segunda-feira, 30 de julho de 2018
Fisio Terapias
O meu percurso de vida mais recente tem sido acompanhado por uma fragilidade galopante em que aos poucos a massa muscular, que não era muita, parece fenecer, o desgate insuportável, a sensação estranha de as pernas não suportarem o peso do corpo, e o corpo ser demais para a capacidade das pernas. Lá se vai o equilibrio e muitas vezes só o estar de pé já é esforço a mais. Já há algum tempo procuro fazer fisioterapia e o objecto para mim é ao menos não perder mais esses musculos debilitados. Acontece que nos ultimos tempos tenho feito mais com um professor de ginástica, e aí a vida tem sido mais dificil. Exige talvez esforço de mais, embora o tipo de exercicios sejam normais, como sentar e levantar de uma cadeira. o que seria simples se não tivesse feito 45 vezes, claro que com interrupções. Resultado ao chegar a casa apenas via uma cama, e toda a tarde as dores eram terriveis nos membros inferiores, uma ressaca a esse esforço. Vou procurar continuar mas com moderação, pois não faz parte de mim a palavra abandono ou desistência. Apenas dificuldade. A vida no campo tem destes percalços.
domingo, 29 de julho de 2018
Sandwich em pelicula aderente
Hoje regressei de Setúbal, a tal cidade com que tenho uma relação de amor ódio. Foi muito o lá ganhei foi mais o que lá perdi. Fazem parte da vida esses momentos de frente e verso. Lá ganhei experiência, dinheiro, amizades até amor. Mas lá também os perdi. Nem interessa nada agora, em que o presente importa mais, uma vez que o futuro, o meu futuro, é por demais incerto e sempre percorrendo o caminho na beira o abismo. Fui e regressei, com uma missão familiar, e dela dei conta. Já tinha reparado, mas hoje decidi parar e fotografar. Esta nova moda, talvez novidade apenas para mim, de embrulhar a palha após o seu corte numa embalagem de película plástica branca, assim como se fosse uma sandes de presunta embrulhada numa película transparente. Percebo que se trata de proteger das intempérides, para que no inverno o gado se console com uma sandwich de palha com sabor a verâo, sem humidade ou apodrecimento. Mas os campos ficam com um aspecto deveras industrial, os mesmos campos que há uns meses atrás estavam plenos de flores. As fases do ano, tudo tem seu tempo, e o tempo as suas manias.
sábado, 28 de julho de 2018
Açucar pra mim é medicamento
Neste momento vivemos a época morna em que nada acontece, em que os jornalistas tudo fazem pra procurar tema, não tem futebol, politica parou, escândalo vai aparecendo ou vamos inventando, graças a Deus as desgraças prosseguem indiferentes ao clima e às agendas, para alimentar títulos de jornais. Vem ao caso as cerca de uma centena de mortes na Grécia devido aos incêndios e as histórias de pessoas que apenas se salvaram pois se refugiaram no mar. Ainda hoje a história de um bébe que após várias horas de luta acaba por morrer nos braços da mãe refugiados no mar. A vastidão da desgraça não resiste ás insinuações de fogo encomendado por agentes imobiliários pouco escrupulosos. Mas como aqui em Portugal, no fim prendem-se meia dúzias de doentes mentais, outra de alcoólicos, e fica a justiça feita. Nem sabemos se afinal tudo não passa de maledicência, fogo é mesmo fogo, uma tenebrosa realidade do verão mediterrânico, que pelos vistos agora contagiou também o norte da Europa. Já não sabemos onde estamos bem, onde há segurança. Aqui na minha vida no campo nem se ouve falar de nada. Hoje quase não saí à rua, e não sairia se não fosse acometido por uma súbita gula de comer um pastel de nata, e fui de propósito comprar. Um veneno para os diabetes, mas como pra mim açucar é medicamento, fico integralmente perdoado. Afinal parece que fui à farmácia e não à pastelaria.
