segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Medo ?

O resultado das votações é aquilo que eu chamaria a vitória do medo ! O medo do regresso ao governo Sócrates, o medo da crise, o medo de apostar no incerto, o medo da diferença e do diferente, o medo do desconhecido, mesmo que o conhecido nos seja desagradável. Mas temos razão para ter medo ? Penso que sim ! Na realidade os exemplos recentes, entre eles a Grécia, mostra-nos tudo o que não queremos, embora tenhamos já um pouco de gregos, e daí agarrar aquilo que será, pela experiência já vivida, um caminho que parece passar ao lado dessa crise ! Já não queremos arriscar sonhos presentes pagos por rendimentos futuros, nem cantos de sereias que nos assustam. Se é para ter medo, afaste-se o medo !

Flores

Mais um trabalho terminado, e o cliente satisfeito ! A srª Leonarda conclui com facilidade após algum impasse, mas um fundo com sombreado feito com as pontas dos dedos acabou por dar o toque que fazia falta. Ficou bem. E o tempo acaba por dar sempre solução as nossas insatisfações.

domingo, 4 de outubro de 2015

Amarelo

Se não fosse o mau gosto que seria do amarelo. Discordo, discordo e muito. O amarelo é de facto a cor que salienta mais a luz, num fundo escuro, e enche de alegria o mais abandonado dos jardins, é o caso do jardim do miradouro que manifestamente já terá tido melhores dias. Pouco pessoal, substituição de plantas a fazer, muita ervas, alguma secura agora a recuperar, equipamento destruido, quando lá vou, com frequência, só diz "ajudem-me". E tem mais visitas do que parece, pois a vista é bela. Salve-se o amarelo.

Cantando

Em momento de aniversário do coral cá da terra, voltei ao tema, como sempre num registo algo caricatural, não dá para mais, mas podemos olhar para o cantar como o vemos, e para mim está muito presente a narrativa de "feios, porcos e maus", talvez errada, mas é o impacto da masculinidade (cada vez mais contestada) no cantar alentejano, no que ela tem de bom e "extravagante". Ficamos então assim... Neste caso é um acrílico de 40x30.

120 anos

Estamos a comemorar 120 anos sobre a primeira projecção cinematográfica, a 28 de Dezembro de 1895, os irmãos Lumiére fizeram com um equipamento que inventaram a projecção das primeiras imagens em movimento. Leon Gaumont assistiu a essas primeiras projecções e vem a criar uma industria cinematográfica que popularizou o cinema na primeira metade do séc XX, e se mantém até hoje. Para comemorar esses 120 anos o Pública está a publicar uma colecção de DVD com a parceria da Gaumont, onde os filmes de ouro da Gaumont se disponibilizam. Vi o primeiro "O vagabundo de Montparnasse" de 1958, com um par de actores extraordinários, de que só m,esmo um velho como eu se poderia recordar,  Gerard Philippe e Anouk Aimée. Gerard morreria de cancro um ano após este filme com 36 anos, e Anouk ainda vive com 83 anos.  O tema do filme é a vida trágica do grande pintor Amadeo Modigliani, ele próprio morreu aos 35 anos, na mais total miséria física, de tuberculose, quase mendigando para alimentar a família, sem vender quadros que hoje atingem muitos milhões de dólares. A sua companheira, Jeanne Hébuterne, suicidou-se com 21 anos, no dia seguinte à  morte de Modi, grávida de 9 meses. Uma história aterradora, habitual retrato da miséria em que viveram os mais geniais criadores do inicio do séc XX. Filme muito belo, de Jacques Becker.

sábado, 3 de outubro de 2015

Reunificação

Muita gente já não se lembra ou não sabe o que querem dizer as iniciais RFA e RDA, ou a palavra Stassi, ou quem foi Honecker ou mesmo Koll, Willy Brandt ou Schmit, agora que se fala de muros afinal qual foi o Muro inspirador. Muita gente não lembra mas foi apenas há 25 anos que a Alemanha se reunificou, e daí para cá encetou o caminho de integrar os chamados alemães de leste, nas condições da Alemanha democrática e desenvolvida. Dois paises de regimes tão diferentes, acabaram por se fundir, e dar origem a uma potência invejável. Com o fim da RDA, terminou as últimas esperanças dos burocratas comunistas de fazer na Europa o que nunca conseguiram fazer em mais lado nenhum, um estado rico, justo, distribuidor de "cada um segundo as suas capacidades a cada um segundo as suas necessidades", e para isso a RDA pretendia vir a ser uma montra, afinal foi-se a ver e era uma montra de repressão, corrupção, pobreza vivida em silêncio, poluição incontrolável, tristeza, desesperança, obscurantismo, desconfiança até da própria sombra. Só uma coisa se perdeu, o inesquecível arquipoluente Trabant, para o qual era melhor inscrever a criança quando nascia, pois o prazo de entrega podia ser de mais de 25 anos...

