sábado, 22 de julho de 2017

O passado e o presente

Estamos em momentos diferentes, em contextos, realidades e suposições diferentes. Passado é passado, presente é presente. Mas será que é mesmo assim ? Será que seríamos o que somos se não tivéssemos aquele passado, será que aquele passado foi premonitório deste presente? Assim a vida é. Um rio em que águas do passado conduzem a uma foz que muda todos os dias, pelo que o rio tem de procurar todos os dias a sua foz. O presente não é mais do que o acumular de muitos passados, interagindo uns com os outros, uns que se perderam, outros que persistem, outros ainda que irrompem sem sabermos de onde. Agora certo certo, é que não podemos modificar o passado, vivê-lo de outra forma da que foi vivido, remendar esses dias, embora se possa olhar para eles de outra  forma, ter deles uma opinião que evolui como o nosso amadurecimento. Afinal o presente também já é passado, e o passado até pode vir a ser presente. Temos olhar para a vida com toda a relatividade. Certo as águas não voltam a passar de novo por debaixo da ponte, mas outras águas virão, água é sempre água.

A casa

"A casa" é uma das mais lindas canções escritas por Rodrigo Leão para Adriana Calcanhoto, e publicada no disco "Alma Mater" talvez já com dez anos, onde Adriana canta como sempre. Deixo aqui o video que alguém construiu, um scrap, e que escolhi porque pode ler a letra que é a de uma maravilhosa canção do amor perdido e recuperado. Ler com atenção. Mais uma grande canção de Rodrigo Leão que acompanha com o seu "ensemble".


Rodrigo Leão e Scott Matthew

Fui ver ontem em Faro, no Teatro das Figuras, e foi bom, para quem gosta da magia da música de Rodrigo Leão, da voz melancólica de Scott, e das maravilhosas canções que escrevem. Ouviu-se um pouco de tudo, os dois juntos, só o Scott com guitarra, só o "ensemble" de RL, onde prepondera a violinista Viviana Tupikova, russa que trabalha há muitos anos com o músico português sendo a autora dos belos solos de violino que aparecem em todos os trabalhos de Rodrigo Leão, um espetáculo muito emotivo e cheio de secretismo. Valeu a pena fazer mais 200 km para os ouvir.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Levanta-te e caminha (Apresentação 36)

Hoje a neta Francisca seguiu finalmente o eterno conselho de Jesus. Começou a caminhar, a andar sobre os seus pés, sem apoios, dúvidas ou incertezas. Como se desde sempre soubesse que é assim que tem de ser. Eu não vi em pessoa, mas uma pequeno vídeo precioso confirma e ajuramenta o acontecimento. Sempre pronto para deduções apressadas diria, era o cabelo que lhe pesava. Agora ficou mais leve e ela que se levanta. Agora já pode fugir. Cuidado ela é muito despachada !!! O avô como sempre admira os acontecimentos como se nunca tivessem acontecido.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Barbara Weldens

Sabem quem é ? Nem eu !!! Jamais ouvi esse nome nem identificava como cantora francesa. Pois ouvi hoje, pois foi noticia quando morreu em palco durante um espetáculo, aparentemente vitima de electrocução. Tal como o saudoso Jimi Hendrix.  Como tenho o Spotify fui logo ouvir a Bárbara e fiquei agradado com o seu primeiro e único álbum, saído em Fevereiro, Para se ver de que artista se trata ganhou em 2010 o prémio Jacques Brel como revelação, E agora participava num festival Leo Ferré. Tinha 35 anos. Impressiona-me que alguém morra assim, uma artista em pleno local onde era suposto dar felicidade aos outros. Triste.

Regresso à aldeia

Feito em 2013, entretanto arrumado nos quartos dos fundos agora veio uma oportunidade de sair da obscuridade, mas para isso tive de fazer uns retoques para o tornar mais equilibrado, colocar-lhe mais mancha, pois era demasiado grande. Ainda assim não ficou "nos trinques". "Há sempre qualquer coisa que eu devia de saber, qualquer coisa que está para acontecer", como se diz na canção. Mas para já sai como está, até tem moldura coisa rara cá por casa. Trata-se de um dia assim chuvoso e foi feito na aldeia de Alcarias, a mais linda deste pequeno concelho, como toda a gente sabe. Ficou no meu estilo mais voltado para o cinzento, estávamos em Março do 2013 e não estava nada bem. Mas a força chegou para o pintar. Assim vai continuar a ser Espero !

