quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Vale a pena ?

Por vezes questiono o que seria de algumas pessoas, nomeadamente idosos, se não tivessem acesso aos apoios sociais de entidades como aquela com que colaboro. Por isso sempre que pergunto se vale a pena passar por muitas "penas e castigos", receber "mimos", ou "simples incompreensões" acabo sempre por pensar que sim. Tudo isso junto vale zero quando se compara com o acréscimo de conforto, paz, tranquilidade, companhia, que aquelas pessoas recebem, e que seguramente de outra forma seriam privados. Não podemos generalizar, sei que muitos familiares são atentos, e que muitos idosos tornam a vida dificil a quem os apoia, sei bem disso. Mas quando vejo pessoas a diambular, apoiados em pessoas, pessoas que nas suas casa recebem apoios que jamais receberiam, quando hoje me sentei e fiz um curto caminho em cadeira de rodas para saber como se vê a vida a partir de lá, e me lembrei dos sessenta e seis que se aproximam percebi algumas coisas. Percebi que não estamos livres de amanhã estarmos por ali... por isso deixemos a arrogância, o ego, ajustes de contas, saber quem tem razão. Tudo isso vale tão pouco como sei até por experiência própria

A vida parou

Mais uma morte violenta de alguém que decidiu pôr termo à vida. Traz me de novo à cabeça a prevalência destas situações aqui no Alentejo onde temos a maior taxa. Muito triste, mas ninguém tem explicação plausível, pois em todo o país há pessoas cuja vida lhes pesa como um fardo, mas resistem. Será uma questão social ou apenas temos de encarar estes casos como decisões individuais que na realidade são. A tristeza, a solidão, a falta de interlocução positiva, a falta de saúde, de dinheiro, o abandono. Mas temos situações em que nada disso está presente. Talvez sejam mais, pois para tomar uma decisão destas é preciso alguma preponderância sobre os outros, capacidade de decidir, capacidade de pensar e sobretudo capacidade de executar não compaginável com pessoas mergulhadas na depressão, a menos que de uma forma patológica, o que muitas vezes não é o caso. Não conhecia a pessoa embora conheça familiares, e fico muito impressionado com o que muito provavelmente sofrem, pois muitas vezes o acto praticado é virado contra eles que permanecem impotentes e sem saber onde falharam. A vida não devia ser assim. Mas o ser humano é insondável nos seus designios.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Amizades

Existe gente que acha que amigo é aquele que lhe diz aquilo que gosta de ouvir, ou que corresponde sem hesitar aos seus intentos, quaisquer que sejam. Por isso essa gente vive rodeada de apaniguados, que os bajulam, mas que se mudam quando não vêm interesse nisso, ou quando o bajulado "cai em desgraça". É triste ser verdadeiro amigo dessas pessoas, pois vai sempre haver o momento em que vemos que afinal apenas fomos utilizados, pois não correspondemos a esse estranho conceito de amizade, e como tal somos descartados pois já não servimos os seus interesses. Isto é verdade. Isto existe, todos sabemos que sim. Não que eu conheça alguém assim, nem pensar, pois todos os que considero meus amigos, pessoas com as quais até tenho pouco contacto, não são assim. De qualquer forma tenho medo dessas pessoas, capazes de fazer mal aos outros para se servirem deles, sem depois serem capazes darem qualquer retorno saudável. Medo pelo mal que fazem, medo pela sua ausência de escrúpulos, medo pela sua total falta de principios, medo porque são imprevisíveis, medo pela sua total falta de capacidade de auto critica. E para mim um dos maiores defeitos de uma pessoa é ela não ser capaz de se avaliar e disso tirar consequências. Cá está de novo a filosofia barata, mas melhor pensar bem nestas palavras...

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

"Impossible n'est pas français"

Não gosto nada de queixumes, carpir mágoas ou criar impossibilidades. Pelos vistos estou a dar de mim uma imagem diferente. Uma pose pessimista que devo afastar por não corresponder à minha forma de estar na vida. Até já  amigos me têm ligado alertados para este estar que não corresponde ao homem que conhecem. É verdade que este último ano me trouxe alguns dissabores, assumidos e jamais revertidos para responsabilidade de terceiros. É verdade que muitas vezes tenho ultrapassado aquilo que me parece serem os limites da sensatez, para me "atirar" ás coisas impossíveis. É verdade que já me tinham alertado para o comportamento das pessoas, mas não para o de "certas" pessoas. Por isso nada tenho de que apresentar fatura, pois esses alertas foram ignorados em consciência. Quando assim é as ações ficam com quem as pratica, e nada mais a acrescentar. Não esperem, no entanto, que assista sentado á destruição do pouco que se construiu. Não dei parte do meu tempo, saúde e boa disposição para serem queimados na fogueira das vaidades e dos egos sempre prontos a pedir o escalpe do "indio" que oferece o corpo ás balas. E digo como Napoleão "impossible n'est pas français"

sábado, 8 de setembro de 2018

Bichos e pessoas

Para a minha neta Francisca não há bicho nem pessoa. Bicho e pessoa são ambos merecedores da sua atenção, afecto e partilha. Por isso dorme com os bichos na sua própria cama, que é o chão ! Claro, bicho na cama dela não, que a mamãe não deixa ! Mas de resto o seu sucesso junto da bicharada é tratá-los como iguais, dar iguais oportunidades de brincadeira, e no fim partilhar o repouso. A minha neta Francisca é de facto uma rapariga especial. Tem um dom que lhe permite penetrar no coração das pessoas, e até no coração dos bichos. E lá permanecer. Quem dera ao seu avô partilhar esse dom junto das pessoas !!! (ah! ah! ah!)  Mas todos os avôs não dirão o mesmo ? E Deus não pode dar a todos...

Magia do silêncio

Ontem concerto da Mahler Chamber Orchestra, dirigida pelo conceituado maestro Gustavo Dudamel, na Gulbenkien. Dudamel, de 37 anos, venezuelano, para além de um maestro de projeção mundial, foi também um dos inspiradores do El Sistema, programa de educação musical que há anos tráz para a música clássica muitos jovens de bairros pobres de Caracas, com extenção em Portugal na Orquestra Geração, constituida por jovens de todas as classes sociais ( aliás na passada quarta feira Dudamel aproveitou a vinda a Portugal para um grande ensaio com essa orquestra).
Mas voltando ao Concerto de ontem, tocava-se a 3ª Sinfonia de Shubert, e a 4ª Sinfonia de Mahler, obras de um reportório romântico. Fazendo o foco na 4ª Sinfonia de Mahler, obra escrita entre 1899 e 1900, a obra musical tem quatro andamentos, sendo o último cantado, neste caso pela cantora lirica Golda Schultz. A obra tem cerca de uma hora, e a música alterna momentos de grande dramatismo e intensidade com longos períodos calmos e mágicos. Mahler não é um autor fácil de seguir e exige muita concentração e introspeção. No último andamento interveio a cantora lírica que referi. Para o final a música vai-se estendendo como a água do mar rebentando suave numa praia, intercalada com golpes orquestrais, mas a suavidade vai ganhando espaço até que a música se extingue. Aí o maestro, a cantora e os músicos ficam estáticos como estátuas, na mesma posição durante mais de três minutos. O público nem mexe. Silêncio total, profundo e intenso. A tensão está na batuta de Dudamel, e todos a respeitam. Até que o maestro deixa cair a batuta, e todos respiram finalmente. O público irrompe num imenso aplauso que durará cerca de quinze minutos, em que o maestro e a diva regressam várias vezes ao palco. Mas ninguém lhes arrancou nem uma nota mais. O trabalho estava feito. Mágico.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Medidas de auto proteção

Há pessoas que acreditam em coisas mesmo que todas as evidências as contrariem. Nem sei como classificá-las, acreditam de tal forma em si que correm o risco da arrogância, ou tão pouco confiantes na sua verdade que correm o risco de ser ingénuas. Ainda assim parece que prefiro as segundas. Isto porque acho a arrogância insuportável, e vejo-me muitas vezes rodeado dela por todos os lados. Penso que a ingenuidade é mais leve, e deixa-nos campo para acreditar mesmo nas coisas impossíveis. Pode até vencer as barreiras que as pessoas colocam há sua volta para as proteger de um mundo que as faz sofrer. É aquilo que aqui já chamei "a campânula". Eu próprio por vezes estou dentro de uma também. O problema é que as barreiras também pode ferir. Mas essas medidas de autoproteção apenas nos dão uma ilusão, pois na realidade há sempre forma de nos levar a fazer o que não queremos. Basta que não nos digam a verdade, ou que a ignoremos... que nos pintem um lindo cenário, e já agora que confiemos nas pessoas erradas. Acontece !!! Estar com as pessoas certas é o que nos protege. Mas como saber quem são elas !!!

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Amigos

Temos amigos. Amigos dos amigos. Amigos dos amigos dos nossos amigos. Na verdade estamos quase sozinhos.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Estar cansado

Tem sido o meu estado de espirito nos ultimos tempos. Uma sensação de não saber se vale a pena. Por um lado levanto-me cedo com energia e vontade de viver. Mas o dia derruba-me. Os contratempos são muitos e manifestamente não tenho muito com quem os partilhar. O peso do meu corpo como que dispara, e as pernas começam a não querer levantar o resto do corpo. E uma fragilidade toma conta de mim. A isto chama-se estar cansado. Claro o calor nada ajuda, e as minhas ocupações só atrapalham. Mas entendo que neste momento as soluções dos problemas passam por cima do meu corpo, e deixam marcas. Já tempo demais a dar o corpo às balas, e estas vêm donde não se espera. Apoios são poucos e acabo mergulhado num "inferno particular". Eu, que sou por natureza um optimista, mergulho na descrença, e a saúde acompanha. Estado fisico e emocional desatinam, zangam-se um com o outro, "guerreiam", como se diz aqui nesta terra de "Guerreiros", e claro, ambos saem a perder. Procuro corrigir mas não há correção. Pessoas que me interessam não se interessam por mim, e o tempo começa a ser curto. No próximo mês chega os sessenta e seis anos e a contagem prossegue. É como se estivesse num beco sem saída. E com uma pesada bola de ferro presa num pé. Este o meu "Tratado sobre o  pessimismo", vindo desta pessoa positiva que sou. Ou represento ?

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Museu Nacional do Brasil

Aconteceu aquilo que é uma grande desgraça para um país. Neste caso para dois, ou para muitos mais. O incêncio no Museu do Brasil consumiu muito do que é testemunho da História do Brasil, e também da de Portugal que ali se uniam num terno abraço. Visitei em 1995 aquando da minha primeira visita ao Brasil, e posso constatar a importância documental e patrimonial. Residência oficial de quatro reis de Portugal, fundado por um deles D.João VI. O edificio é muito parecido com o Palácio da Ajuda, que visitámos em Abril deste ano, e foi projectado pelo mesmo arquitecto. Não ficou pedra sobre pedra, para além de uma ruína que será quase impossivel recuperar. São séculos de História que se vão. Isto serve também para pensar acerca do sub financeamento da cultura, no Brasil e em Portugal. Segundo relatado o estado do Museu do Brasil era de grande degradação a precisar de obras urgentes, como acontece a muitos em Portugal. Quando assim é, brincamos com o fogo, e depois queimamo-nos.