sexta-feira, 27 de julho de 2018
Dois anos um mês e onze dias
Recebi há pouco uma foto da neta Francisca com seu baldinho na praia. Como o tempo passa, e utilizando uma sigla agora muito em voga pelos professores, faz hoje dois anos, um mês e onze dias. Gostaria de publicar a foto mas os pais são avessos a estas modernices e querem proteger a pequena. Hoje quero aqui relembrar o que foi a entrada desta pequenina na vida do seu avô, que a adora e de quem ela parece gostar muito. Um verdadeiro presente que uma das filhas me deu pois, apesar de com as minhas fracas forças já agora tenho dificuldade em pegar, a energia que me comunica , sendo cansaço é também benção. Todos os avôs gostam dos seus netos, assim suponho, mas neste caso eu vivo com especial enlevo a presença dela e a forma tão desembaraçada com que brinca com o avô, a maneira como corre para mim deixando-me babado em todos os sentidos da palavra. Sinto nela o verdadeiro apelo do sangue, uma magia em que os nossos genes parecem reconhecer o que é seu, em que pele conhece a pele, um olhar cruza com o seu olhar. Dois anos um mês e onze dias como o tempo passa, e como aquele sopro de vida se tornou na rapariga do baldinho cuja foto contemplo,
quinta-feira, 26 de julho de 2018
Arrebatador
Acabei de ler. Quase setecentas páginas num ápice. Um thriller, ou seja um romance de mistério em que a cada momento as certezas se vão e novas pistas se encontram. E no final tudo muda. Um livro que também segue o percurso da literatura, e o amor entre pessoas muito diferentes. No final o desaparecimento de Nola Kellergan, adolescente de quinze anos desaparecida para sempre há trinta e três anos fica esclarecido, mas antes conhecemos o percurso de uma jovem com mais vida do que se suporia, mais madura e portadora da virtude de fazer os outros felizes. Gostei e recomendo para férias.
Um dia igual à vida
Uma imagem vale muito. Hoje que foi dia dos avós, mais uma iniciativa comercial, mas que muitos aproveitam para lhe dar algum conteúdo. Na Associação fizeram com os idosos uma actividade deveras interessante e que nos deve deixar a pensar. Desde algum tempo que tem sido pedido às familias dos utentes que enviem fotografias dos netos desses utentes, quase todos idosos muitos em estado de grande debilidade fisica. Claro que muitos dos familiares ignoraram o pedido apesar de ter sido explicado o fim em vista. Mas cerca de metade respondeu. E hoje durante a manhã foi feita uma apresentação das fotos dos netos aos avós ali presentes. E o resultado foi bem comovente. Para muitos deles os netos eram desconhecidos, alguns nem sabiam os seus nomes nem as suas idades, outros não viam imagens deles fazia anos, levantaram-se para ver as imagens projetadas mais de perto, para muitos o afastamento era total, e o reactivar destas imagens do passado emocionou. Não estou aqui a fazer julgamentos. Eu sei que a vida muitas vezes separa o que deveria estar junto cria barreiras onde deveria haver compreensão, por culpa de uma nova geração com outros valores, ou sem eles, mas também muitas vezes por culpa destes avós que durante tempo não alimentaram a relação sentados na sua arrogância e falta de afectividade. Nem todos os netos são indiferentes, nem todos os avós são o afecto em pessoa. Afinal somos todos individuos com defeitos e virtudes. Criamos laços mas também os destruímos. Aproximamos e afastamos todos os dias da vida.
terça-feira, 24 de julho de 2018
Incêndios
A situação que se vive agora na Grécia, com mais de setenta mortos em inúmeros incêndios, relembra o que se passou em Portugal no ano passado. Mas ainda mais preocupante os incêndios na Letónia e na Suécia, embora sem provocar vitimas indicam que o mundo está mesmo a mudar. São países frios, com vegetação exuberante e carregados de humidade, quase imunes a este tipo de eventos, sendo que a Suécia, um país rico, nem sequer dispunha de uma frota de aviões para combater fogos, pura e simplesmente porque não era necessário. Isto mostra-nos que o mundo está de facto em mutação climática, nomeadamente no que se refere a um global aumento de temperatura, com impacto nas regiões polares, degelo e aumento do nivel das águas dos mares. Só os ignorantes continuam a tapar os olhos com uma peneira, não vendo a realidade . E a Humanidade comandada por este bando de gente ignorante, sem cérebro, movida por interesses imediatos, caminha alegremente nem se sabe para onde. Penso na minha neta, e do mundo que a espera dentro de trinta a cinquenta anos, do impacto que as nossas decisões ou a falta delas vai ter na sua vida. Quem poderá adivinhar o que será a vida no campo nessa altura, talvez um longo caminho no deserto, carregado de poeira e secura, infértil e irrespirável.