Rua

Uma rua igual a muitas aqui do  Alentejo. Esta tem de especial fazer esquina com uma grande escadaria que acaba por conduzir ao alto da vila, onde por norma se situa uma capela. E neste caso não se foge à regra, a capela lá está de facto. A rua essa segue em frente com mais ou menos curvas, até se chegar à mesma capela, ao seu largo, mas de carro, pois o carro não sobe escada... Mais uma proposta de pintura, mais casa de listas azuis, mais varandas com ferragens, que cada vez são mais difíceis de fazer, devido à vista. A velhice avança, e eu não posso exigir de mim as mesmas faculdades. Atá já estou um pouco gágá, não é, sempre a repetir as mesmas coisas.

Viver ao lado

Viver é bom. Viver com, será menos bom. Viver sem, é pior ! Viver para, é redutor. Viver de, é dependência, Viver se, é inaceitável ! Viver quando, é transitório. Viver mas, é duvidoso. Viver para além, é demasiado. Viver apenas é como viver se. mas mais inaceitável. Afinal se viver é bom como é que se deve viver? Talvez viver ao lado !

Mulher tomando chá

Aventurei pelo caminho da representação do corpo humano, coisa que raramente faço, por manifesta falta de competência. Algumas representações que tenho feito não tenho gostado e acabam destruídas. Agora fui desafiado e tentei corresponder ao desafio. Gosto de desafios. Assim fiz este esboço que acaba por não estar totalmente mal. O problema é que como trabalho pouco o corpo humano nunca chego a ter um verdadeiro desembaraço no desenho. Tendencialmente fujo para a caricatura onde me sinto mais à vontade. Afinal é mais o meu registo. Este "boneco" segue um pouco o traço caricatural, mas a "mulher tomando chá" ficou de acordo com a ideia que dela tinha antes de desenhar. Assim deve ser. Concretizar uma ideia que se teve, melhor se for com competência. E dedico este pequeno trabalho a quem me desafiou. (É um desenho sobre papel a tinta da china, pintado com acrílico)

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Cortar o cabelo (Apresentação 35 )

A neta Francisca foi ao baeta, como se costuma dizer. Primeiro corte de cabelo na cabeleireira da rua. Já tinha cabelo de mais e o verão falou mais alto, ficou com o cabelinho curto, e os olhos mais abertos. O corte muda tudo naquela cara, de forma que parece que tenho duas netas, uma antes, outra depois de cortar o cabelo. Se uma já era bom, duas melhor. Os cabelos que vieram da primeira conceção lá ficaram como coisa sem préstimo. Como boa árvore voltam a crescer, para os comentários do avô que tem sempre os olhos postos na neta, mesma que de forma virtual. Mas o que conta é o pensamento. (Nota: a criança da imagem não é a Francisca mas uma foto retirada da net... nada de confusões !)

terça-feira, 18 de julho de 2017

Paisagem

Em geral associamos a paisagem do Alentejo às planícies sem ter fim. Mas quando nos aproximamos do litoral aparece um relevo pouco alto, mas ainda assim interessante, onde floresce vegetação como arvoredo, que corta um pouco com tudo o resto. É o caso nesta foto que tirei em Relíquias que já aqui citei. É tudo Alentejo, tudo bonito, tudo calmo, diria mesmo pachorrento, em todo o lado se vêm muitas mulheres a fazer trabalhos, e se vê homens a beber umas minis, ou sentados junto das paredes que dão um bom encosto. Há exceções claro. Nada de generalizações abusivas senão acontece-me como ao outro.. Qual outro ? O Raposo claro ! Quem se mete com alentejanos leva ! Mas tudo isso é a paisagem, o encanto do lugar onde estar nem parece que se está. Apenas planamos sobre os lugares. Apreciamos sem ser preciso imergir totalmente, pois que não sou de cá e prezo muito a alma alfacinha. Agora a paisagem está-se a impor a Lisboa, ao contrário do que dizia o Eça ( estou-me a referir ao dito "País é Lisboa, o resto é paisagem" ). Paisagem revolta-te !!!!

No amor não há culpa apenas erros de análise

Pois que melhor título para este casal que eu "fotografei" nesta tela, já com uns tempos, do que este processo em que os dois se põem em plena análise a ver os prós e contras do partir e do ficar. Se fico não como, se parto posso encontrar o diabo. Qualquer hipótese é uma escolha entre o mau e o muito mau. O que tem o amor a ver com isso ? Nada. Não têm a culpa de não se alimentarem de ar e vento. São bichos e o mais básico do espirito animal vem ao de cima, a sobrevivência !!! Por isso, armado em consultório sentimental eu digo, até é normal que cada cegonha escolha o caminho, nesse caso quem tem culpa se correr mal ? Como não sei responder acho que o que pode ter acontecido são erros de análise, "nobody 's fault". Agora deu-me para isto ! Mas no fim o autor da tela, "moi même", até nem se saiu mal. Agora vai para uma parede de um restaurante, Pelo menos aí não falta alimento. "Bon appetit".

