor que procura reproduzir, No final aproveitou-se para um picnic, no qual apesar de levar pouco acabei por comer muito, tudo natural e biológico, claro !
domingo, 7 de junho de 2015
Programas
Os principais partidos já apresentaram as linhas gerais dos programas que se propõem cumprir se forem eleitos. É o caso da coligação PSD CDS. do PC e agora neste fim de semana, o PS. È verdade que o país está totalmente centrado na segunda circular e não lhe resta muito tempo para assuntos sérios. No entanto uma visão superficial do que se tem dito acerca do programa PS leva-me a um grande receio, o que sucede quando queremos pagar despesas de hoje, com ganhos futuros. Na minha casa não resulta ! Resultará no país ?
sábado, 6 de junho de 2015
A regra de ouro
Sabemos o que seria colocar na Constituição uma cláusula que obrigaria a que o défice público não ultrapasse um determinado valor. É a chamada" regra de ouro" e muitos "países têm-na ". Até que não era má ideia, para limitar as políticas demagógicas que gastam o nosso dinheiro sem limites. Costa não quer, e Passos Coelho agora está sempre a falar do assunto. Agora vejam se me acompanham, como é que um primeiro ministro que é campeão das inconstitucionalidades, ou seja para quem a Constituição pouco vale, pode dizer que essa regra uma vez inscrita na Constituição seria respeitada pelos políticos como ele ??? É preciso ter lata !
sexta-feira, 5 de junho de 2015
Jesus !!!!
O futebol não é tema preferido, mas tenho um fraquinho sportinguista. De certa forma o futebol revela a sociedade em que estamos. Acontece que é seguido apaixonadamente por milhões, muitos jovens, e é considerado "desporto", isto é coisa saudável, limpa, bonita, transparente. Longe disso ! O que estamos a assistir é do mais execrável que se pode imaginar, pela horrorosa catadupa de exemplos do que há de pior. A troca directa do Benfica pelo Sporting mostra que não há limites, tudo se pode fazer, e o sentimento de milhões que feitos lorpas andam atrás do "glorioso" não contam para nada ! Os valores em jogo indignam por si, mas pior os valores vão ser pagos por um clube falido, ou na sua beira, péssima mensagem para o país ! Cheira a lavagem ! Depois para que o "negócio" se faça há um a mais. Então arranja-se uma "arapuca" para lhe por os patins, não interessa olhar olhos nos olhos e negociar. Se o puder enganar, melhor !!! Que bela mensagem passa o meu velho Sporting para os seus sócios, simpatizantes, atletas e para o país em geral. Tristeza.
Irmão
"O meu irmão" de Afonso Reis Cabral venceu este ano o Prémio Leya. Acabei de ler este que é o seu primeiro romance, e fiquei fascinado. Uma obra muito bem escrita, uma ficção que toca a realidade de uma forma profunda, um tema de abordagem dificil, pois com facilidade pode ceder-se a paternalismo, vulgaridade ou mau gosto. O escritor consegue abordá-lo com crueza, realismo e afinal com elegância. Um professor que vive só, por morte dos pais, decide ocupar-se do irmão deficiente com 40 anos, com quem não convive há mais de 20 anos e vai-se envolver nos problemas de um homem com sindrome de Down, suas dificuldades, obsessões, afectos exacerbados. O maior de todos, Luciana, outra deficiente adulta que é a maior fixação de Miguel, o "meu irmão" deficiente. Não digo mais nada, mas informo que estamos longe de um final cor de rosa ! Leiam!
quinta-feira, 4 de junho de 2015
Insuportável
O jogo de sombras em que se transformou a relação da Grécia com a Comissão Europeia e o Eurogrupo é insuportável A dupla de "dandies" Tsipras-Varoufakis comporta-se como estrelas no meio mediático da politica, mas o charme não resolve tudo. A dupla Junker-"Holandês de nome esquisito" bate nas costas nos gregos, diz que se estão a fazer progressos, mas nada se vê. Entretanto o tempo passa, o dinheiro não aparece, e sem ele nada feito. A Grécia caminha para onde se previa, para quem como eu já em Janeiro considerei a eleição do Syriza uma tragédia grega. E a saída do euro é cada vez mais uma hipótese a considerar. E ficaremos imunes, os portugueses, a esta novela mexicana sem fim ? Entre o capacete de um e a gravata do outro "quem se trama é o mexilhão" !
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