terça-feira, 8 de agosto de 2017
25
Vinte cinco anos atrás estávamos tristes, envolvidos pelo sofrimento de uma morte prematura, pela revolta da partida, inapelável, sem recurso e sem regresso. Uma vida que se destroçou na vertigem da doença prolongada, como agora chamam de uma forma benevolente. Um corte com a esperança de prosseguir o sonho, com a liberdade de conhecer filhos adultos, netos, de acompanhar o desenvolvimento daqueles que se ama. E a consciência da morte não alivia, apenas tortura, por isso também foi libertação do fardo de um corpo que pesa. Sei que muitos torceram o nariz a muito do que se passou, ou supõem ter-se passado. A reação de cada um perante a força da morte é assunto seu. A morte nunca é um problema bem resolvido. Apenas desilusão, frustração e falhanço. Para quem morre e para quem sobrevive. Muito mais tarde estive também esperando a morte entrar pela porta da enfermaria. Mas eu tinha a possibilidade de também a salvação chegar antes. Aconteceu. não posso imaginar como seria se ela tivesse falhado.
Acreditar
Fecham-se portas outras se abrem. É o ciclo da vida. Depois das deceções podem vir possibilidades novas que nasceram delas, podem-se abrir portas que estiveram fechadas, e como por milagre deixam passar solução. Nem sempre isto é ingénuo, mas aqui o que interessa é o resultado. Acreditar pode dar um resultado, desacreditar só dá desgraça.
Mentalidades
Os últimos dias têm sido muito edificantes para mim. Tenho visto pessoas em stress, fora da zona de conforto, a terem de decidir e as estratégias que montam para as suas decisões ou indecisões. Como a idade também nisso tem relevância. Perante as situações de pânico a primeira opção é passar ao lado ou se possível fugir. Hoje diz uma coisa logo a seguir diz-se outra, o compromisso tomado agora, afinal amanhã já não é, um passarinho passou e disse que o vento soprava para outro lado. Ouvi dizer que, porque não disseram que (nunca perguntou...), afinal vieram dizer que, assim não é bem como pensava, bolas, e você o que é que pensa !!! No meio contam as opiniões dos outros, mas apenas para justificar a minha que é... pira-te ! E onde ficam os meus valores, onde fica a minha palavra, onde fica o sentido de responsabilidade, onde ficam os homens com H (e as mulheres ?) Mistério. Olha, ficam os velhos, e os que não podem sair.
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
Estado de espirito
Quando acreditamos em alguma coisa ou em alguém e isso nos trás deceção qual o estado de espirito ? O normal será revolta, vontade de vingança, querer romper com a situação que nos desiludiu, quebrar laços se for esse o caso. Outra atitude é querer recuperar a confiança naquilo que nos desiludiu ou na pessoa que não se portou bem connosco, perceber o que se passou, porque se passou, e recuperar aprendendo com a experiência mal vivida. Curioso que eu sou mais pela segunda solução. Faz-me mal alimentar ódios, é penoso para mim querer a vingança, ou a retaliação. Sou parvo, eu sei, por vezes penalizo-me porque não disse "não" na altura certa. mas detesto a queixa e a vitimização. Se não esteve certo nós, que pactuámos ou aceitámos a situação somos os primeiros culpados. Vitimas de manipulação só o são porque se deixaram manipular, terão de aprender a viver melhor a vida, prever melhor o erro, não confiar tão facilmente, serem mais perspicazes. Também não me atrai a culpa, procuro ver a situação na sua forma positiva, se a tem, e há sempre um lado bom, mesmos nos piores momentos. E as pessoas não são definitivamente más nem boas, são elas mais a sua circunstância.
Nebraska
Vão-me dizer que ando a ver filmes demais. Talvez ! Mas tenho tempo e com o calor melhor estar no AC. Desta vez vi Nebraska de Alexander Payne e fiquei empolgado. É aquele filme que todos os filhos e todos os pais deveriam ver, que devia ser mostrado em todas as aulas de educação cívica, assim como o "Daniel Blake". O filme é de 2013 e comprei na FNAC por 5 euros. Vi agora devagarinho. Vou contar um pouco. Um pai idoso quase demente, recebe uma daquelas cartas promocionais a dizer "ganhou um milhão de dólares", o resto está escrito em letras pequenas... Mas para receber tem de atravessar 3 estados e fazer 1200 km. Convence-se de que é mesmo verdade e foge várias vezes de casa para a pé ir buscar o seu prémio imaginário. Todos o tentam demover mas nada o faz recuar. Quer comprar uma carrinha, embora não conduza, e um compressor de ar, só isso, com o dinheiro, um sonho de vida. Todos o contrariam e desdenhar, mas o seu filho David não, Embora sabendo que é mentira, disponibiliza-se para ir com o pai em viagem de dias, levantar o prémio que sabe não existir, apenas para o pai viver mais uns dias de felicidade. O resto é uma história de amor de pai e filho, jamais escrita, e o epilogo final muito forte e comovedor, de gestos que não imaginamos neste mundo, movido pela cultura do dinheiro, e em que filho não desvia do seu caminho pelo pai. Uma história muito real, provando que a ficção também pode ultrapassar a realidade.