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Os algoritmos têm as costas largas



Título estranho este. Algoritmos são fórmulas matemáticas que aplicadas na programação permitem que se execute de forma automática um tarefa. São muito falados hoje porque ajudam a criar perfis de utilizador e assim fazerem propostas comerciais. Tás a ver, nós consultamos o site do Continente à procura de manteiga, a partir daí todos os dias que se abra o computador querem-nos fazer comer manteiga à força !!! è um algoritmo que faz isso. Ora vem isto a propósito do filme "Money Monster" ultimo realizado pela pequena grande Jodie Foster, com George Clooney no papel principal, Ele apresenta um programa da TV de aconselhamento financeiro. Os espectadores seguiram os conselhos, e de um dia para o outro perdem 800 milhões. Um desses espectadores pega numa bomba e sequestra em directo o apresentador e pessoal da TV, quer saber para onde foi o dinheiro. Vem logo a explicação, o algoritmo que apoia a decisão de investimentos, falhou. houve um crash qualquer e lá foi o dinheiro. A habitual desculpa muito conhecida em Portugal "foi o sistema".  Pois, só que neste caso a matemática ultrapassa o ser humano em honestidade. Na realidade o algoritmo foi "enganado" por decisões tomadas pelo CEO da empresa, que sacou uns trocos, e fazia por si investimentos para o seu bolso que se revelaram ruinosos. Assim deixem os algoritmos em paz, eles fazem o que se lhes manda, e melhor meter na cadeia alguns que ainda hoje se passeiam pela baixa !!! Vejam o filme, é muito bom.

domingo, 16 de julho de 2017

Cem mil

O meu blog "Sul e Sueste" completa hoje 100 000 visitas. É obra. Claro não serão cem mil pessoas mas mesmo assim fico contente pelos contactos. Nem sei quem são na maioria dos casos. mas quero agradecer a atenção, talvez algumas pessoas eu tenha tocado com as minhas palavras, embora muitas apenas leiam o resumo que coloco no Facebook, mas nem sempre. Para um blogger situado no interior do Alentejo, num concelho pequenino, penso que este número mostra que fiz algo interessante para alguns durante oito anos de actividade e 2636 posts dava para um livro ! O meu blog afinal nada conta da minha vida, embora seja um blog pessoal. Primeira mostra a minhas pinturas, sempre associadas a alguma ideia. Depois mostra as pinturas das alunas, quando posso, finalmente é um blog que mostra o meu mundo, o mundo que está para além de mim e que me interessa. Fala das vidas da vida, A minha vida essa pouco interessa, e não estou aqui para fazer catarse, Para isso vou ao psicanalista !!! Obrigado a todos, amigos, conhecidos e desconhecidos. Venham comigo ao meu mundo, um mundo pequenino cheio de grandes pequenas coisas.

Sunday Sunshine Morning

Parece o título de uma música dos Kinks dos meus saudosos idos anos 60, mas na realidade é apenas uma referência a uma manhã de domingo. ensolarada, com a temperatura a subir para os trinta e muitos graus, e o Alentejo como fundo à vista do meu terraço. Este calor mata-me, acabo por ficar numa letargia, uma passividade preguiçosa que não se recomenda a um sexagenário de bom senso que ainda quer dar ares de "estar para as curvas". Quais curvas, mesmo nas rectas o  motor afrouxa, e a preguiça toma conta. Nesta manhã no entanto tratei da roupa, para mim tarefa de domingo, depois tenho mais que fazer. Por agora em vez de desperdiçar o sol, aproveito a sua energia para proceder ao processo físico de evaporação da água da roupa, o que qualquer dona de casa nortenha chamaria, "secar a roupa, carago !!!" ou coisa pior... Mas eu não sou dona de casa, muito menos nortenha !!! E a roupa que se lixe...

Tea for Two

Um conjunto de chá feito por uma das alunas as aulas de pintura. Um senhora que admiro pois sei das suas inseguranças e da dificuldade que tem com a vista. Mas o que falta em segurança sobra em vontade e apesar disso tem feito muitos trabalhos que usa em casa ou dá. Este nem saiu mal, com ajuda do "professor" no desenho, pois aí a maioria choca com a dificuldade no desenho. Ma as actividades são para fazer e facilitar no que se pode e não para criar dificuldades e negar ajudas. Assim ocupamos o tempo de forma positiva e sem stress nem falsas compaixões. Se não consegue a gente ajuda. Esse o meu lema.

sábado, 15 de julho de 2017

Altice rima com...