Simplicidade

Uma flor escondida no canto mais escondido do canteiro chama a minha atenção, pela sua forma, pela sua flor única, minúscula e sem qualquer brilho, como a esconder-se da vista, está talvez em reflexão como nós deveríamos estar. Flor capaz de, pela sua dimensão, derrubar afinal a superior força das coisas inevitáveis. A isso pode-se chamar esperança !

Lagoa

É uma maravilha a superficie lisa das águas do lago no Alqueva. O horizonte distante calmo e tranquilo um grande tonificador para a mente, e uma boa dose suplementar paz interior para almas inquietas ou inquietadas. Ali estão presentes séculos que ficaram submergidos, uma história cujas origens remontam aos confins da conquista. As imagens que podemos ver no museu da Luz mostram-nos muita da vida que para sempre ficou escondida nas profundezas das águas, que chegam aos 120 metros de profundidade. A aldeia reconstruída é a imagem da uma visão impessoal que seguramente muito custou às pessoas realojadas, mas tempo passado, novas realidades na vida das pessoas, e a vida devolvida dentro do possível. Percebemos ali que estamos muito longe de tudo, da cultura, do emprego, da saúde, mas talvez mais perto de nós mesmos. Mas será que isso interessa mesmo às pessoas ?

Reflectir

O meu voto está decidido há muito. No entanto aceito bem que as pessoas estejam indecisas, baralhadas, confusas ou simplesmente hesitantes. Pois pudera, sabemos bem qual o grau de confiança que atribuímos à nossa classe politica. Haverá boas razões para votar na coligação, quando estamos muito zangados com ela por medidas que, suponhamos necessárias, nos prejudicaram e criaram tantos dramas pessoais, profissionais ou outros. Certo que herdaram um caos, e navegando nele conseguiram chegar a águas um pouco mais calmas , mas com que preço, durante anos vamos pagar. E teremos razões para votar PS, quando esse irresponsável PM cujo nome nem profiro nos conduziu alegremente ao desastre, e agora ainda goza connosco. Sei que agora não é candidato, mas muitos dos seus ministros e secretários por aí andam e nem têm a honestidade de reconhecer os erros. Esquecer nunca. perdoar talvez.  A mim votante desse PM senti-me traído e por muitos anos PS é voto a que me custa voltar. Porque não na CDU ?  Nada com eles ! Já vi muita coisa execrável sair dos cantos de sereia dos comunistas. Nem pensar, por  muito que ache o avô Jerónimo uma simpatia, afinal o avô que todos os netos adorariam. Mas não se vota para o melhor avô mas para deputado ! O BE e a simpática, corajosa e afinal preparada Catarina até podia ser. Eu que me sinto da esquerda e até já militei nessa área, UDP com quotas em dia, e votei no saudoso Portas e na Marisa para o  PE, não me custaria dar-lhe o voto, mas para quê ? Apenas para protestar contra o actual Governo ? Sem dar contributo à governação ? Naaaah ! Restam as flores, isto é os chamados pequenos que assim serão sempre pequenos. Para votar no Livre então votava no BE !  Votar no Marinho nunca, detesto caudilhos, trogloditas populistas e vociferantes, a política é para ser feita com elegância ! Os outros para mim não contam, ou não os conheço o suficiente, excepto o MRPP, uma encarnação periódica do detestável advogado Garcia Pereira, que recolhe na politica os clientes para o seu escritório de sucesso !  Se alguém leu até ao fim esta crónica, o que duvido, e visto que o meu voto será expresso e está decidido "adivinhem quem vem jantar" ?

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Alqueva

Visita ao Alqueva ontem organizada pelo Centro de Saúde, no quadro do apoio a diabéticos. Embora já conhecesse aproveitei para fazer a viagem de barco, que ainda não tinha feito e recomendo apesar de me parecer melhor o acesso pela margem direita. A frescura no meio de um dia bem quente, a calma que se transmite pelo grande lago sem uma onda, como um espelho. Não esperar nada de espalhafatoso mas apenas o bem estar das coisas simples.