segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Animação

Mais do que fazer grandes obras conta a animação que gera à volta da pintura e das "artistas" que vão fazendo os seus trabalhos com grande empenho. Nota-se uma clara evolução que só é possivel com trabalho e interesse pelo que se está a fazer, e isso nota-se pela núnero de faltas no grupo, que é zero, a menos casos de força maior. Hoje uma das "artistas" que foi operada a semana passada até telefonou para saber como iam as coisas... de facto assim sente-se motivação, e o isolamento não vence, pois todos procuram o convivio, que aqui também se tem !

domingo, 18 de outubro de 2015

Quarenta

Se tudo tivesse corrido da melhor maneira faria hoje quarenta anos da minha primeira ida ao altar ( primeira e única, como manda a Santa Madre Igreja ) . Estávamos no ano santo de 1975, um verdadeiro vulcão sobre as cinzas do qual decidimos dar o nó. Na altura pensámos um casamento dispensando cerimónia religiosa, estávamos nos anos quentes, e a Igreja fazia parte das "forças da reacção". No entanto, ameaçados pela sogra de não visitar mais a filha, e de se tratar de um casal "amantizado", como na altura se dizia, pensámos que não valeria a pena tanta celeuma por tão pouco siso, e fizemos a vontade à família e lá fomos ao Convento dos Capuchos, ali sobranceiro à Costa da Caparica, para uma cerimónia afinal bonita, à qual o noivo se apresentou sem gravata, apenas com camisola de gola alta, e a noiva foi vestida de verde, embora até aos pés, pois o casal na altura era militante da extrema esquerda e certas coisas não nos eram próprias. Daí apareceu a Inês e a Joana, uns anos mais tarde, e quando tudo parecia bem, afinal as coisas acabaram por correr mal. O cancro da mama acabou por pôr ponto final de forma prematura, dezassete anos depois deste dia. Houve "copo de àgua" e no final os noivos foram apanhar a "camioneta", o barco e o comboio para a sua "lua de mel" que foi perto, pois não havia nem carros nem carta de condução. Outros tempos, 23 anitos, como se diz "éramos jovens e tínhamos sonhos..."

Linha do horizonte

Uma linha que se avista quando se passa pelo IC1 no sentido Norte Sul, e se vê muito ao longe no horizonte, onde se adivinha uma vila aqui do concelho. Essa vila é Panóias e pintei este horizonte num pequeno acrílico de 40x30, muito bonito, e agora digo sem modéstia, pois a foto que tirei não lhe faz a devida justiça. Já teve para ser vendido mas o vlor pedido embora pequeno, não agradou ao interessado e assim mantenho-o na minha parede junto de outros horizontes, sendo que este me parece o mais conseguido de todos os que fiz. Fica aqui para apreciação, Já tem pelo menos dois anos.

sábado, 17 de outubro de 2015

Excluídos

Mais um dia mundial que hoje passa, o da Pobreza e da Exclusão Social. Para os bloggers preguiçosos isto é um maná, pois há falta doutro tema, temos sempre um dia mundial que nos relembra algo que nos passaria despercebido. Não é o caso, pois a dimensão da pobreza, ou da exclusão, é tão patente que está próximo do flagelo. Nalguns locais é endémica, como uma doença que se cola na pele, pensamos em África, na India, ou noutros locais onde nos habituamos a encontrar pobreza integrada na "paisagem", outro lado é a pobreza gerada por decisões dos homens, e aí vamos encontrar explicita ou envergonhada, nos "melhores" locais da Europa ou da América, onde ela convive com a abundância que revolta. Agora dedico-me a um pormenor referido hoje na comunicação, as crianças, os doentes e ainda pior "as crianças doentes", excluídas de tratamento, de cuidados básicos, ou até apenas de afecto. Um doente por si, dada a fragilidade muitas vezes sente-se um peso na sociedade, um estorvo para uma vida imaginada no "sucesso", um fracasso de vida, alguém que já "foi", daí a importância de ser "útil", de poder dar do pouco que tem, o que para muitos é incompreensível. A exclusão acentua-se se  ainda assim estiver nas "franjas", crianças ou idosos, e para isso não há governos, estados ou potências que possam resolver, pois a solução está na mão de cada pai, de cada filho, de cada pessoa. Será difícil de perceber ?

