Ontem concerto da Mahler Chamber Orchestra, dirigida pelo conceituado maestro Gustavo Dudamel, na Gulbenkien. Dudamel, de 37 anos, venezuelano, para além de um maestro de projeção mundial, foi também um dos inspiradores do El Sistema, programa de educação musical que há anos tráz para a música clássica muitos jovens de bairros pobres de Caracas, com extenção em Portugal na Orquestra Geração, constituida por jovens de todas as classes sociais ( aliás na passada quarta feira Dudamel aproveitou a vinda a Portugal para um grande ensaio com essa orquestra).
Mas voltando ao Concerto de ontem, tocava-se a 3ª Sinfonia de Shubert, e a 4ª Sinfonia de Mahler, obras de um reportório romântico. Fazendo o foco na 4ª Sinfonia de Mahler, obra escrita entre 1899 e 1900, a obra musical tem quatro andamentos, sendo o último cantado, neste caso pela cantora lirica Golda Schultz. A obra tem cerca de uma hora, e a música alterna momentos de grande dramatismo e intensidade com longos períodos calmos e mágicos. Mahler não é um autor fácil de seguir e exige muita concentração e introspeção. No último andamento interveio a cantora lírica que referi. Para o final a música vai-se estendendo como a água do mar rebentando suave numa praia, intercalada com golpes orquestrais, mas a suavidade vai ganhando espaço até que a música se extingue. Aí o maestro, a cantora e os músicos ficam estáticos como estátuas, na mesma posição durante mais de três minutos. O público nem mexe. Silêncio total, profundo e intenso. A tensão está na batuta de Dudamel, e todos a respeitam. Até que o maestro deixa cair a batuta, e todos respiram finalmente. O público irrompe num imenso aplauso que durará cerca de quinze minutos, em que o maestro e a diva regressam várias vezes ao palco. Mas ninguém lhes arrancou nem uma nota mais. O trabalho estava feito. Mágico.
sábado, 8 de setembro de 2018
sexta-feira, 7 de setembro de 2018
Medidas de auto proteção
Há pessoas que acreditam em coisas mesmo que todas as evidências as contrariem. Nem sei como classificá-las, acreditam de tal forma em si que correm o risco da arrogância, ou tão pouco confiantes na sua verdade que correm o risco de ser ingénuas. Ainda assim parece que prefiro as segundas. Isto porque acho a arrogância insuportável, e vejo-me muitas vezes rodeado dela por todos os lados. Penso que a ingenuidade é mais leve, e deixa-nos campo para acreditar mesmo nas coisas impossíveis. Pode até vencer as barreiras que as pessoas colocam há sua volta para as proteger de um mundo que as faz sofrer. É aquilo que aqui já chamei "a campânula". Eu próprio por vezes estou dentro de uma também. O problema é que as barreiras também pode ferir. Mas essas medidas de autoproteção apenas nos dão uma ilusão, pois na realidade há sempre forma de nos levar a fazer o que não queremos. Basta que não nos digam a verdade, ou que a ignoremos... que nos pintem um lindo cenário, e já agora que confiemos nas pessoas erradas. Acontece !!! Estar com as pessoas certas é o que nos protege. Mas como saber quem são elas !!!
quarta-feira, 5 de setembro de 2018
Amigos
Temos amigos. Amigos dos amigos. Amigos dos amigos dos nossos amigos. Na verdade estamos quase sozinhos.
terça-feira, 4 de setembro de 2018
Estar cansado
Tem sido o meu estado de espirito nos ultimos tempos. Uma sensação de não saber se vale a pena. Por um lado levanto-me cedo com energia e vontade de viver. Mas o dia derruba-me. Os contratempos são muitos e manifestamente não tenho muito com quem os partilhar. O peso do meu corpo como que dispara, e as pernas começam a não querer levantar o resto do corpo. E uma fragilidade toma conta de mim. A isto chama-se estar cansado. Claro o calor nada ajuda, e as minhas ocupações só atrapalham. Mas entendo que neste momento as soluções dos problemas passam por cima do meu corpo, e deixam marcas. Já tempo demais a dar o corpo às balas, e estas vêm donde não se espera. Apoios são poucos e acabo mergulhado num "inferno particular". Eu, que sou por natureza um optimista, mergulho na descrença, e a saúde acompanha. Estado fisico e emocional desatinam, zangam-se um com o outro, "guerreiam", como se diz aqui nesta terra de "Guerreiros", e claro, ambos saem a perder. Procuro corrigir mas não há correção. Pessoas que me interessam não se interessam por mim, e o tempo começa a ser curto. No próximo mês chega os sessenta e seis anos e a contagem prossegue. É como se estivesse num beco sem saída. E com uma pesada bola de ferro presa num pé. Este o meu "Tratado sobre o pessimismo", vindo desta pessoa positiva que sou. Ou represento ?
segunda-feira, 3 de setembro de 2018
Museu Nacional do Brasil
Aconteceu aquilo que é uma grande desgraça para um país. Neste caso para dois, ou para muitos mais. O incêncio no Museu do Brasil consumiu muito do que é testemunho da História do Brasil, e também da de Portugal que ali se uniam num terno abraço. Visitei em 1995 aquando da minha primeira visita ao Brasil, e posso constatar a importância documental e patrimonial. Residência oficial de quatro reis de Portugal, fundado por um deles D.João VI. O edificio é muito parecido com o Palácio da Ajuda, que visitámos em Abril deste ano, e foi projectado pelo mesmo arquitecto. Não ficou pedra sobre pedra, para além de uma ruína que será quase impossivel recuperar. São séculos de História que se vão. Isto serve também para pensar acerca do sub financeamento da cultura, no Brasil e em Portugal. Segundo relatado o estado do Museu do Brasil era de grande degradação a precisar de obras urgentes, como acontece a muitos em Portugal. Quando assim é, brincamos com o fogo, e depois queimamo-nos.
domingo, 2 de setembro de 2018
Domingo "by night" ...
