terça-feira, 2 de janeiro de 2018

First day in paradise

Hoje o pessoal regressou ao trabalho, ou para alguns deu-se um regresso ao lazer. Para quem pode. Para quem quer, não para quem deve. Acontece que com esta histórias das pontes e pontinhas, tolerâncias e outras manigâncias, aquilo que se pensou ser " ter tolerância no dia 26 OU no dia 2 de Janeiro", com um jeitinho passou a ser "tolerância no dia 26 E no dia 2 de Janeiro", Há sempre um dia de férias esquecido, aquela manhã de sábado, aquele fim de tarde que prolongou, aquela deslocação a um local longe com chegada tardia, enfim um bom pretexto para que a consciência fique em repouso perante um diazinho de descanso do buliço dos dias do fim de semana prolongado. Acontece que alguns nem avisam, nem dizem nem acertam estas ausências auto autorizadas. Pudera trabalhamos todos sozinhos, não dependemos de nada  nem de ninguém, nem temos de articular presenças. Tudo bem. Tudo feliz. Ainda bem. Se o ano vai ser um "paradise" este parece ser o seu primeiro dia. Então e ser for "the hell" ??? Demos o nosso contributo.
(Aviso : este texto pode ter conteúdo explicitamente reacionário, mas foi testado sem dano em 1000 portugueses adultos)

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Back again

Começamos a voltar a tudo na maneira normal. As fotos de terraço, os balanços, os "best wishes" para 2018. Tudo bem, tudo simples, tudo normal, assim deve ser e assim será. Compromisso !!!
Pra já o sol nasceu e o dia primeiro deste ano aparece a inundar tudo de muito sol, um céu sem mácula e uma promessa de mais um ano sem pinga de água. Essa a parte pior da novela. A desertificação avança quer o sr Trump queira quer não. São as alterações climáticas, estúpido !!!!

No rol dos desejos pra 2018 estaria logo este primeiro, chuva !!! Outros se seguem, para além dos habituais, da saúde, da paz na terra, de um mundo mais igual, e outros lugares comuns a jeito de qualquer miss bum bum. Por exemplo eu pra mim desejo um excelente mês de Abril. Esquisito não é ? Já me serve. Desejo uma neta a tirar a fralda e a começar a falar, se bem que o seu nível de comunicação atual bastaria ! Desejo muito perder o meu emprego. Esquisito não é ? É porque já não se justificaria. Nada melhor que um tesoureiro obsoleto ! Desejaria ainda que o dia 22 de Março fique guardado na minha memória. Não terei outra oportunidade pra ver o meu ídolo da juventude.

Afinal os meus pedidos são bem razoáveis !  Nada de coisa complicada, nada de fim na guerra, nada de ganhar o Mundial de futebol na Rússia, naquela final sempre desejada por todos os tugas, Portugal contra Brasil. Nada disso me interessa. Apenas coisa realizável.

E  por falar de coisa realizável, vamos todos pensar mais, ler mais, escrever mais, amar mais, realizar mais os pedidos dos outros, desculpar mais, sonhar mais, ocupar-se mais, e contar mais vezes até dez antes de dizer besteira. O mundo seria tão mais "cool". Não acham ??

domingo, 31 de dezembro de 2017

Todo o ano num só dia (balanço pessoal)

 
Volto ao blog pra fazer um balanço.

Imaginenos que o ano de 2017 se resumia a um dia. Manhã cedo começou nublado. Logo aí recebi um estranho convite que nem sabia que ía mudar o meu dia lá para o inicio da tarde, mas como é meu hábito para com a pessoa que o fez, aceitei. Na realidade, segundo a própria tudo se resumiria a fazer uma pequena viagem por mês e dar uma ou duas horas do meu tempo. Tinha de ser, e o que tem de ser tem muita força.

A manhã foi decorrendo com muita calma. Dando pinceladas nos meus pobres trabalhos, procurando levar alguns outros a interessarem-se, e oferecendo préstimos pra uma maior ocupação das pessoas que querem mais do que o diz que disse.

Cada dia a minha neta povoava os meus dias, via pelo Skype, apreciava a sua curiosidade a sua energia contagiante a sua carinha sempre risonha e positiva.