Durante esta semana muito se falou da Altice, Costa descascou, Passos defendeu, a própria procurou limpar, em causa os "despedimentos" encapotados, a tranferência de pessoal, a compra da Media Capital, a vontade de criar um Banco digital, entre outras manobras, decisões ou confusões. Na realidade temos de ver que esta Altice começa por ser um fundo que visa rentabilidades rápidas, e se possível comprar barato e vender a prazo mais caro realizando mais valias. Por isso vale tudo. Mas para quem tanto critica a compra da PT pela Altice, deve pensar bem pois a fonte de todo o mal foi a venda da Vivo no Brasil, acompanhada pela compra de 30% da Oi, empresa falida já na altura, gerida por um bando de corruptos, alguns hoje presos no Lava Jato, e posterior fusão da PT com a Oi, tudo apadrinhado pela pandilha, Sócrates, Salgado, Granadeiro e Bava. Aí começou a desgraça que levou mais tarde a Oi a vender a PT para realizar capital pois estava afundada. É aí que aparece a Altice, e foi sorte. pois já nessa altura era a Oi e não o estado português a verdadeira dona da PT. Já se percebeu o que acontece a quem se mete com gestores brasileiros. Agora queixem-se. Quanto à Altice o que  posso dizer é como cliente, aí à medida que perdem clientes, sobem os preços para compensar! Talvez seja aldrabice a palavra com que rima...

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Poemas quotidianos

Cá está mais um post que nada diz a ninguém tirando ao seu autor, um homem do antigamente, que ainda lê livros velhos, e os compra em alfarrabistas, que ouve CDs, um velho de cabelos brancos, olhar desfocado, algo pitosga, muito agarrado aquelas coisas que naqueles anos faziam a diferença, entre os "aburguesados" de gravata que íam às discotecas e engatavam umas miúdas, e nós "os outros" de barba por fazer, desalinho nas roupas, e cabelo por pentear, andávamos com livros forrados com capas de papel, porque os livros que trazíamos sempre debaixo do braço não se podiam exibir em certos ambientes. Estávamos alguns anos antes do 25, e qualquer gesto podia ser mal interpretado. Nessa altura, 1967,  saiu um livro, ou melhor a reedição de um livro original de 1957, chamado "Poemas Quotidianos", de um autor sem nome, António Reis, que teve grande aceitação neste grupo de gente, nós os barbudos e mal vestidos... Os poemas eram curtos, diretos, melancólicos, escritos por alguém sufocado pelo país de opereta do salazarismo. Foi-me emprestado pela minha amiga da altura, a Graciete, rapariga um pouco mais velha, que andava em Letras, como era natural nas meninas da altura, e também gostava desta poesia desesperada e chã ! Gostei tanto que, não havendo papel para o comprar, e não tendo ainda sido inventada a fotocopiadora, decidi copiá-lo com a minha máquina de escrever Olivetti, pois o livro até era pequeno. Hoje a Graciete é catedrática na Sorbonne, decerto reformada, sob o nome Maria Graciete Besse, nunca mais a vi, o autor deste texto já não tem barba, embora continue a vestir-se mal, António Reis morreu em 1991 sem grande obra publicada para além dos ditos poemas quotidianos, os "aburguesados" tiveram filhos das meninas que engataram nas discotecas, o Salazar caiu da cadeira há 50 anos, e o principal motivo desta crónica que já vai  longa é que o tal livro ensimesmado e carregado de melancolia foi agora reeditado de novo, em 2017, altura em que fazem 50 anos da segunda reedição de 1967, Está na "Tinta da China", custa pouco mais de 12 euros, e eu agora vou poupar os dedos. Leiam, talvez não compreendam !

Allons enfants de la patrie, le jour de gloire est arrivé

Hoje é o dia nacional de França, o célebre " 14 juillet", dia da Tomada da Bastilha. Porquê recordar tal data ? Porque hoje de novo a França representa uma esperança para a Europa, a esperança da Europa dos seus ideais mais fidedignos, da liberdade, igualdade e fraternidade, tão arrastados pela lama nos tempos presentes, entre outros por uma personagem que o sr. Macron decidiu convidar para a comemoração, o sr. Trump, cujo reconhecimento nesses valores desse ser diminuto, havendo mesmo merecidas dúvidas se ele saberá o significado de tais palavras. É que para falar delas os 140 caracteres do Tweeter, tão caros a esse milionário que agora é temporariamente presidente, não chegam. E para tudo o que tenha mais que isso ele não entende. Quando os ingleses optam pelo Brexit os valores europeus tremem na sua aplicação, quando hungaros escolhem Orban, valha-nos  Deus, quando os de leste repudiam refugiados, Cristo ajoelha, quando os italianos quase escolhem um idiota para primeiro ministro, que dizer, agora derrotada Le Pen, acredito na França para equilibrar a Europa calvinista da sra. Merkel. Daí me juntar ao  hino "allons enfants de la patrie, le jour de gloire est arrivé, contre nous de la tyrannie, etc ".

