quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Quadra

Quadra antiga colocada e ilustrada numa tela não é a primeira vez que faço, e penso que fica um conjunto interessante, sendo que os rostos têm um registo caricatural de que gosto, até porque não sei fazer diferente ou melhor. A quadro é interessante e tem um lado de revolta, embora não pareça. Porque é preciso passar o dia sem sentir ? Porque os dias eram duros e de grande esforço. Claro que a imagem da ceifeira é uma imagem que passou, o trabalho já não se faz assim, mas ficam os traços desses dias em que era melhor passar o dia sem sentir.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Diabético mas... "arquitético"


Hoje é o Dia Mundial do Diabético, grupo no qual me integro, sem dramas e com algum proveito. Um dos proveitos é ser convidado para estas comemorações, e todos os meses ser objecto das atenções dos enfermeiros do Centro de Saúde local. Este ano veio uma proposta surpreendente, ajudar a fazer uma tela que seria pintada por diversos elementos do grupo em função das sua vontade, disponibilidade e gosto. Claro pessoas sem experiência excepto duas ou três que já andaram em sessões com o "professor". Assim se fez, e hoje no dia aprazado a tela foi apresentada em Beja, num dia que nos foi dedicado, a todos os diabéticos do BA, onde naturalmente me integro. Dado que fiz o projecto da tela, que pretende representar motivos de todas as freguesias do concelho, que são apenas quatro, tive o privilégio de ser fotografado junto da "obra" e de um conjunto de boas fotos que ilustram como foi feita, Mais uma vez o processo sobrepõe-se ao resultado, embora este não envergonhe  ninguém. Dado que temos muita paisagem construída na tela, eu diria abusando do português, "diabético mas.. arquitético".

domingo, 13 de novembro de 2016

Voices in the sky

Estas vozes não vêm do céu, pelo contrário são vozes que vêm da terra, da terra profunda, para parecem que vêm do céu, dada a sua força, autenticidade e claridade. Fiz mais uma tela alusiva a estas vozes agora tão celebradas, mas não sei se devidamente apreciadas. Eu gosto destas caras reduzidas na sua simplicidade caricatural. Pode ainda melhorar muito, muito, muito, basta ir pelo caminho que tenho seguido, tentativa e erro ! Tentativas não faltam, erros também muitos...

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Novo dia

Depois de promessas de chuva eis que o prometido Verão de S. Martinho afinal decidiu marcar presença, se bem que demasiado frio para que se lhe chame Verão. Hoje da manhã estava de partida para Faro onde  por vezes me desloco, não propriamente para ir à praia. E o Sol prega esta partida de se apresentar nascendo para o novo dia como se de um dia de Verão se tratasse. Afinal não. Depois as nuvens tomaram conta se bem que lá por Faro durante a manhã o calor ainda nos acalentava. Fica aqui um nascer do sol no meu terraço, mais um, os seja "um", porque este já não se repete.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A nódoa

Uma nódoa amarela convenceu meia América de que num piscar de olhos tudo se resolve. Esta uma das caracteristicas do populismo, reduzir tudo à simplicidade dos bons e dos maus, resolver todos os problemas "porque sou eu", iludir o "macacal", que para estas nódoas não passa uma massa inerte que joga a seu belo prazer. Mas esta nódoa que vai alastrar tem ainda outras caracteristicas, é mau, mal educado, ignorante e vigarista, "tem um problema com a verdade". Agora o líder reflecte o povo que representa, e  esse é um povo que parece ser de gente desesperada, humilhada e sem esperança, por isso a precisar de um lider autoritário, que os salve das malfeitorias dos politicos estabelecidos. Triste de um pais com uma nódoa a liderar, só pode dar uma grande lixeira.

Manchar

Parece simples, fácil e rápido. Ilusão. Um trabalho demorado e sistemático de camada em camada, até se obter o resultado final, que poderia ainda melhorar bastante, mas entendo que a certa altura cansa. Dado por terminado não poderemos insistir mais, se o autor aceita como está. Mais um trabalho terminado na Aldeia.

domingo, 6 de novembro de 2016

La solitude ça n'exist pas

Não estamos sozinhos se tivermos um livro, um disco, uma actividade mais ou menos artistica que puxe pela imaginação, estimule a criatividade. Este o meu espaço e as minhas melhores companhias, as telas, os pincéis as tintas, depois de um fim de semana de actividade. Actividade intensa que me prende às colas, às tintas, e através desses meios à realidade imaginada que está dentro da cabeça. Um outra companhia é também uma paixão, a música. Em permanência ouço tudo, de tudo, e esta acompanha a mão e conduz-me pelo labirinto da concretização do imaginado. A luta com a tela, a procura da técnica, ou a falta dela. A música dá uma mãozinha, mas sou eu que tenho de fazer e muitas vezes o resultado não satisfaz, Assim como diz a canção de Ferré "la solitude ça n'exist pas"

Z de Zambujo

Novo disco apenas com músicas de Chico Buarque, ouvi e acho formidável. Longe de ser um disco de versões o cantor permanece idêntico a si mesmo e canta Chico Buarque recriando e introduzindo o seu próprio estilo. Estamos verdadeiramente perante mais um trabalho de António Zambujo, onde na sua forma de cantar em bom português interpreta canções de Chico. E as canções nem são as mais conhecidas, algumas nunca tinha as ouvido, pelo que caminhou caminhos mais dificeis, pouco óbvios, contando com algumas colaborações, entre elas do próprio Chico que canta em dueto uma canção para mim totalmente desconhecida, é como se tivesse escrito novas músicas para a voz caracteristica do alentejano. Grande interprete e grande disco, talvez não seja um sucesso imediato, mas para os muito apreciadores de Zambujo, é mais um trabalho excelente. Chama-se "Até pensei que fosse minha".

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Leve

Se pensa que os pés são inestéticos ver aqui como podem ser de uma leveza de pomba, de uma simplicidade de gota de água. Tela pequenina de autor anónimo do sec XXI, ainda por terminar. Uma vez resolvido o fundo e salientanda a cor e os atilhos nas pernas fica "coisa bonita". Muito mesmo. Não esquecer que precisa de sombra... para que haja luz.

O coração dos palhaços também falha

Morreu Oleg Popov, talvêz o palhaço mais conhecido do mundo ainda a encantar aos 86 anos. Resistiu ao palhaço rico, ao público sem sentido de humor, aos arrogantes, aos subservientes, aos que não acham graça, aos que não têm graça, ao Estaline, ao Nikita, ao feio Breznev, ao colapso da URSS de que foi um simbolo vivo, a 25 anos a viver na Alemanha, mas finalmente o coração falhou. Só esse orgão o derrubou, coisa que nem o Comité Central conseguiu, apesar da manifesta falta de humor dos soviéticos,