domingo, 30 de julho de 2017
O Presidente Rei
Domingo podemos parar um pouco para pensar. Marcelo deu uma entrevista ao DN, em que o menos republicano de todos os presidentes da democracia, digamos um Presidente Rei, declara a sua maior fidelidade ao Parlamento, dizendo que a maioria só deixará cair este governo se quiser. É uma evidência mas também uma forma de dizer, não contem comigo, nem num sentido nem noutro. Vêm aí as autárquicas, a tal linha vermelha de que ele falou, e a partir de agora se querem continuar entendam-se nos projetos fundamentais para o país. Eu por mim nada farei contra. Aprovo totalmente, assim deve ser. Cada vez mais a taxa de aprovação deste Presidente sobe, adquirindo um estatuto quase "real", o que lhe permite uma intervenção sem limites, onde aliás não tem faltado, apagando alguns "incêndios" da política e dos políticos, sempre prontos a aproveitar a desgraça para a "surfarem". Tem estado bem o nosso Presidente, e sem duvida que vamos ter presidente para os próximos oito anos.
sábado, 29 de julho de 2017
A vida é a cores
Eu sei a tendência que temos para o cinzento. Para a lamentação, o pessimismo, para a queixa com muitas ou poucas razões. Mas não fomos sempre assim. Que é feito do povo dos "navegadores", dos "aventureiros" sem limite, da latinidade marítima ? Nada ! Ficou em pó ! Agora rói-nos a inveja, o "poucachinho", a canção da desgraçadinha. Apesar de tantas coisas boas terem ocorrido no último ano e meio. Mas basta uma desgraça para nos atirar, sem hesitação, para a valeta do desânimo. Assim passamos uma semana a discutir quantos morreram. A lançar ultimatos, feitiços, insultos sem nenhuma lógica, a discutir conclusões que ainda não foram retiradas, a pedir comissões e a desautorizá-las. A lançar avisos traiçoeiros, a prever novas vindas do diabo, a falar da inevitável rota para o abismo. Começa a fartar, senhores políticos da oposição ou do governo. Não queremos isso. Arrepiem caminho, e preocupem-se como melhorar, como fazer melhor, diferente, como resolver problemas e não como criá-los. A vida é a cores, não esqueçam. Não queiram condenar sempre as pessoas a escolher entre o mau e o péssimo. O preto ou o branco. Ou melhor, entre dois tons de cinzento.
Mercadinho
Após algumas falhas hoje voltei ao mercadinho em Ourique. A novidade foi que hoje foi ao ar livre, no jardim em frente ao parque infantil. Fiquei a saber que se chama Praça de Garvão. o que me levou a Garvão inutilmente. O ambiente era o do costume, um pouco mais de gente, pessoas a vender o que fazem, a organização inexcedível em simpatia, competência e boa vontade. Gosto de estar por ali a pintar e a ver o que se passa. Podia ser um pouco mais concorrido, mas para mim, cujo objetivo não é vender, isso conta pouco. O meu interesse é dar a conhecer o que faço, ver a reação das pessoas, pintar ao vivo, coisa que devia fazer mais, e mostrar que alguém que não é da terra, a valoriza. Algumas das "alunas" fizeram grande festa quando me viram por ali a mostrar trabalhos. Correu bem a manhã. Fica aqui uma foto.
quarta-feira, 26 de julho de 2017
Telhados
A partir de uma foto que tirei do local onde costumam decorrer a aulas de pintura acabei por pintar esta tela que mostra a matriz e uma chaminé na vila de Garvão, aqui bem pertinho (12 Km daqui), e dá para ilustrar a beleza do património urbano local, dentro do que a minha competência me permite. Pintar, mesmo sendo formas geométricas, realistas, e muito próximo de registo do concreto, acaba por dar um grande prazer e de permitir uma expressão de sentimentos que essa capacidade de reproduzir por desenho e tintas afinal é. Gosto assim de me basear no real figurativo, não que o abstrato não me atraia, mas a falta de uma referência para mim é uma grande limitação.
terça-feira, 25 de julho de 2017
Mão (Apresentação 37)
Este poema é do livro "Poemas Quotidianos" e naturalmente dedico à Francisca, o meu prolongamento mais remoto. Deve ler-se neta onde se lê filha....
Não é a tua mão
filha
que eu levo
na minha mão
é uma raiz
que eu planto
em mim mesmo
Não é a tua mão
filha
que eu levo
na minha mão
é uma raiz
que eu planto
em mim mesmo
António Reis "Poemas quotidianos"
segunda-feira, 24 de julho de 2017
Desprezo
"Quando a mulher ama, adora. Quando o homem ama, despreza, porque alguma insignificância deve ter a espécie feminina para permitir o erotismo".
Mais uma citação desconcertante de Agustina, no livro que estou a ler, chamado "Fama e Segredo na História de Portugal" de 2006, pois desde lá que Agustina deixou de escrever, atacada pela doença. Referia-se á relação de Dom João II com as mulheres. Mas a frase é intrigante e nela Agustina apresenta o homem como misógino e contraditório. Como pode o desprezo ser uma forma de amor ? Ainda por cima em nome da menorização do erotismo, quando se passa a ideia de que o homem lhe atribui uma excessiva importância ? Mas se pensarmos melhor ela terá alguma razão. O homem vê a mulher como uma forma de "pecado" do qual não consegue escapar. Diz-se, o diabo conquista o coração do homem através da mulher, não sei onde li isto, e esta relação contraditória faz do homem um infeliz em potência. A mulher nesse aspeto é previlegiada pois sempre é o centro da atenção, o chamado "objeto do desejo". O homem que despreze, só lhe faz mal.
Mais uma citação desconcertante de Agustina, no livro que estou a ler, chamado "Fama e Segredo na História de Portugal" de 2006, pois desde lá que Agustina deixou de escrever, atacada pela doença. Referia-se á relação de Dom João II com as mulheres. Mas a frase é intrigante e nela Agustina apresenta o homem como misógino e contraditório. Como pode o desprezo ser uma forma de amor ? Ainda por cima em nome da menorização do erotismo, quando se passa a ideia de que o homem lhe atribui uma excessiva importância ? Mas se pensarmos melhor ela terá alguma razão. O homem vê a mulher como uma forma de "pecado" do qual não consegue escapar. Diz-se, o diabo conquista o coração do homem através da mulher, não sei onde li isto, e esta relação contraditória faz do homem um infeliz em potência. A mulher nesse aspeto é previlegiada pois sempre é o centro da atenção, o chamado "objeto do desejo". O homem que despreze, só lhe faz mal.
Os ditadores
Esta frase de Agustina, citada de um dos seus livros que estou a ler, referia-se ao rei de Portugal Dom João II, que governou de 1481 a 1495, mas podia-se aplicar a qualquer um. Veja-se a imagem de Nicolás Maduro, um ditador "de esquerda", que na maior cegueira, conduz a Venezuela, que chegou a ser um exemplo de democracia, ao caos e à ruína, por achar que todos os apoiam, ancorado no seu mundo delirante, rodeado de defesas para o seu ego psicótico, surdo à realidade. Esta semana vai fazer uma eleição fantoche para mudar a Constituição, e procurar uma "legalidade" que o eternize no poder, enquanto o povo morre de fome e de falta de bens essenciais como medicamentos, Até quando meu Deus o humano sofre desta vertigem de se sentir bem no lugar do Criador ? Porquê um modesto condutor de autocarros, sem nenhuma preparação, se convence desta ideia de que é um "salvador" ?
Avezinhas
Hoje mais uma sessão do ATL e a criançada foi desafiada a pintar uma avezinha que está em grande risco de extinção, penso que ainda não tinham ouvido falar, o priolo. Como já aqui expliquei vive na zona mais oriental do arquipélago dos Açores e a sua ameaça tem a ver com a progressiva extinção da floresta característica da região, aos poucos substuida por prados para a produção de carne e leite. Arregaçaram as mangas e fizeram tantos priolos que a sua população aumentaria. Com muita ordem e arrumação, coisa rara nos anteriores ATL. A orientadora Daniela é de facto muito responsável e organizada e mantém a criançada bem focada e não dá "abébias" !!! Assim as coisas correm bem.
domingo, 23 de julho de 2017
Sobre os telhados
Uma vista sobre os telhados de uma vila cá do concelho para mostrar que Alentejo não é só campo, planície, borrego, porco e outras "paisagens", também o património construído tem que se diga e apresenta pontos dignos de inspiração. Aqui vemos o pormenor da chaminé e ao fundo a Igreja Matriz. Claro que algumas construções não integram bem o conjunto mas também não podemos ser fundamentalistas, temos de viver no conforto. Felizmente já não há antenas de televisão e poucos cabos elétricos. A luz essa está lá toda como é normal aqui para o sul, e faz as delícias de qualquer um interessado na pintura, pois ela realça tudo e faz contraste com uma sombra tão intensa como a luz. Um desafio.
Priolo
Hoje domingo vamos dedicar tempo a causas. O priolo, um pássaro endémico nos Açores, nomeadamente na parte oriental da ilha de S.Miguel, único local no mundo onde é conhecido e onde se encontra em extinção. Muito tem sido feito para reverter tal situação o que parece estará a acontecer. Mas a maior ameaça é o declínio da floresta laurisilva nas ilhas dos Açores, onde nidifica e se alimenta. Já alguns projectos foram lançados para o salvar, com algum sucesso. Decidi pintar rapidamente um esboço de dois priolos, e amanhã no ATL vamos trabalhar mais um bicharoco ameaçado. Espero que a criançada adira.
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