Coisas assim

Há trabalhos que parece que nunca acabamos. Vão sendo adiados, relançados, mas como não agradam ficam órfãos das nossas mãos, e arrastam-se sem ninguém que lhes dê atenção, percorrem caminhos em vão e desses caminhos regressam sem fúria nem paixão, resignados ao canto atrás da porta do quarto. É o caso deste em que trabalhei hoje, a ver se lhe dou a dignidade devida. O lago da barragem da Rocha, que o inspira, já encheu, e estava cheio nos idos de 2010 quando o iniciei, já despejou, e hoje está quase seco, devido à seca extrema que vivemos. E ainda não atinei com a côr da água, que já nem existe. Esse sempre tem sido o motivo  do adiamento. A maldita côr da água, mas de cada vez que se corrige outras coisas têm de ser feitas. Um desatino. Hoje tirei de novo de tráz da porta e voltou para o cavalete e ficou assim, Nahhhh !!! Parece que ainda não é desta. Mas ele faz-me falta para satisfazer uma "encomenda". Sete anos é muito tempo para uma simples tela com um lago ao fundo. Mais uma vez Agustina, agora saída da sua História de Portugal em segredos, "Não fixamos aquilo que aprendemos mas aquilo que amamos", Este é manifestamente um mal amado !!!

Tem asas e voa mas não é avião

São andorinhas. Tal como nos anos anteriores a partir de agora e durante algumas semanas sou presenteado logo ao nascer do sol por este desfile de andorinhas que se concentram em frente do meu terraço para "combinar as coisas". E tudo fica tão bem combinado que quando partem o fazem de uma só vez todas em conjunto. Disseram-me que cada andorinha apenas segue as duas os três que lhe estão mais próximo, e assim todas acabam por sair quase ao mesmo tempo. Mas como decidem quem começa ? E o destino ? Estes animais decidem mais depressa que o ser humano, e pelos vistos decidem bem, pois todos os anos regressam e cada vez são mais.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Relíquias

Hoje de manhã deambulei aqui pelo BA e acabei por visitar a vila de Relíquias, numa transição da paisagem alentejana, da planície para zona com mais relevo, que se estende depois para o mar. Fundada no século XVI, deve talvez o seu nome a mais uma Nossa Senhora das Relíquias, das centenas de Nossas Senhoras que o país venera. A visita visava mostrar umas telas num restaurante que me prometera expor para venda, o que de facto aconteceu, com a ajuda da Nossa Senhora claro ! Aproveitei para ver o "vilarejo", ruas sinuosas e estreitas, sempre a subir (até que se desce), muita luz, casa pequenas e térreas, listas azuis, a cor oficial...  Deparei-me então com estas casa de dois pisos, raro por ali, a irradiar luz por todos os tijolos. Linda, luminosa, bem conservada. Vale a pena visitar estes locais, onde repousam memórias, onde encontramos raízes, que nos definem um pouco melhor como povo e como pessoas. E a pouco mais de 30 km da minha casa.

Ana Gomes

Não se trata de uma senhora deputada hiperactiva e guinchona lá do Parlamento Europeu, mas sim da sua homónima de 20 e poucos anos cantora de jazz, mas que em lugar de cantar standards em inglês que toda a gente conhece, optou por cantar jazz em português com canções mais prosaicas de Tozé Brito, autor de grandes sucessos, todas canções de amor cantadas com muito swing, e sensualidade. Excelente esse disco "Balanço" que agora gravou e que nos embala, e que convida ao amor mais intenso e ao afecto entre pessoas. Gostei muito e para já vai estar dia 27 no EDPCoolJazz, a mostar o seu talento. Para quem usa o Spotify, coisa que recomendo a todos os melómenos como eu, pode ouvir JÁ. E começar a amar !!!

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Sabedoria

Numa crónica já antiga PMP recupera a seguinte frase "As coisas feias são tão próprias do mundo como as coisas bonitas. Conhecer o mal é já uma defesa. Onde não há inocência, pode haver pecado; mas onde não há sabedoria há sempre desgraça."  A frase pertence a algum guru indiano ? Não. A um padre esotérico brasileiro ? Não. É portuguesinha da silva, e surge no romance "A Sibila" da enorme Agustina Bessa Luís, mestre da língua portuguesa, agora já tão esquecida por penosa doença e pela ingratidão dos editores. Quando pensamos nas recentes desgraças que ocorreram no país, percebemos bem o papel da sabedoria ausente, presente em muitos dos passos que conduziram à desgraça que matou 64 pessoas em Pedrogão. Mas se aplicarmos à nossa vida vemos que o deficit de sabedoria é aquele que mais devemos colmatar, e seja por arrogância, auto convencimento, preguiça ou cegueira, resistimos por recear ser sinal de fraqueza reconhecer que não se sabe. Aplica-se a tudo, meus caros, pensem nos jovens políticos !

Pássaro

Mais um trabalho de uma aluna, feito sobre papel. Muito talento, desenha bem, e pinta com sensibilidade e bom gosto. Infelizmente não pode ser muito assídua. Se dedicasse mais tempo iria longe. Este pássaro foi feito em dois dias e ainda não está totalmente terminado. Tenho mostrado estes trabalhos porque merecem incentivo. Mais uma vez digo que como todos podem ter muitos defeitos e têm, mas a capacidade de melhoria é infinita, desde que haja vontade e disponibilidade mental para analisar e auto criticar. Não se conformar, alterar, modificar e melhorar. Como devemos fazer na nossa vida.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Mar

Um mar tirado a ferros de uma das alunas mais talentosas e que gosta mesmo de pintar. Já é um bom começo. Foi várias vezes alterado, procura das melhores soluções, a pintura é tudo menos instintiva e de solução rápida. É muito difícil tudo parecer simples, e mesmo para alguém que se apaixona por ela, caso da minha aluna, o trabalho é custoso, quando o próprio professor é apenas um autodidacta sem formação específica. O mar revolto a mistura da areia com a água está bem conseguida. O resto o tempo há-de aperfeiçoar.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Liberdade

Nos grupos que tenho tentado animar uma palavra que respeito é a liberdade de criar. Aqui o objectivo não é ser o melhor mas fazer aquilo que somos capazes para expressar algo que nos vai na alma, e mcomunicá-lo a alguém. Estre trabalho foi feito pela aluna Cidália, e foi um pedido expresso de uma familiar, que queria algo de parecido com esta ideia. Aqui a criação tem esses limites, a baliza de uma "encomenda" ou de uma prenda que queremos fazer a alguém. Arregaçou mangas e conseguiu. Perfeito, não ! Mas que pediu perfeição?  Fazer um mar é uma tarefa complicada e carece de muita prática, domínio do movimento. A preto e branco tem ainda menos por onde jogar. Mas fiquei feliz com o resultado da Cidália, pois vi o que se esforçou para atingir, e claro estamos a falar de adultos com muita vontade de fazer, o que me apaixona. Acho triste desperdiçar talento, vontade. Assim ficou, e penso que já está nas mãos do seu destinatário. A mim, modesto autodidacta dá-me alegria que os alunos consigam lá chegar, partindo com muita esperança para uma tarefa impossível á partida.

ATL em 2017

Começou a semana passada e hoje entrei para mais uma sessão de iniciação na Pintura. 16 meninos e meninas em Garvão, contam pelo quinto ano com a minha participação, agora em apenas quatro sessões pois o cansaço não ajuda. Este ano o tema geral  são os "estranhos bicharocos", acossados, perseguidos e quase extintos. Decidi começar com o camaleão, simpático réptil, dos poucos, que por estas terras está em risco. Apesar da sua estranha imagem é um doce. Um lagarto com pernas, muda de côr em função do habitat, tem uma visão espacial, e come os insectos projectando a língua pegajosa. Tudo coisas horripilantes. Os meninos aderiram ao bicho e fica aqui um exemplo dessa adesão.

domingo, 9 de julho de 2017

Vi e gostei

São do inicio dos anos 80, já após os meus melhores tempos, jamais poderia ver ao vivo, mas este ano a RTP mostrou em directo, será serviço público, não sei ! Sei que gostei bastante do espectáculo dos Depeche Mode no Alive 2017. Não sendo fã inveterado desta banda sou apesar de tudo apreciador destas bandas que são anti acústicas, e fazem da sonoridade eletrónica o seu forte. Aprecio a sua perenidade e admiro uma banda de sexagenários (ou quase) a ser aplaudida e acompanhada por tanta juventude. Bonito de ver, muitos ficaram pelo caminho, ou estão agora na irrelevância, mas estes são verdadeiros sobreviventes, apesar de não terem mudado grande coisa ao seu registo inicial. Uma música que agrada, não causa transtorno, cheia e bem ritmada. Os anos 80 no seu melhor revistos sem saudosismos trinta anos depois, Não é para todos.

Animal de pequeno porte

Um pequeno animal muito rico nas suas propriedades. A principal, ou aquela que mais me interessa é o mimetismo, isto é a sua capacidade de adaptar o seu aspecto exterior ao meio em que se integra, adquirindo a sua tonalidade. Daí ser sempre comparado a determinadas pessoas, aquelas que usufruem dessa propriedade, sendo aquilo que não são, porque isso lhes permite uma vantagem. São os "camaleões". Estão presentes um pouco por todo o lado, da política aos bombeiros, da Protecção Civil, aos Comandos Distritais, passam por ser gestores pessoas que geriram nada, e aparentemente atendiam chamadas telefónicas. No "Sexta às Nove" da RTP  tantos foram os citados que até arrepia. Mesmo que não seja verdade para todos, a alguns tal se aplicará com as consequências que todos vimos... Mas que coisa. O animal até é um animal engraçado, muito acossado, o que o leva a estar ameaçado, e o seu habitat até já travou demolições na Ria Formosa, pois julgo que o Algarve é o local do país onde ainda os podemos encontrar, embora durante mais de dez anos de estadia nessas terras apenas encontrei três. Os outros, os que apenas lhe tomam o nome estão por todo o lado e sempre prontos a aproveitar as oportunidade, sobretudo no Bloco Central, onde as diferenças são poucas e o mimetismo é mais fácil de aplicar.  O animal da imagem foi produzido em cativeiro por este vosso criado.

sábado, 8 de julho de 2017

Bipolar

Um país bipolar parece ser o nosso. Sentado aqui no meu sofá não saio, não vou ao café, não convivo muito, mas isso dá-me a possibilidade de observar. vejo na televisão. ouço da rádio, leio na net, ou nos jornais, e do que vejo o traço da bipolaridade está lá. Ontem estava tudo no melhor dos mundos, seríamos os maiores, um ministro sem rasgo era comparado com Ronaldo, os indicadores indicavam para o céu, num país "adorado" por hordas de turistas, e campeões, eurovisões e outras embirrações. "Derepentemente" muda a onda, e umas chamas, uns roubos, a baleia azul, passamos da fase maníaca para a depressiva. Volta a tristeza, as demissões consumadas ou pedidas, os suicídios virtuais, ou reais, os políticos da oposição arranjam finalmente discurso, depressivo para variar, e os que governam, pouco habituados à crítica, responde com palavras atabalhoadas, explicações complicadas, que parece esconderem algo. Bem fez o Costa, deixa os afectos para o homem do costume, as explicações para um ministro que se safa sempre, e vai a banhos até que a onda passe, gosta mais da fase maníaca, que volta dentro de momentos.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

As armas e os barões assinalados

Talvez quando Keil do Amaral escreveu o hino não estivesse a pensar nesta perspetiva, a de que armas podiam ser roubadas ao próprio exército, por alguns que decerto contaram com a ajudinha de alguns barões, pois se temos barões na Força Aérea que se atravessam na compra dos paposecos e do toucinho fumado, quando falamos de armas, os valores em jogo serão de outra escala, e terá decerto valido a pena pôr muito em risco neste negócio das Arábias... Vale sobretudo de as coisas correrem como na maioria dos casos, isto é, muita conversa, muito político a exigir o que não fez quando foi Governo, e o querido Presidente a exigir a verdade "toda", como se noutros casos se tivesse conhecido apenas a verdade "em parte". As Glock continuamos sem saber quem as roubou. Esperemos assim que "as armas estejam em boas mãos", como se dizia há uns anos, para que a nossa consciência repouse, afinal alguém deu uso a uma coisa que não era utilizada. Esperemos... espera não custa. ( Estou confuso de tal maneira que troco Camões por Keil do Amaral, e os Lusíadas com o Hino Nacional...  Bolas !!!)

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Whiplash, vontade sem limites

Vi "Whiplash" já do ano passado, curioso que é do mesmo realizador que este ano fez o aclamado "La La Land". É dos filmes mais incentivadores que vi desde sempre. Para quem não conhece o enredo, é simples e resume-se a uma jovem que sonha em ser baterista de jazz. Para mim tem ainda esse suplemento, pois adoro jazz, e jamais vi algo que elevasse tanto o esforço de alguém que quer muito, muito que até vai conseguir. Teimosia, obsessão, fixação, excesso, quando se quer tudo vale. Esforço, trabalho, irracional, animal, preparado para tudo e para todos os trambolhões, os desânimos, os desaforos. Quando se quer muito, até desistir pode ser uma forma de conseguir ! Vencer a barreira de alguém que parece nascido para nos contrariar, para deitar ao chão, e nos diz na cara que essa é uma forma de incentivar... de destruir o lado de auto comiseração que há em nós, o lado medíocre que se conforma com a média, o lado que nos pede descanso na luta, que abranda o guerreiro, que propõe tréguas, que levanta  a bandeira branca a léguas do objectivo, que propõe a paz de espirito quando o mar está por atravessar. Grande lição, grande filme pequeno, pequeno grande filme !

Visita ao avô (Apresentação 34)

Este fim de semana a Francisca visitou o avô, um dos avôs, eu mesmo em pessoa. Tinha feito o seu primeiro ano no dia 17 de Junho, e agora já não é bem um bébé, mas uma rapariga muito simpática, cheia de gracinhas, gostando de agradar, como todas as raparigas, sempre disposta a presentear com mais uma gracinha, mais um sorriso, mais um dedo espetado, mais uma bochecha escancarada mostrando a sua mais recente aquisição, um dúzia de dentinhos. Dormiu aqui pelo Alentejo, tomou banho na sua piscininha, e correu tudo por aqui, de pé, a gatinhar ou pela mão do avô. Uma benesse, conviver com esta vida em grande efervescência, um docinho a pequenina. A energia que comunica encheu o meu ego, afinal algo ali ainda me pertence, um bocadinho do sorriso, uma réstea daquele olhar intenso, um pouco daqueles dedinhos bem feitos. Avô babado, claro que sim. Rendido a tanta simpatia.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Regressar à vida

Depois de um intervalo de mês e meio ressuscitei. Intervalo deu para pensar, recuperar alguma da energia perdida, combater o calor que me derruba, partir em aventuras interiores, dormir, ouvir as músicas do dia, e depois disso tudo decidir se a energia que se gasta na Facebook, Blog e etc, ´tem retorno. Decisão final, não tem ! Não tem retorno, é teclar por teclar, é escrever por escrever, os meus "amigos" estão mais interessados em projectar o seu ego, ou o ego de gurus brasileiros que não existem e se existissem diriam lugares comuns. Mesmo assim aceito que as minhas palavras são lidas por uns poucos amigos, alguns conhecidos e muitos desconhecidos. Por outro lado o meu blog, que é apenas um repositório do que aconteceu, do que criei ou do que inventei, vem de anos, e não quero perder o seu ADN, aquele que me trouxe a paz e e me manteve à tona quando o pesado braço da morte me empurrava para baixo. Assim regresso, até quando não sei. As minhas fotos ficam desfocadas, as minhas palavras ficam gastas, as minhas ideias fazem  refluxo nas bordas do cérebro e retornam ao interior expressando apenas vazio. Por isso o esforço em expressar o meu sentimento e a minha falta de partilha, Por aqui vamos uma estrada comprida, que se percorre sem saber bem em que sentido se vai.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Fátima (1979-2016)

Livro de fotografias do fotógrafo António Pedro Ferreira, do Expresso, com textos de Clara Ferreira Alves, recebi agora a um preço quase simbólico editado pelo Expresso. As fotos cobrem o período indicado, cerca de uma centena, e são extraordinárias, recomendo mesmo, para quem gosta de fotografia, sendo que todas as imagens foram obtidas no Santuário aos longo de quase quarenta anos. Mostra bem de uma forma expressionista o fenómeno de Fátima como raramente o vemos, o grande povo que expressa a sua fé no limite das suas forças, um povo sem esperança, despojado pelas elites que ali encontra a relação directa com o espiritual. O tal catolicismo popular, a esperança dos pobres e deserdados. Dos que acreditam contra tudo, Como diz D. Manuel Clemete "em Fátima cabem todos, mesmo os que não querem caber em lado nenhum". A qualidade das fotografias deixa-nos em silencia a vê-las e a meditar no sentido que têm. É especial.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Galo na telha

Não se trata de uma nova receita equivalente à célebre "fataça na telha", mas de apenas usar uma telha como suporte para a pintura deste vistoso animal. Mais um produto do atelier na Aldeia, e este até foi rápido e o resultado não desilude. Colorido e alegre como convém a um animal que canta. Ninguém mais pensa na panela.

domingo, 14 de maio de 2017

Alentejo à Janela

Durante o fim de semana da Feira de Garvão fiz no local esta janela, a partir de um modelo que está na Messejana. