domingo, 23 de setembro de 2018
Tiros nos pés
Sou um cliente da Uber quando vou a Lisboa e preciso de táxi. Porquê ? Porque usei uma vez e a partir daí já não quero outra coisa. Agora puxemos pela cabecinha !!! Os taxistas estão de greve há 4 dias. Não havendo táxis as pessoas tentam utilizar a Uber instalando a respectiva app no telemóvel. Todos os dias 1000, 2000 novos utilizadores. Quando estes começarem a usar o serviço vão ver a qualidade, o atendimento, o pagamento simples com cartão de crédito sem gorgetas ou alcavalas. Esses já não vão querer voltar aos "fogareiros"... Todos os dias serão milhares de clientes perdidos. Então digam me lá se não é a greve que está a destruir o "sector do táxi" ? Óbviamente que sim !
sábado, 22 de setembro de 2018
Mar de Outono
Hoje começa o Outono, mas por estes lados o Verão permanece com aquela brisa quente que nos abafa. Adoro o mar, mas o mar para mim é pouco mais do que uma miragem, sonho ou recordação. Razões prosaicas afastaram-me dele e desta imagem que parece vinda do paraíso e que me fizeram chegar hoje mesmo, imagens frescas, transparentes, parece que estou a respirar aquele ar. O interior do Alentejo tem destas coisas, acaba por nos fazer valorizar o mar que não temos, ou está um pouco longe. Por mim acabei preso numa assembleia um pouco tóxica, onde parece que a nossa energia se esgota, e a nossa vontade de ajudar é sugada por discussões de "ponto e virgula". Serão importantes talvez, mas não é coisa para mim. Esta foto foi "a coisa boa do dia", diz me que o mar está para além dos egos dos homens, é mais transparente que eles, afirma-se por si próprio e é bem simples. O homem só complica...
sexta-feira, 21 de setembro de 2018
A complexidade da gestão
No eco de uma conversa daquelas que nem chegam a ser alguém disse, "não quero que gostem de mim". Curiosa a frase dita por alguém de quem a maioria das pessoas gosta. Estranho não é ? Quem tem de mexer com pessoas há muito aprendeu que ser "amado" não é o mesmo que ser respeitado. E quem tem de mexer com pessoas precisa de ser respeitado. Claro para isso tem de saber fazer-se respeitar. Para isso a chave é a explicita e correcta exemplaridade. Assim todos sabem com o que contam e vale a máxima "follow the leader". O relacional corre bem, até para os prevaricadores e laxistas que não estranharão. Amor e amizade necessitamos na nossa vida pessoal, até podemos ser amigos dos nossos colegas, sem problema, mas sempre no foro pessoal. Separar as águas, criar bom ambiente, procurar as sinergias, o espirito de grupo e de pertença, tudo isso reforça as pessoas. Obter isso sem jamais aceitar ser o "Chefe", o "Boss", e outras idioteiras é a "complexidade da gestão".
O centro das atenções
Conhecemos um tipo de pessoas que vão visitar um Museu, o Louvre por exemplo, e a primeira intenção que têm é tirar uma selfie junto da Gioconda. Se deixassem... Vão a um concerto e o mais importante é obter uma selfie com o artista, vão ver uma exposição do Picasso e a primeira coisa é uma foto ao lado da Guernica. Aí devem queixar-se, pois Picasso fez a obra demasiado grande e até um gigante ali sente-se pequeno. Quer isto dizer que estas pessoas gostam da arte ? Sim gostam Mas ainda gostam mais de si próprias, e para elas o centro do mundo é mesmo o seu umbigo o que as rodeia é apenas um pretexto para mostrarem o seu ego sempre superior a qualquer das obras. Não admira que sentindo-se assim tão "enormes" tudo desvalorizem ao seu redor, e se faltar essa gasolina que lhes alimenta o ego, a vitimização é o caminho, a culpabilização dos ingratos o objectivo, a vingançazinha a ferramenta. Nasceram para ser o centro das atenções. As estrelas. Os "special one" !
quinta-feira, 20 de setembro de 2018
IC 17
Lisboa é Lisboa com os seus arredores. Aqui o ar é outro, o movimento do trânsito encharca-nos de cheiro a escape, e a construção junta as residências desordenadas, com os prédios modernos e bem equipados. Diziam-me que por aqui nada custa menos de 300 000 euros, até o mais simples T2, mesmo em zonas já fora da cidade, caso do local da foto que foi tirada na varanda do centro comercial Strada, em Odivelas Oeste, com vista para a Encosta da Luz e para o trânsito que circula em permanência fazendo ruído e poluindo. Quem está habituado a vida no campo, estranha, mesmo sendo um inveterado lisboeta nativo. Começamos logo a pensar na autoestrada do Sul, e no caminho para as vastas planícies. No outro dia disseram-me com muita graça que "ovelha não nasceu para o mato", querendo dizer que cada um é para o local que lhe foi destinado. O problema é quando temos dois destinos, quando se é ovelha e cabra ao mesmo tempo, quando a cabeça aponta para o prado, e o coração para as estevas. Ficamos divididos, claro !!!
