quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Filhos de um Deus Maior

Não quero ser cínico, mas, durante alguns anos temos assistidos ao drama de gente que atravessa o Mediterrâneo em barcaças, abandonados ao seu destino por traficantes, com um telemóvel para chamar socorro, ou à deriva da sua sorte, que seria a Polícia Marítima italiano os encontrar. Para muitos a morte foi destino quase certo. Eram negros da África sub sariana, das Guinés, Serra Leoa, Niger, Mali, entre outros. Gente miserável, a fugir da fome e das perseguições, que nos chocava, que nos fazia pensar, mas que acabávamos por identificar como os "outros", os que sempre viveram na miséria, espoliados por regimes de todas as cores saídos das independências fantoches, e cujo programa comum era a corrupção. Apesar de tudo connosco não era assim !
Nas últimas semanas tudo mudou. O que temos assistido pelas estradas da Grécia, Macedónia, Hungria, Áustria, são colunas compactas de gente que vêm de países onde a guerra, o radicalismo, a intolerância impera. gente que tem telefone, televisão. antena parabólica, negócios de que viviam, e que após semanas e meses de chacinas, massacres, bombas, de total incompetência ou cumplicidade de governos que era suposto protegerem, acabaram por ser os seus algozes, ver o caso do regime de Bashar Assad, na Síria, ou do Iraque. Gente com vidas normais e viáveis que um dia acordam de manhã e dizem "Basta" este não é o lugar que queremos para criar os nossos filhos.
São estas pessoas que vemos, com esposas e crianças, com a "nossa cara", meninos vestidos com as mesmas roupas das nossas crianças, com os mesmos biberons, os mesmos sapatos, gente que fala inglês com formação. É isso que nos choca agora mais, do que quando eram "apenas" negros a fugir da fome. Com estas caras que vemos nos media, podíamos ser nós !!! Quem nos diz que tal não nos pode acontecer ? Somos todos, os filhos de um Deus Maior, chame-se Deus, Jeová ou Alá, e por isso agora a ferida  dói mais, " agora já não são os outros" ! Por favor não fechem as portas !

Capela

Não é de hoje, que já não há assim tanto sol, mas de alguns dias. A simplicidade de uma capela nestas planícies é um bom exemplo da forma de estar destas gentes. Contraste com as igrejas do Norte, onde a rebuscado exterior chega ao mau gosto e o escuro da pedra manifesta a austeridade de uma fé mais castradora e rígida. Por aqui é tudo simples, branco, pequeno e sem "sinais exteriores de riqueza", manifestando a fé  dos simples. Esta a capela do Rosário, aqui bem perto, onde pontua a simplicidade.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Ruas desertas

Já era meio dia, e numa pequena vila alentejana, primeira manhã de Setembro as ruas estavam desertas. Nem pessoas, nem carros, nem ovelhas nem formigas, que se vejam, nem velhos sentados nos bancos, apenas uma estranha sensação de que a vida está por aqui mas escondida, resguardada dos olhares, Quem, de resto, se interessaria pelo que vai passando numa pequena vila, sem impacto, sem reinvidicações, sem mortes ou homens baleados, sem filas de migrantes ou refugiados, sem polémicas nem políticos, aquilo que faz hoje com que as vilas deste país existam ! O resto é a alma e essa não se vê nos telejornais. nem daqui desta pequena vila, onde até fazer uma chamada de telemóvel é difícil, e a TDT ainda hoje chega mal !

Altos voos

A criançada no Atl hoje dedicou-se a imaginar a viagem de avião que vão fazer na próxima segunda feira. Será Porto Faro ou vice versa. Passaram assim para o papel algumas "imagens" do que pode vir a ser, e sairam assim as pinturinhas que se mostram, estas feitas pelos mais novos, ou seja 5 ou 6 anos, Boa viagem.

Respirar

O mês de Agosto já lá vai, e parece que o tempo voa, para onde ? Parece que após dias abafados aqui está Setembro para nos deixar respirar. Lamento mas o calor é para mim um tormento e todos os meus parâmetros parecem andar de pernas para o ar. Agora vem aí um mês que se anuncia fresco, bom para o "doente profissional" que tem de exercer a sua "profissão" em muito melhores condições. O dia é mais activo, e não chego ao fim da manhã como se tivesse corrido a maratona. Agora vamos iniciar um novo ano, num ciclo natural e sem esforço. A rotina muda um pouco, e eu sem rotinas não me dou bem. Cansa muito pensar nas coisas óbvias, é melhor pensar naquilo que é mais inóbvio e inesperado. Vai também ser um mês cheio de bruá e emoções fortes pois pela frente apresenta-se uma campanha eleitoral das mais renhidas e cruciais dos últimos anos. Enfim é o sentido das coisas, para além dos homens e das mulheres a sociedade move-se por muito que muitos a quisessem parada. A foto é de hoje de manhã em Barvão e ao fundo pode ver-se a escolinha onde decorreu o ATL. Decorreu pois para mim acabou hoje.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Voo

