domingo, 8 de novembro de 2015

Olhos

Se os olhos são as janelas da alma. as janelas são os olhos das casa, por isso gosto delas. Por aqui em Ourique e arredores há muitas que me têm servido de modelo e inspiração. Esta uma delas não está em grande estado e julgo que já a mostrei aqui, os anos passaram por elas, como muitas cabeças ali espreitaram, muitos olhos procuraram passar o olhar através das cortinas, onde muitas moscas pousaram., que muitas mãos abriram e muitas mãos fecharam, muitos segredos esconderam, muitos casos mostraram. Fica na rua aqui em cima, no ponto mais alto da vila.

Sol

Mais um bom dia de Outono, domingo, sol, ar quente e "acentuado arrefecimento nocturno". Aproveitei para um passeio no jardim, para por as pernas a funcionar, fazer algumas compras, e bater umas chapas. Claro que onde há sol há sombra, e não resisti ao lugar comum de tirar foto da própria sombra. ficou um auto retrato sombrio, mais rápido que a própria sombra.

sábado, 7 de novembro de 2015

Promessas

Geralmente é na campanha que se fazem promessas, pois para Costa a campanha continua ! Ele é descongelar, aumentar, reduzir taxas, dar livros, mexer no IRS no IMI, reverter as privatizações sempre a aumentar despesa e a reduzir receita. Ás promessas próprias, junta as do BE e do PCP, e faz-se um "programa de governo", que começamos a ver onde vai parar, a menos que a "mão de Deus"(agora na moda), pare os seus "desígnios demoníacos", para manter a linguagem. Habituados nos ultimos anos a contar todos os tostões, desconfia-se da esmola desmesurada, e é agora fácil de perceber que para financear esta rota tresloucada, ou se aumenta receita ou dívida, pois nos primeiros tempos não haverá problema, basta "despejar  os cofres", mas daqui a uns meses quando os juros forem insuportáveis, e já não houver cofres a que recorrer, qual a solução ? A do costume ...

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Camping

Hoje de tarde fui usufruir de um final de tarde quente junto da Barragem, e dei por mim a constatar algo que me tem escapado, que abriu finalmente (desde Maio vim a saber) um espaço de camping e um espaço de restauração, embora ainda um pouco tímido nas margens da barragem num local onde existia uma construção de um camping parado há alguns anos. Penso que muito falta fazer, mas é um autêntico desperdício que um espaço daqueles estivesse fechado com a bela paisagem mesmo à frente, que se pode ver na foto. Pelos menos dá para usufruir de um pouco de ar do campo, e de tarde a esplanada tem uma bela sombra. Claro que é preciso lá ir de propósito mas por vezes até falta pretexto para sair. O espaço é generoso, mas o comércio ali ainda está muito à defesa, pois a oferta é quase só de bebidas. Melhor que nada.

Companhia

Na minha ocupação diária aqui no meu refúgio alentejano, enquanto faço alguma coisa que me enche o coração, tenho de combater a solidão com algumas ferramentas. Na ausência das filhas, das "esposas", do cão, do gato, dos amigos, das certezas, das arrogantes impertinências, das pessoas que querem comandar as vidas dos outros, das formigas, dos biombos, das depressões, fico pela minha companhia preferida, ou companhias se quisermos, e que jamais me decepcionam e que resumo na foto que apresento, assim se combate o silêncio,  não o que está dentro de nós, pois esse eu aprecio, mas o silêncio da ausência de ideias, das imagens postiças ou das citações de Einstein, que ele nunca disse, e que pululam no Facebook como verdades absolutas, aquilo a que eu chamo o "paulocoelhismo" militante, cheio de idiotice, lugares comuns, gatinhos a fazer o pino e "verdades" que são apenas a vulgaridade elevada ao nível do discurso directo. Prefiro ouvir, ouvir e ler, ler e pintar, pintar e se calhar destruir a seguir.

Paris 2

Foto tirada no terceiro andar da Torre Eiffel a mais de 300m de altura
Pois neste meu roteiro pelas cidades que visitei teria de regressar a Paris, mais cedo do que tarde. E regresso ao dia 23 de Abril de 1990, a foto tem a data marcada por isso a precisão. Bonito é visitar a cidade luz, conhecer os seus meandros. mas mais bonito é servir de cicerone improvisado para quem a visita pela primeira vez. Foi o caso. No quadro de uma visita em trabalho éramos um grupo de quatro que fomos visitar vários locais da empresa em que trabalhávamos, todos em França, visando procurar copiar modelos de trabalho, coisa que fizemos, com a interajuda que sempre caracterizou o trabalho nessa empresa, nomedamente no Departamento que coordenava. Como sempre fazia-se um pouco de turismo, e eis que surgiu a oportunidade do grupo visitar o local mais emblemático da cidade, exactamente a Torre Eiffel, local onde esta foto foi tirada, e no seu ultimo andar à noite, de onde a vista é arrasadora no seus 300 metros de altura. O frio apertava, como se pode depreender do casacão que transportava sobre mim, que me foi emprestado, e do sobretudo da colega e amiga Isabel, hoje se calhar já avó, pois tudo se passou há 25 anos atrás. Esta visita ficou-nos na memória, pois a um trabalho que nos arrasou, juntou-se um programa turístico "after hours" em que não ficou pedra sobre pedra. Paris no seu melhor correspondeu e de que maneira.
Fábrica Boulogne-Billancout uma ilha no Sena, onde a marca nasceu. Os carros fabricados saiam de barco...
Várias coisas ocorreram nesta viajem, nomeadamente assistirmos ao anuncio ao vivo de encerramento da fábrica Renault de Boulogne-Billancourt, por Raymond Levy, na altura PDG da empresa, no dia em que fomos visitar a fábrica, a mais antiga do grupo, onde em directo se assistiu ao despedimento de vários milhares de trabalhadores. Ainda me recordo de assistir ao anuncio na garagem dos autocarros da fábrica, em postos de TV interna, e em estado de choque. Escusado será falar da cara dos atingidos, fulminados por um raio... Recordo que esta era a fábrica emblemática do grupo, onde os sindicatos eram reis e senhores, situada numa ilha no rio Sena, a Ile de Séguin, era como um barco navegando no rio. Hoje 25 anos depois nem sei o que lhe aconteceu, mas foi ali pertinho que Louis Renault tinha a oficina onde criou a famigerada marca francesa, para a qual trabalhei mais de 15 anos. Mais uma velha recordação duma cidade onde ainda espero ir antes de morrer, nem que vá de rastos.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Vergonha

Acho vergonhoso alguém valer uma reforma de 30000 euros mensais. Ou seja 60 salários minimos. Certo que se trata de um fundo privado, e a Segurança social nada tem a ver. Mas acho triplamente vergonhoso alguém receber 90000 euros mensais de reforma. Em qualquer caso. Mas no caso de alguém, ou "alguns", que causaram o maior dano ao país, à sua empresa, aos accionistas, aos clientes, que foram enganados, assumidamente enganados e espoliados das suas poupanças, e que o seu lugar deveria ser a prisão sem admitir caução, o caso ainda é mais grave. Costuma-se dizer, não é que lhe deseje mal, mas neste caso desejo mesmo que lhe aconteça o pior, pois pessoas destas devem ser banidas da sociedade e condenadas ao impropério público, pois não hesitaram em tudo fazer para à custa de cidadãos trabalhadores construirem impérios pessoais de que só podem ser despojados.

O outro lado

Geralmente costumo aqui mostrar o resultado, melhor ou pior, do meu hobby preferido, mas para dar origem a resultados de boa ou medíocre qualidade, é preciso passar por esta fase, ou seja pelo outro lado, em que bisnagas destapadas, agua suja, pincéis pestilentos, papel que parece saído  de uma latrina, roupa que se suja, mãos besuntadas, móveis protegidos por plásticos mas que muitas vezes se desprotegem e acabam também pintalgados. Não se pode andar à chuva sem a gente se molhar. Agora mandei arranjar a minha cadeira de baloiço onde gosto de estar sentado enquanto pinto, sim pois não consigo pintar de pé, para além de alguns minutos. Fica aqui a pálida imagem desse recanto bafiento...