domingo, 22 de julho de 2018
Um domingo no campo
O campo nem sempre é o que parece. Um domingo no campo nem sempre soa a pic nic, a passeio entre as estevas, a percursos pedestres e contacto com a natureza naquilo que ela tem de mais genuino, livre e selvagem. Muitas vezes estamos aqui junto e nem usufruimos, Domingo por casa, mudanças, limpezas, compras, net, almoço, sesta, telefonema da praxe, conversa simples, sono e canseira, como em qualquer cidade, diferente apenas a sensação de liberdade, o terraço virado a nascente donde se pode ver o nascer do sol, e conhecer o sabor da sombra no final da tarde. Entre o campo e a cidade somos nós que fazemos a diferença. Entre o Alentejo e a Orla do Guaiba tem mais em comum, quando as pessoas têm em comum, pensam em comum ou simplesmente conversam apesar da distância fisica. Domingo é domingo em todo lado, e o sol nasce para todos, embora uns tenham mais calor. Questão de latitudes.
sábado, 21 de julho de 2018
A morte é o prolongamento da vida
Vem ao caso uma pessoa amiga que está a passar por momento dificil, ao contactar com graves problemas de saúde de familiares próximos. A probabilidade da morte é sempre uma experiência complicada. Acredito que cada um tem o seu momento, mas esse momento também depende daquilo que fazemos com nós mesmos. Quando não nos ocupamos dos nossos problemas, testamos os limites, exageramos naquilo que nos é nocivo, ou temos uma conduta que nos prejudica. sabemos que estamos a apressar esse momento. Eu próprio tive de conviver com esse momento de uma forma mais directa duas vezes na vida, e confesso que acompanhar o fim de alguém de uma forma intima é arrasador. Já acompanhar o seu próprio fim me parece mais "aceitável". Passei por essa experiência, embora a luz da esperança nunca se tivesse apagado, e sempre pensei para comigo, mesmo nos piores momentos, que a morte seria um processo natural, não seria apenas um apagão, mas uma transformação noutra coisa. Um prolongamento da mesma matéria, para outra finalidade, e para quem estava muito doente, era o caso, seria quase uma libertação, do sofrimento, da imagem do que causamos nos outros, e da nossa própria imagem quando nos olhamos ao espelho e vemos aquilo em que nos transformámos. Outra coisa que julgo ter entendido é que a morte é um processo solitário. Nada nos adianta a confusão, o drama ou a agitação. Nunca perder a esperança, mas aceitar a dádiva.
Não quero fazer teoria acerca de nada, mas esperança é fundamental, e não são os outros que a trazem, muitas vezes é o contrário, são eles que nos ajudam a descrer.
Não quero fazer teoria acerca de nada, mas esperança é fundamental, e não são os outros que a trazem, muitas vezes é o contrário, são eles que nos ajudam a descrer.
sexta-feira, 20 de julho de 2018
Who kills Nat ?
Havia há muitos anos uma série de que muitos gostaram, chamada "Tween Peaks", na qual o mistério correspondia a saber "quem matou Laura Palmer ?". Na realidade julgo que ainda hoje ninguém, nem o seu autor David Linch, sabe a resposta a este mistério, pois todos tinham motivos para a matar, muitos aprovaram a sua morte, e todos naquela pequena povoação participaram de certa maneira na morte da jovem que apareceu a flutuar num rio meio gelado que a atravessava. Mas que faz aqui esta referência ? Acabo também de assistir ao gradual desaparecimento, não diria morte, de uma personagem virtual, Nat ! Quem era esta personagem ? Era o "alter ego" de uma pessoa real, como sempre no mundo virtual. Mas estas personagens "alter ego" têm a caracteristica de se comportarem de maneira a que através delas se tem uma passagem estreita para o ego que as controla e as mantém vivas, talvez porque esse ego não se quer assumir abertamente, e faz bem, mas tem alguma necessidade de através de outrem compartilhar ou apenas exteriorizar as vivências que não pode, ou não quer, guardar apenas para si. Tem muitas por aí, sendo aliás uma das mais vulgares posturas no mundo virtual, a saber, tomar a identidade de outrem, por vezes mesmo mudando de sexo, idade ou cor do cabelo. Quando esta personagem se torna desnecessária, ou acaba revelando aquilo que não queremos, extingue-se, mata-se, expira o seu prazo. Até pode manter uma vida artificial, o que sempre foi, para que comunique a mensagem que pretendemos fazer passar, e servir de cortina ou apenas cenário. A vida no campo pode ser apenas uma fição, uma manipulação consciente ou até talvez não. É como uma carta que se mete no correio, com destinatário certo mas com uma mensagem errada para que o destinatário acredite.
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