Chegamos assim ao final da manhã. A filha regressou do UK e a neta passou a estar mais próxima, e a engraçar com o avô e ele com ela. O calor veio, e recordo o dia em que não fui ao seu primeiro aniversário. O calor era insuportável. Nesse mesmo dia, 17 de Junho, ela faz um anito, e 64 morreram em Pedrogão vitimas da brutalidade da natureza selvagem e da incompetência dos homens e da sua fraqueza face à natureza. Esse foi também um momento de reencontros. Por mero acaso, ah ah ah, encontrei uma pessoa com que partilhei vida durante um ano, há já muitos anos. Aconteceu.

O inicio da tarde deu-se com muito calor e os ecos de muitos problemas com aquele convite aceite logo cedinho. Pensei com os meus botões, numa tendência para premonições muitas vezes comprovada, e se aquela gente abandona o barco, barco onde tinha apenas alguns dedos dos pés, pois ninguém me pedia mais do que isso.

O facto é que como já tem acontecido outras vezes, o receio auto realizou-se, e fui projectado para o dilema seguinte, ou atirar a toalha ao chão e ficar com a minha consciência num farrapo, ou dar passo em frente e ficar com a saúde num frangalho, o que aliás já estava.

Assim antes do lanche, a meio da tarde, corri, junto com outros poucos, esse risco. Entrar num projecto solidário financeiramente falido, tecnicamente afundado, de gente em desmotivação, sem salário nem atenção, mas fortes e habituados a viver com muito pouco. Nem sei como suportei o impacto deste Titanic à deriva, no casco da minha frágil constituição. Mas aguentei, aguentámos e o pior foi controlado, as previsões de morte anunciada acabaram goradas,  e o lanche decorreu sobressaltado mas tranquilo. Acabei até fazendo amigos, e receber sinais de reconhecimento de pessoas que quase nem conhecia.

O final do dia aproxima-se e o reencontro virtual tornou-se mais físico. Reencontrei afectos antigos, caminhos partilhados em contextos de grande intensidade. Renovei laços e reconheci espaços, locais e olhares. Foi contagiante e senti que me foi insuflada uma dose de adrenalina que me puxou do buraco. Ainda bem. A noite cai e as perspectivas para um novo dia parecem promissoras, encontrar um equilíbrio entre prazer, obrigação, necessidade, entre a arte e o pensamento, entre amizades e afectos, reais, virtuais e outros que tais.

Pra 2018 vou ver mais o meu diabinho, vou ter mais arte no meu universo, vou ouvir mais música, vou ver Bob Dylan ao vivo (já tenho bilhete), vou fazer mais contas e contornar os momentos duros, vou fazer novos reencontros e alimentar as novas amizades. Se a saúde não trair, se o dinheiro não sumir, se a dor permitir, se a net não ruir.

Se alguém leu esta prosa cifrada, e tirou conclusões certas ou erradas, então que tenha um 2018 tão bom que sinta pena de não o ter começado já em 2017

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Weekend (apresentação 41)

Era uma vez uma neta que veio passar o fim de semana com o avô e a bisavó. Consigo trouxe a mãe a tia e um cão pachorrento, com ar ameaçador, embora pacífico, uma carrinha preta, e muita vontade de agradar. De inicio parecia que nem o conhecia, de forma que no colo da mãe se afastava do velho avô que a queria beijar. Mas vá-se lá saber, o sangue rapidamente permite reconhecer os seus, e aconteceu o "coup de foudre" ! A neta chamou vô, e este logo lhe quis pegar, no que ela correspondeu abrindo e fechando as mãozinhas, para que, Upa, amaranhasse pelo avô acima como alpinista em busca do cume. E pronto, quebrado o gelo, a partir daqui o avô passou a ser a novidade da semana. Pegou, caminhou, fez carícia, brincou ao esconde esconde, viu dar banho e ainda molhou, e a doce F a tudo correspondeu com um amplo sorriso, um olá permanente e um adeusinho sempre que voltava as costas. Uma doçura, uma afectuosidade permanente num corpo pequenino e fofo. Claro que eu
entrava em grande felicidade pelo contacto com tanta energia positiva. Em resumo, cansei mas adorei.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Estranho amanhecer

Digno de um filme de Hitchcock a preto e branco, amanheceu com nevoeiro misterioso e o sol não rompe ainda. Só falta de algum lado aparecer um bando de gaivotas endiabradas atirarem-se sobre as pessoas, e arrancarem os seus pertences, cravarem as unhas na carcaça, ou atirarem com a mine para o chão. Estou apenas a sonhar com um filme, como num filme. A realidade é que depois do nevoeiro virá o calor de brasa que  ainda prevalece. Não julgues um dia pelo seu amanhecer. Ainda tem muita pedra pela frente.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

ATLsauro

Hoje último dia da minha intervenção no ATL de Verão, em Garvão, depois de referir animais em vias de extinção, como camaleão, o priolo ou o peixe palhaço, trabalhámos os já extintos dinossauros, Desta forma procuramos desenhar e pintar dois dos mais conhecidos, um deles carnívoro, o T Rex, e outro herbívoro, o braquiosauro, assim uma vaca gigante. Um tirano e um pachorrento comedor de verduras. Não foi fácil, pois a fotocopiadora decidiu sabotar, mas lá conseguimos trabalhar, dentro das condições, e com muito entusiasmo, mas também algum sono característico da segunda feira lá fomos desenhando e pintando. No final saíram trabalhos que aqui exemplifico. E por este ano encerrei, um grupo simpático, meninas e meninos muito bonitos, que eu agora que sou avô babado ainda mais aprecio. E também o trabalho da educadora Daniela que muito organizou e disciplinou este grupinho.

domingo, 20 de agosto de 2017

Palavras (Apresentação 40)

Chegou agora a altura das palavras. Seguindo o seu próprio dicionário e as orientações dos progenitores sempre prontos a enriquecer o vocabulário, a neta prossegue o seu destino de "esponja inteligente" que absorve, repete e melhora, e se acham graça repete as vezes que forem necessárias, até se articular com precisão e se identificar o objeto pretendido com a ditongo mais adequado. Uma gracinha que ajuda a aprender, um estimulo que ajuda a falar e o mais importante a comunicar, por palavras, gestos ou atitudes. Tudo fala, da boca á ponta dos dedos dos pés. Comunica-se de todas as formas e obtém o que quer sem ter de pedir, basta apontar e articular um ditongo. Mamã, pópó, titi, papá, áb, vô ... são alguns dos presentes com que nos brinda.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Energia (apresentação 39)

Hoje aproveitei ida a Lisboa para ver a neta mais bonita de todas, Nove da manhã lá estava no meu posto. Ela correu, estranhou um pouco, mas logo viu que era pessoa de confiança, e em menos de nada já estava no colo do avô, a saltitar por todo o lado, com a maior energia do mundo, logo cedinho. Esta menina, não chora, não faz birra, não aborrece, a gente não consegue deixar de estar com ela, tal a energia que nos comunica. Bem disposta, nada negue, tudo aceita com sorriso na cara. Tem bom feitia (por agora). Do seu lado só se sai bem disposto.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Morning has broken like the first morning

Sim rompeu hoje aqui pela planície, felizmente livre de fogos. Promete uma semana quente e cheias de praia e areia para uns, e pedras e maus caminhos para outros, É sempre assim. Desigual. Aqui pelo interior contamos mais com as segundas, do que com as primeiras. Tudo corre para uma semana de luta. Veremos se Deus apoia os audazes, os que se comprometem, ou antes os outros. As palavras deste título são de uma musica que muito gosto, de que lembro muitas vezes quando a tristeza invade e ainda por cima de um cantor que decidiu mudar tudo na vida, em pleno sucesso, o nome, a religião, o modo de vida, o aspecto exterior, para abraçar algo novo, para ele. Cat Stevens, quase 70 anos, não dirá muito a muitos, para mim continua ser o Cat Stevens de "Bad Night", "Mathew and son" ou "Father and son". Já que falamos de manhã que rompe fica aqui este belo romper de hoje. No Alentejo profundo. Em Ourique BA.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A furia do "like"

A discussão de opiniões agora está muito facilitada. Basta por "like" naquilo que se gosta ou não se entende. E naquilo que não percebemos ou não interessa nada passa-se à frente. Sugiro que criem um "unlike". Assim dávamos sinal de participação. Aí chegamos a este mundo a preto e branco, mas na realidade não chega a haver conversa, discussão, reflexão, análise, Qual quê ! Isso não interessa nada, Alguém diz um "bitaite", a gente acha que é assim mesmo, bolas, faz um "like", a seguir se esse "like"foi dado por conhecido, like puxa like e em menos de nada temos opinião unanime, se tanta gente "like" é porque é verdade, foi mesmo assim, são uns malandros estes gajos, só roubam, isto não pode continuar. Assim se forma uma opinião "informada", como nas aldeias as cuscuvilheiras na soleira da porta, enterram-se vivos, desenterram-se mortos.