S. Salvador da Bahía

Continuo a minha rota por cidades que visitei e onde algo se passou que recordo, pois terá deixado uma marca indelével. S.Salvador ou se quisermos, a Bahía, como se lhe chama também, é talvez a cidade mais encantadora que visitei, pois ao visitar encontramos nela um pouco da nossa cidade de Lisboa, uma luz extraordinária, um património que tem tudo a ver connosco e que mostra como os portugueses por ali viveram, construiram, deixaram marca na paisagem. Esta a grande cidade de Jorge Amado, para mim o maior escritor da lingua portuguesa, mas ali encontramos a mistura, entre a Europa e a África, entre o negro, o mulato e o branco, e recordo essa miscigenia patente nas ruas, nas lojas, no mercado, onde os cheiros e as cores das frutas nos enchem de aromas. Ali estamos em casa, mas vemos que alguém reinventou a "nossa casa". Visitei em 1995, já lá vão vinte anos, e recordo os sons da musica sempre no ar, que nos contagia, mesmo a mim, um rapaz pouco de se deixar entusiasmar, acabei a dar por mim a dançar numa das muitas festas populares que todos os dias estão por toda a cidade, e nestas festas ninguém te afasta, tudo te atrai, as pessoas são afectuosas, e a cerveja escorre com muita facilidade, as noites são quentes, o clima suave, tudo convida ao romance, à diversão, ao mistico.

Entre muito do que adorei na cidade está a Igreja do Senhor do Bonfim, onde sentimos uma mistica fabulosa. A igreja, pequena, está sobranceira sobre o mar, lá se compram as pequenas pulseiras de fita, que devem ser usadas até se rasgarem, para nos dar sorte, lá estão milhares de ex-votos que "atestam" as curas miravculosas do Senhor, sente-se fé, até um ateu empedernido ali se converte, por pouco tempo que seja acredita. Fomos para lá de autocarro e assim voltámos, a viagem ela mesma um espectáculo, a velha carripana ginga por todo o lado, o samba e a musica axé soa aos berros, e tudo segue o balanço, o ar entra pelas janelas, algumas sem vidros, o que permite que o transporte se funda com o exterior nas ruas onde as gentes se apertam, as baianas circulam com seus fatos brancos e os balangandans pendurados, e vendem na rua tudo o que se pode vender, da fruta aos pastéis, peixe e acessórios para colocar sobre o corpo, tudo é afecto, tudo e maravilha, tudo é mistico, tudo é santo, tudo é sol, tudo cheira bem, aquele cheiro tropical intenso. É sem dúvida uma das maravilhas da lusofonia, A ir uma vez na vida, e a perder-se no meio das gentes, sem circuitos turisticos obrigatórios.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Ambição

A notícia de que a DBRS pode descer o rating da Portugal, a concretizar-se, é a antecâmara de um segundo resgate, e pela segunda vez em menos de 5 anos o PS pode conduzir o país à catastrofe. E neste caso apenas para alimentar a ambição política de Costa, e permitir manter-se a flutuar nas águas da política, nem que para isso conduza o país ao desastre. O que custaria Costa portar-se de forma séria, deixar governar quem ganhou, abster-se no Orçamento, e negociar caso a caso e assim fazer valer o seu poder de leader da oposição? Para um país debilitado e a sair dos "cuidados intensivos" essa seria a solução que melhor servia o país e reforçaria a confiança fundamental para a recuperação. Assim não pensa Costa, e se não o detiverem vai conduzir de novo o país à bancarrota ( pelas medidas que se anunciam já sabemos que tudo não passará de fogo de vista, e a prazo o dinheiro não chegará e as taxas de juro não permitirão acesso aos mercados). A experiência do seu "amigo" Sócrates, de quem tanto se quis afastar mostra bem como é o "trajecto" para o abismo.