Prece
Ontem as passadas levaram-me até à Praça de Londres, em Lisboa, por ali teria mais uma consulta médica do meu rol de rotinas a que o meu estado obriga. Deixei o carro no parque, subi na superfície e por ali aquele local que desperta em mim as lembranças dos meus tempos no Técnico, em que a Praça de Londres era nosso pouso ou ponto de fuga, a Mexicana, entre outros, o porto de abrigo. Passei na frente das escadarias da Igreja de S. João de Brito e senti uma enorme força que puxava para entrar. Por ali as igrejas ainda estão abertas e no interior o silêncio era total, o ar acolhedor, facilitava a introspeção. Tinha um pouco de tempo e por ali estive sentado, não sei se pedi ou agradeci, mas nós não entramos num local daqueles para exigir dádivas ou pagar promessas. Eu, que sou pouco crente nem isso ousaria, mas lembrei das coisas que vão precisar de uma mãozinha de Deus, e pedi sim, que Ele não esquecesse que tem gente que precisa do viver, tem pessoas que recebem tão pouco, e mesmo assim aceitam, pedi também porque há pessoas que precisam que Ele as ilumine nas decisões que tomam, pessoas que precisam das suas indicações, apesar do tal livre-arbítrio que tantas vezes as leva a fazer asneiras. Eu próprio, uma pessoa com tantas limitações, mas com um peso demasiado que aceitei com boa cara, quando me pedem ajuda, ou não pedem mas eu sei que ela fazia falta, não me deixe desanimar ou desistir. Outros que respeito dependem da minha capacidade ou da falta dela para viverem dignamente. É um peso que tenho de compartilhar, e cada vez tenho menos com quem o fazer, e ali pareceu me que alguém ouvia, ou seria o eco do meu pensamento ?
quarta-feira, 19 de setembro de 2018
Id Lib
Estranho nome para uma cidade. Fica na Síria país que é o que todos temos vindo a saber. Aparentemente nesta cidade têm confluído os restos de todos os insurgentes que são contra Bashar Al Assad, desde os restos do dito Estado Islâmico, da Al Nusra até aos terroristas da Al Quaeda, entre outros e a estes junta-se uma população usada como escudo protector por todos aqueles. Todos serão cerca de três milhões, dois quais existe uma grande percentagem de crianças. Aparentemente é o único grande foco de resistência ao governante, e tudo leva a crer que este e seus aliados russos preparam uma ação de grande porte visando a destruição desse foco, como fizeram em Alepo. Assim mais uma tragédia vem a caminho e segundo o secretário geral da ONU pode ser a pior de todas que já se viveram naquele resto de país. Ali não há culpados ou inocentes, apenas as populações civis estão isentas de culpas, mas sempre serão as primeiras a pagar. Para onde vão as cabeças dos seres humanos ? O "Sapiens" de que fala Harare no seu famoso livro, será que entrou em definitivo numa estratégia de auto destruição?
Regresso
Duplo regresso. Ao blog que não acompanhei como devia, ao Alentejo que não vivi como queria nestes últimos dias. Estive fora, e por fora me ia desanimando com as paisagens suburbanas. Regressei hoje e aproveitei começando a minha reintegração nos ares alentejanos. Vamos por partes, comecei a comer o cozido no Canal Caveira, onde não entrava há vários anos. Um clássico, não tanto do Alentejo, mas do inicio e fim de férias. Continuava bom, "clean", o que pra mim recomenda-se, e atento no que ao serviço toca. Depois fui descendo e ao entrar no concelho optei por uma estrada secundária por Panóias, para espreitar algo que jamais encontraria por mim. Mas caí nessa boa linguagem "cá da terra". Um cruzamento para um local apelidado de "Coito Grande". Tirei a foto da praxe, mas o caminho parece levar a lado nenhum daqueles que começam na estrada e vão se perdendo pelos campos e parecem destinados a nos conduzir à imensidão. Vi no dicionário e "coito" é o que é. Mas "couto" já seria uma terra protegida, isolada para impedir a entrada. Ali fiquei na dúvida. Daquilo que procurava achar seria agulha em palheiro. Acabei por virar pela Barragem que está uma tristeza. Acabei em Garvão onde matei algumas saudades. Tão pouco tempo e parece que não via aquela gente há mais de um mês. Parece que os locais se colam a nós e depois, não tem como descolar ???
sábado, 15 de setembro de 2018
Nesga de sol
Final da tarde no meu terraço, uma vista sobre a vila. Vista daqui apenas um grupo de casas, onde vivem pessoas, e apesar de se encontrarem numa zona mais baixa uma nesga de sol consegue penetrar e trazer luz e calor. Um prenúncio do Outono que se aproxima, o sol está quase a pôr-se e ilumina aquela pequena encosta. Por aqui a sombra. A minha casa entra na sombra a partir do fim da manhã pois está virada a nascente, embora também beneficie de um pouco de sol no fim do dia, na traseira e na entrada, onde o sol acaba por bater nas plantas que estiveram quase todo o dia na sombra. Por mim nem saí à rua. Nem pretexto nem necessidade.
sexta-feira, 14 de setembro de 2018
Gratidão
Tenho lido por aqui muitos posts de gente que fala em gratidão, sentir se agradecido, agradecer, agradecimento, entre outras variantes da mesma palavra, da mesma atitude, da mesma postura. Tudo acompanhado por passarinhos, flores, borboletas, entre outros adornos. Devo dizer que uma das "pechas" do mundo actual é que já não se usa dizer "obrigado", o mesmo para "com licença" e idem aspas para "se faz favor". É tudo tu cá tu lá, tudo é obrigação, tudo se esquece, tudo o que se recebe é porque "merecemos" ou "temos direito", "direitos adquiridos", ou porque estão em dívida para connosco. Depois vêm encher a boca com a gratidão, depois de dar dois pontapés nas "graças recebidas" (como se diz nessa linguarejar), e desprezar "quem as concedeu". Frases feitas, lugares comuns, balelas. O mundo, em particular o virtual em que nos movemos está cheio delas. É citado quem nunca disse nada, vangloriado um guru que jamais existiu, e de resto siga em frente para receber outras "graças". De preferência "de graça". Acho "graça"!!!
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