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Comer

Hoje é o Dia Mundial da Alimentação, ou seja um dia dedicado ao simples gesto de comer. No entanto se no mais vulgar animal, estender a mandíbula, abrir a bocarra, zurzir as gâmbias, amarfanhar, engolir, devorar, são coisas simples e fartas, nós temos uns hábitos mais estranhos. Não comemos qualquer coisa, temos um particular apetite por tudo o que faz mal, procuramos o que nos sabe bem, para satisfazer uma vontade que vem mais da cabeça do que do estômago. Depois para comer é preciso haver, e aí é que está, a escassez, real em zonas do globo desprotegidas por Deus, imposta nos locais onde à vontade de Deus se sobrepõe a dos mercados financeiros, que como são masoquistas, só querem que as pessoas passem fome, para produziram pouco e mal e não gerarem mais valias para os seus investimentos. É o grande capital, o capitalismo monopolista açambarcador, a explicar muita coisa. Assim comer passa de necessidade básica a luxo a que só alguns acedem com toda a qualidade e muitos não chegam de todo além das migalhas, Assim neste dia prefiro lembrar as desigualdades que subnutrem mais do que a igualdade na fome e na miséria que está por aí tão escondida. Assim até comer é um acto político...

Planicie

Mais um pequenito óleo da planície alentejana. A imagem é vulgar, e vê-se aqui por todo o lado, sem a vista lhe ver o fim. Hoje dia de sol de outono a humidade começa já a estimular o verde e puxar pelas sementes que já nasceram. Assim os campos mudam da tonalidade castanha do verão para este verde intenso. O amarelo por enquanto não está lá, pois ainda não nasceram flores. É um tom mais primaveril. Há muitos motivos de inspiração em todas as estações do ano. A diferença mesmo é que se trata de um dos raros quadros a óleo que fiz. Confesso que esta técnica ainda me deixa pouco à vontade.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Mulheres

As mulheres dão uma particular alegria ao cantar alentejano. Claro que apenas me limito a ouvir e pouco conheço da estrutura deste cantar, mas os homens em geral introduzem uma grande melancolia e um canto sofrido, Já as mulheres trazem a frescura que lhes é própria, para quem quiser ouçam o CD das "Papoilas do Corvo" e lá está um cantar alegre, por vezes malicioso e intencional. Já lá vai o tempo em que o cante era território de homens, aquilo a que chamo fase "feios, porcos e maus". Segue-se a fase de "bonitas, limpas e marotas". Fica aqui uma caricatura de um destes grupos, aqui misto, que também há.

Atalante

Um dos grandes clássicos do cinema francês, "Atalante" de Jean Vigo, de 1934, ano em que o próprio realizador morreu, com 30 anos. Vi ontem de novo, é a história poética de um casamento em que os noivos, vivem numa barcaça no Sena, onde o noivo é marínheiro, e a noiva, uma campónia que descobre através da viagem no Sena o encanto e a vida agitada da grande cidade, Paris no caso. O seu realismo a sua ingenuidade, a memória do velho marinheiro Pére Jules, fazem desta relíquia um encanto para quem gosta "mesmo" da sétima arte. No tempo da pobreza e da simplicidade onde as coisas eram mesmo o que pareciam, ou não falássemos de um filme realista. Na coleção dos 120 anos da Gaumont.

Campaniça

Sabe-se que a Viola Campaniça, com cordas de arame, é instrumento característico do Baixo Alentejo, particularmente nos concelhos de Ourique, Castro Verde, Almodôvar, e esteve em risco de extinção com a morte dos tocadores que não deixaram seguidores, felizmente Pedro Mestre tomou em mãos a salvação do instrumento, e hoje está em expansão, pois para além de o tocar e gravar, também constrói. Foi em boa hora que em Ourique se mandou colocar na rotunda da entrada nascente um escultura em ferro que relembra a importância da viola campaniça, a sua forma feminina e a música que dela se obtém, e que está gravada por Pedro Mestre, Campaniça Trio, entre outros, Fez bem o Municipio, não só o pão alimenta. Só falta um concerto de inauguração.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Desastre

Lamento, e sei que na esquerda poucos pensam como eu, mas se não o travam Costa irá iniciar o "caminho do desastre" !  Será que ninguém vê isso, se toma posse um governo com apoio do BE e PCP mais cedo do que tarde, teremos a perda da confiança adquirida e que, melhor ou pior, nos tem permitido ir saído do poço para onde Sócrates nos empurrou com o seu desvairado governo, incentivado por uma Comissão Europeia que mandava gastar, para contornar a crise. Hoje sabemos o que isso custou. Nas eleições Costa foi derrotado e não conseguiu convencer os portugueses da bondade do seu programa, foi pena. Mas agora quer impor mais do que aquilo que os portugueses recusaram, ou seja, o seu programa, misturado em salada russa com o programa anti Europa do BE e PCP, pior ainda do que o que foi recusado, baseado numa hipotética maioria dos  que são "contra". O problema é que os governos fazem-se com os que são "a favor", e não consigo descortinar quais os pontos programáticos comuns aos três partidos, tirando serem contra Passos ! Será que Costa acredita, ou como muitos dizem está apenas a salvar a pele à custa de uma marosca. Pois não nos enganemos, aritmética não é política !