Muitas vezes temos uma estranha sensação de que a casa é demasiado pequena. E sendo grande, só pode ter acontecido duas coisas: as paredes reduziram-se e o espaço agora livre é menor, ou nós aumentamos de tamanho o que pode suceder fora do domínio físico. Fácil de entender, mas tudo isto que parece ficção, é bem real em certos momentos, quando a solidão nos aperta a alma, ou a rejeição nos entristece o coração. Em qualquer dos casos há que deitar a cabeça de fora e respirar, o oxigénio que nos faz falta e de que se carece, nem está assim tão disponível, ou melhor está, mas nós não lhe temos acesso. Ou porque o procuramos e não nos é dado, ou porque nem sempre o procuramos no melhor local. Quem diz local diz pessoa, pois é de pessoas que falo. Mas adiante que a conversa está demasiado hermética para o meu gosto. É bem um post de domingo à noite...
sábado, 1 de setembro de 2018
Só nós três
A relação da minha neta Francisca e seus amigos caninos tornou-se umbilical. Onde ela vai eles vão atrás, onde eles estão ela está no meio. Acompanhada de carícias, lambidelas, sestas e outras brincadeiras, está sempre ao abrigo da proteção dos animais, o Elvis e o Pongo. A empatia é clara, e nem parece que afinal estes bichos nem são dela, são da tia e do Martim, e não vivem todos os dias com ela. Ela gosta de gostar deles, e eles retribuem. Na foto a Francisca após surripiar o "tablet" de alguém mais descuidado, está instalada, fazendo dos seus amigos braços de um sofá animal. Bem instalada e bem protegida. Os animais aproveitam a folga para uma sestinha e ficam a aguardar ordens.
sexta-feira, 31 de agosto de 2018
Tarde para aprender
Dia de receber, dia importante, em que se cumpre ou se fica com um peso de muitas toneladas. Uma enorme responsabilidade, um compromisso, e eu sou uma pessoa péssima com os compromissos. Faltar a um compromisso para mim é mortal. Felizmente "desaconteceu". Graças a Deus. Saber que pessoas aguardam este dia com ansiedade, que da nossa decisão depende o futuro imediato de gente que ganha muito pouco, que tem também compromissos, gente para alimentar. Nada que mais deteste do que falhar, nada que mais exerça pressão sobre os meus ombros. A minha relação com os compromissos é doentia e jamais deveria ter de os aceitar. Mas as coisas são o que são. Agora para mim é um peso demasiado, e nem sei como a minha vida se enredou num novelo assim, em que tudo se espera e pouco se reconhece. Entrou na rotina. A coisa "até corre bem" e ninguém está preparado para que corra mal. No entanto o risco de correr mal mantém-se, e cada vez os meus ombros são menores para aguentar tal responsabilidade, que poucos partilham, poucos apreciam e quase nenhuns reconhecem. É imenso o sentimento de solidão, quando nos vemos perante uma parede que avança para nós, e nos vemos sem ajudas, sem apoios, sem seguranças, sem margem de manobra, sem planos B, sem alternativas, sem mão onde agarrar, e ainda suportar com as incompreensões, exigências e idiotices de alguns. De facto a vida prega-nos partidas que não se anteviam. Confiar nas pessoas tornou-se fatal, quase tanto como o "vírus ébola". E sobretudo lido mal com a palavra "não". O problema é que não sei desconfiar, ser opaco, ter várias caras. E agora é tarde para aprender.
quinta-feira, 30 de agosto de 2018
Perfeito vazio
Tem dias assim. Queremos fazer exercício e não podemos, ou podemos mas com grande esforço e sempre as pernas muito aquém da cabeça. Queremos falar com uma pessoa e ela não se disponibiliza para nós. Queremos pagar uma quantia mas não temos saldo. Queremos deslocar para ir buscar um papel mas as escadas fazem pensar se não será melhor ficar para depois. Queremos depositar um cheque mas a quantia estava errada. Queremos aproximar de alguém mas esse alguém ignora-nos. Felizmente em casa fiz o almoço que queria e o corpo repousou numa tarde de sono profundo. Tomara nem acordar desse sono. Tem dias assim. São apenas dias e nada mais. Dias.
quarta-feira, 29 de agosto de 2018
Entre pedras e pedrinhas
Esta manhã no ATL fiz a última sessão deste Verão. Desta vez fui poupado pois a minha energia também se descarrega, e apenas porque gosto muito vou sempre participando, mas cada vez menos tempo. Tudo acaba por ter um final, e tenho tanta coisa que me espreme a energia positiva que ainda vou tendo ! Mas o ATL é algo que faço com gosto. Em frente, contra o muro das lamentações. Fico a pensar quando observo algum dos pequenos e noto que o ensino artistico podia fazer deles outra coisa, ou ajudar a serem melhores. Um dos pequenos deste ATL manifestamente supera-se. Começa a fazer algo que nós não entendemos o que seja, mas sente-se que não quer ser ajudado e na cabeça dele já está alguma coisa projectada. Demora a arrancar mas aos poucos começa a ver-se ali uma ideia, bem definida, bem executada, e com um toque pessoal. É arte a nascer, ou como quisermos chamar. Mas certo que nele algo fervilha que se exprime desta forma. No final o resultado é sempre inesperado, e diferente do que se previa ou sugeriu. É a ideia dele materializada. Fora deste contexto nem conheço a criança, não sei se é bom ou mau aluno, empenhado ou preguiçoso, mas sei que as artes podiam fazer alguma coisa por ele, ou ele pelas artes !
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