quinta-feira, 20 de julho de 2017
Mulher tomando chá
Aventurei pelo caminho da representação do corpo humano, coisa que raramente faço, por manifesta falta de competência. Algumas representações que tenho feito não tenho gostado e acabam destruídas. Agora fui desafiado e tentei corresponder ao desafio. Gosto de desafios. Assim fiz este esboço que acaba por não estar totalmente mal. O problema é que como trabalho pouco o corpo humano nunca chego a ter um verdadeiro desembaraço no desenho. Tendencialmente fujo para a caricatura onde me sinto mais à vontade. Afinal é mais o meu registo. Este "boneco" segue um pouco o traço caricatural, mas a "mulher tomando chá" ficou de acordo com a ideia que dela tinha antes de desenhar. Assim deve ser. Concretizar uma ideia que se teve, melhor se for com competência. E dedico este pequeno trabalho a quem me desafiou. (É um desenho sobre papel a tinta da china, pintado com acrílico)
quarta-feira, 19 de julho de 2017
Cortar o cabelo (Apresentação 35 )
A neta Francisca foi ao baeta, como se costuma dizer. Primeiro corte de cabelo na cabeleireira da rua. Já tinha cabelo de mais e o verão falou mais alto, ficou com o cabelinho curto, e os olhos mais abertos. O corte muda tudo naquela cara, de forma que parece que tenho duas netas, uma antes, outra depois de cortar o cabelo. Se uma já era bom, duas melhor. Os cabelos que vieram da primeira conceção lá ficaram como coisa sem préstimo. Como boa árvore voltam a crescer, para os comentários do avô que tem sempre os olhos postos na neta, mesma que de forma virtual. Mas o que conta é o pensamento. (Nota: a criança da imagem não é a Francisca mas uma foto retirada da net... nada de confusões !)
terça-feira, 18 de julho de 2017
Paisagem
Em geral associamos a paisagem do Alentejo às planícies sem ter fim. Mas quando nos aproximamos do litoral aparece um relevo pouco alto, mas ainda assim interessante, onde floresce vegetação como arvoredo, que corta um pouco com tudo o resto. É o caso nesta foto que tirei em Relíquias que já aqui citei. É tudo Alentejo, tudo bonito, tudo calmo, diria mesmo pachorrento, em todo o lado se vêm muitas mulheres a fazer trabalhos, e se vê homens a beber umas minis, ou sentados junto das paredes que dão um bom encosto. Há exceções claro. Nada de generalizações abusivas senão acontece-me como ao outro.. Qual outro ? O Raposo claro ! Quem se mete com alentejanos leva ! Mas tudo isso é a paisagem, o encanto do lugar onde estar nem parece que se está. Apenas planamos sobre os lugares. Apreciamos sem ser preciso imergir totalmente, pois que não sou de cá e prezo muito a alma alfacinha. Agora a paisagem está-se a impor a Lisboa, ao contrário do que dizia o Eça ( estou-me a referir ao dito "País é Lisboa, o resto é paisagem" ). Paisagem revolta-te !!!!
No amor não há culpa apenas erros de análise
Pois que melhor título para este casal que eu "fotografei" nesta tela, já com uns tempos, do que este processo em que os dois se põem em plena análise a ver os prós e contras do partir e do ficar. Se fico não como, se parto posso encontrar o diabo. Qualquer hipótese é uma escolha entre o mau e o muito mau. O que tem o amor a ver com isso ? Nada. Não têm a culpa de não se alimentarem de ar e vento. São bichos e o mais básico do espirito animal vem ao de cima, a sobrevivência !!! Por isso, armado em consultório sentimental eu digo, até é normal que cada cegonha escolha o caminho, nesse caso quem tem culpa se correr mal ? Como não sei responder acho que o que pode ter acontecido são erros de análise, "nobody 's fault". Agora deu-me para isto ! Mas no fim o autor da tela, "moi même", até nem se saiu mal. Agora vai para uma parede de um restaurante, Pelo menos aí não falta alimento. "Bon appetit".
segunda-feira, 17 de julho de 2017
Os algoritmos têm as costas largas
Título estranho este. Algoritmos são fórmulas matemáticas que aplicadas na programação permitem que se execute de forma automática um tarefa. São muito falados hoje porque ajudam a criar perfis de utilizador e assim fazerem propostas comerciais. Tás a ver, nós consultamos o site do Continente à procura de manteiga, a partir daí todos os dias que se abra o computador querem-nos fazer comer manteiga à força !!! è um algoritmo que faz isso. Ora vem isto a propósito do filme "Money Monster" ultimo realizado pela pequena grande Jodie Foster, com George Clooney no papel principal, Ele apresenta um programa da TV de aconselhamento financeiro. Os espectadores seguiram os conselhos, e de um dia para o outro perdem 800 milhões. Um desses espectadores pega numa bomba e sequestra em directo o apresentador e pessoal da TV, quer saber para onde foi o dinheiro. Vem logo a explicação, o algoritmo que apoia a decisão de investimentos, falhou. houve um crash qualquer e lá foi o dinheiro. A habitual desculpa muito conhecida em Portugal "foi o sistema". Pois, só que neste caso a matemática ultrapassa o ser humano em honestidade. Na realidade o algoritmo foi "enganado" por decisões tomadas pelo CEO da empresa, que sacou uns trocos, e fazia por si investimentos para o seu bolso que se revelaram ruinosos. Assim deixem os algoritmos em paz, eles fazem o que se lhes manda, e melhor meter na cadeia alguns que ainda hoje se passeiam pela baixa !!! Vejam o filme, é muito bom.
domingo, 16 de julho de 2017
Cem mil
O meu blog "Sul e Sueste" completa hoje 100 000 visitas. É obra. Claro não serão cem mil pessoas mas mesmo assim fico contente pelos contactos. Nem sei quem são na maioria dos casos. mas quero agradecer a atenção, talvez algumas pessoas eu tenha tocado com as minhas palavras, embora muitas apenas leiam o resumo que coloco no Facebook, mas nem sempre. Para um blogger situado no interior do Alentejo, num concelho pequenino, penso que este número mostra que fiz algo interessante para alguns durante oito anos de actividade e 2636 posts dava para um livro ! O meu blog afinal nada conta da minha vida, embora seja um blog pessoal. Primeira mostra a minhas pinturas, sempre associadas a alguma ideia. Depois mostra as pinturas das alunas, quando posso, finalmente é um blog que mostra o meu mundo, o mundo que está para além de mim e que me interessa. Fala das vidas da vida, A minha vida essa pouco interessa, e não estou aqui para fazer catarse, Para isso vou ao psicanalista !!! Obrigado a todos, amigos, conhecidos e desconhecidos. Venham comigo ao meu mundo, um mundo pequenino cheio de grandes pequenas coisas.
Sunday Sunshine Morning
Parece o título de uma música dos Kinks dos meus saudosos idos anos 60, mas na realidade é apenas uma referência a uma manhã de domingo. ensolarada, com a temperatura a subir para os trinta e muitos graus, e o Alentejo como fundo à vista do meu terraço. Este calor mata-me, acabo por ficar numa letargia, uma passividade preguiçosa que não se recomenda a um sexagenário de bom senso que ainda quer dar ares de "estar para as curvas". Quais curvas, mesmo nas rectas o motor afrouxa, e a preguiça toma conta. Nesta manhã no entanto tratei da roupa, para mim tarefa de domingo, depois tenho mais que fazer. Por agora em vez de desperdiçar o sol, aproveito a sua energia para proceder ao processo físico de evaporação da água da roupa, o que qualquer dona de casa nortenha chamaria, "secar a roupa, carago !!!" ou coisa pior... Mas eu não sou dona de casa, muito menos nortenha !!! E a roupa que se lixe...
Tea for Two
Um conjunto de chá feito por uma das alunas as aulas de pintura. Um senhora que admiro pois sei das suas inseguranças e da dificuldade que tem com a vista. Mas o que falta em segurança sobra em vontade e apesar disso tem feito muitos trabalhos que usa em casa ou dá. Este nem saiu mal, com ajuda do "professor" no desenho, pois aí a maioria choca com a dificuldade no desenho. Ma as actividades são para fazer e facilitar no que se pode e não para criar dificuldades e negar ajudas. Assim ocupamos o tempo de forma positiva e sem stress nem falsas compaixões. Se não consegue a gente ajuda. Esse o meu lema.
sábado, 15 de julho de 2017
Altice rima com...
Durante esta semana muito se falou da Altice, Costa descascou, Passos defendeu, a própria procurou limpar, em causa os "despedimentos" encapotados, a tranferência de pessoal, a compra da Media Capital, a vontade de criar um Banco digital, entre outras manobras, decisões ou confusões. Na realidade temos de ver que esta Altice começa por ser um fundo que visa rentabilidades rápidas, e se possível comprar barato e vender a prazo mais caro realizando mais valias. Por isso vale tudo. Mas para quem tanto critica a compra da PT pela Altice, deve pensar bem pois a fonte de todo o mal foi a venda da Vivo no Brasil, acompanhada pela compra de 30% da Oi, empresa falida já na altura, gerida por um bando de corruptos, alguns hoje presos no Lava Jato, e posterior fusão da PT com a Oi, tudo apadrinhado pela pandilha, Sócrates, Salgado, Granadeiro e Bava. Aí começou a desgraça que levou mais tarde a Oi a vender a PT para realizar capital pois estava afundada. É aí que aparece a Altice, e foi sorte. pois já nessa altura era a Oi e não o estado português a verdadeira dona da PT. Já se percebeu o que acontece a quem se mete com gestores brasileiros. Agora queixem-se. Quanto à Altice o que posso dizer é como cliente, aí à medida que perdem clientes, sobem os preços para compensar! Talvez seja aldrabice a palavra com que rima...
sexta-feira, 14 de julho de 2017
Poemas quotidianos

Cá está mais um post que nada diz a ninguém tirando ao seu autor, um homem do antigamente, que ainda lê livros velhos, e os compra em alfarrabistas, que ouve CDs, um velho de cabelos brancos, olhar desfocado, algo pitosga, muito agarrado aquelas coisas que naqueles anos faziam a diferença, entre os "aburguesados" de gravata que íam às discotecas e engatavam umas miúdas, e nós "os outros" de barba por fazer, desalinho nas roupas, e cabelo por pentear, andávamos com livros forrados com capas de papel, porque os livros que trazíamos sempre debaixo do braço não se podiam exibir em certos ambientes. Estávamos alguns anos antes do 25, e qualquer gesto podia ser mal interpretado. Nessa altura, 1967, saiu um livro, ou melhor a reedição de um livro original de 1957, chamado "Poemas Quotidianos", de um autor sem nome, António Reis, que teve grande aceitação neste grupo de gente, nós os barbudos e mal vestidos... Os poemas eram curtos, diretos, melancólicos, escritos por alguém sufocado pelo país de opereta do salazarismo. Foi-me emprestado pela minha amiga da altura, a Graciete, rapariga um pouco mais velha, que andava em Letras, como era natural nas meninas da altura, e também gostava desta poesia desesperada e chã ! Gostei tanto que, não havendo papel para o comprar, e não tendo ainda sido inventada a fotocopiadora, decidi copiá-lo com a minha máquina de escrever Olivetti, pois o livro até era pequeno. Hoje a Graciete é catedrática na Sorbonne, decerto reformada, sob o nome Maria Graciete Besse, nunca mais a vi, o autor deste texto já não tem barba, embora continue a vestir-se mal, António Reis morreu em 1991 sem grande obra publicada para além dos ditos poemas quotidianos, os "aburguesados" tiveram filhos das meninas que engataram nas discotecas, o Salazar caiu da cadeira há 50 anos, e o principal motivo desta crónica que já vai longa é que o tal livro ensimesmado e carregado de melancolia foi agora reeditado de novo, em 2017, altura em que fazem 50 anos da segunda reedição de 1967, Está na "Tinta da China", custa pouco mais de 12 euros, e eu agora vou poupar os dedos. Leiam, talvez não compreendam !
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