Parece que no próximo dia 7 os meninos e meninas do ATL vai fazer um baptismo de voo. É verdade que nos meus tempos o "baptism"o se fez lá para os 30 anos, mas os tempos de facto estão muito diferentes e as experiências na vida começam cada vez mais cedo. Ainda bem, mas sem exageros. Assim amanhã vamos tentar fazer uma antevisão gráfica desse voo e para isso vou convidar todos a expressar em rabiscos e pintura tal evento. Fica aqui uma antevisão feita pelo próprio onde um dos meninos está junto da janela e ver a paisagem que é desafiante, sobretudo para quem tem medo de aviões.

sábado, 29 de agosto de 2015

Costa não sabe governar, iô !

Tem-se dito que esta campanha, desta vez está esclarecedora, com argumentos, projeções macro-económicas, algoritmos para calcular quantos empregos se criam numa folha de Excel, programas com números. Não acho nada. Tudo tem andado à volta de fait divers, desde a polémica dos cartazes, o diz que disse, marcianos, já entraram em campanha, até para finalizar com o argumento dos argumentos, imbatível e arrasador, e vem do deputado Montenegro. "Costa não tem nível para jogar na Liga dos Campeões, na Liga Europa ainda vá lá ... " Um argumento que nos mostra o nível a que estamos em termos de debate politico. Ainda chegamos ao argumento final e irrevogável "Costa não sabe governar, iô"

Ingrid Bergman (1915-1982)

Hoje 29 de Agosto faria 100 anos a esplendorosa Ingrid Bergman, mas por coincidências da vida também hoje passaram 33 anos sobre a data da sua morte. A sua beleza suave, a força das emoções que nos transmitiu fazem dela a "actriz de cinema" por excelência, para mim só igualada por Meryl Streep. Por mais que passem os anos não nos esqueceremos do seu papel em "Casablanca", ou em "Stromboli", que não lhe valeram Oscares mas a eternizaram. Mas não se pode queixar pois colecionou três estatuetas de melhor actriz. Para além da actriz esta mulher criou o simbolo das mulheres livres nórdicas, pois era sueca de nascimento e sempre seguiu o seu coração, para onde este o levava, o que quase a levou a ser expulsa dos Estados Unidos, pois era "estrangeira". Hollywood a consagrou, mas foi em Itália que fez dos seus melhores filmes, sob a batuta de Roberto Rosselini, um dos seus maridos.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

A propósito de leituras

Há cerca de seis meses foi-me simpaticamente pedido que preenchesse uma ficha para integrar um Clube de Leitura cá na terra. Boa ideia, pois já tive muito boas experiências nos clubes de leitura que já integrei nas Bibliotecas de Lagoa e de Silves. O principio é simples, um grupo de pessoas lê o mesmo livro durante uns dias, e no final troca-se experiências de leitura, sendo que em geral, para obter vários exemplares do mesmo livro as bibliotecas pedem os livros emprestados umas às outras. Para um funcionamento estruturado o grupo em geral tem um animador que muitas vezes é apenas um leitor da biblioteca que se disponibiliza para o efeito. Ora passados seis meses, por aqui nada se conseguiu organizar... Muito bem, então no "concelho que mais investe em literatura " ( a private joke ...) não se arranja seis ou sete pessoas interessadas ???  Dá para acreditar ?

Coisas Novas

Jozef Sors é a figura central de "Um pintor debaixo do lava-loiças", de Afonso Cruz, um autor português multifacetado, escritor, músico, artista plástico, sendo este o seu terceiro livro. O livro é a vida de Sors, uma figura inventada, mas inspirada num pintor judeu, refugiado em Portugal durante a guerra, e acolhido pelos avós do autor, e que para se esconder dormia na cozinha "debaixo do lava-loiças". É uma figura cândida mas complexa, que sempre quis fazer desenhos inacabados, e representar os olhos das pessoas. O pintor deu meia volta ao mundo na procura das coisas sem interesse, pois afinal "os artistas vêm coisas novas nas coisas velhas", essa a sua arte e afinal "é assim que se separa a humanidade: uns pegam nas coisas para morrer e outros para viver", mas as coisas são sempre as mesmas. É bem claro de que lado da humanidade está o artista...  (Na imagem pintura de Dan McCaw)