terça-feira, 1 de agosto de 2017
Aquarius
Quem não viu que veja, eu não tinha visto. Um filme brasileiro que nos enche, sobretudo a nós que estamos a viver aquele momento da vida em que damos já mais valor às memórias que a muitas realizações, e que ainda queremos a partir delas realizar bem os dez ou quinze anos de vida que nos faltam, antes da queda definitiva. Aquarius é um filme que se baseia na ideia simples de uma sexagenária pretender manter a casa onde sempre viveu, foi feliz numas coisa infeliz noutras, amou, teve e criou seus filhos, ouviu as suas músicas, e pretende morrer. Contra esta ideia simples e razoável, a ganância de uma imobiliária do progresso, que quer derrubar o prédio para construir uma torre de habitação de luxo. Mas para além desta história vamos desdobrando as memórias, relendo a sua relação amorosa, a sua relação com o cancro, ela é mastectomizada, e a sua relação com filhos, aquilo que lhe resta depois de anos de vida preenchida com as coisas do costume. Sónia Braga, faz aqui de Clara e penso que também de Sónia Braga ela mesmo, também vitima do cancro da mama. Faz pensar muito a quem deu muito, e no momento de se recolher não tem direito às suas memórias.
segunda-feira, 31 de julho de 2017
Bisavó (Apresentação 38)
A netinha mais bonita do mundo (a minha), para lá de ter um avô babado também tem uma bisavó. Para ela, de 86 anos, nem imagino o efeito que lhe provoca contactar com a bisneta. Carregada de energia positiva, correndo tudo, agora que já anda com desembaraço, contagia a senhora ao ponto de durante uma semana não falar de mais nada. As dores esquecem-se, a tensão está boa, a enxaqueca recua, a queixa reverte. Afinal a netinha (a mais bonita do mundo) também melhora a saúde.
Jeanne Moreau (1928 - 2017)
Morreu a atriz da beleza contida, protagonista de alguns dos filmes que mais aprecio. Os anos 60 foram a sua praia, sempre em papéis de grande densidade, com desempenhos íntimos e minuciosos, o espavento não era o que mais apreciava, sendo que a sua beleza e talento não precisavam de demonstração. Talvez já diga pouco aos atuais, que interessa, se marcou a vida cinematográfica ao nível das estrelas. Curioso que o ultimo filme em que participou foi em 2011, dirigida por Manoel de Oliveira, "O gebo e a sombra".
domingo, 30 de julho de 2017
O Presidente Rei
Domingo podemos parar um pouco para pensar. Marcelo deu uma entrevista ao DN, em que o menos republicano de todos os presidentes da democracia, digamos um Presidente Rei, declara a sua maior fidelidade ao Parlamento, dizendo que a maioria só deixará cair este governo se quiser. É uma evidência mas também uma forma de dizer, não contem comigo, nem num sentido nem noutro. Vêm aí as autárquicas, a tal linha vermelha de que ele falou, e a partir de agora se querem continuar entendam-se nos projetos fundamentais para o país. Eu por mim nada farei contra. Aprovo totalmente, assim deve ser. Cada vez mais a taxa de aprovação deste Presidente sobe, adquirindo um estatuto quase "real", o que lhe permite uma intervenção sem limites, onde aliás não tem faltado, apagando alguns "incêndios" da política e dos políticos, sempre prontos a aproveitar a desgraça para a "surfarem". Tem estado bem o nosso Presidente, e sem duvida que vamos ter presidente para os próximos oito anos.
sábado, 29 de julho de 2017
A vida é a cores
Eu sei a tendência que temos para o cinzento. Para a lamentação, o pessimismo, para a queixa com muitas ou poucas razões. Mas não fomos sempre assim. Que é feito do povo dos "navegadores", dos "aventureiros" sem limite, da latinidade marítima ? Nada ! Ficou em pó ! Agora rói-nos a inveja, o "poucachinho", a canção da desgraçadinha. Apesar de tantas coisas boas terem ocorrido no último ano e meio. Mas basta uma desgraça para nos atirar, sem hesitação, para a valeta do desânimo. Assim passamos uma semana a discutir quantos morreram. A lançar ultimatos, feitiços, insultos sem nenhuma lógica, a discutir conclusões que ainda não foram retiradas, a pedir comissões e a desautorizá-las. A lançar avisos traiçoeiros, a prever novas vindas do diabo, a falar da inevitável rota para o abismo. Começa a fartar, senhores políticos da oposição ou do governo. Não queremos isso. Arrepiem caminho, e preocupem-se como melhorar, como fazer melhor, diferente, como resolver problemas e não como criá-los. A vida é a cores, não esqueçam. Não queiram condenar sempre as pessoas a escolher entre o mau e o péssimo. O preto ou o branco. Ou melhor, entre dois tons de cinzento.
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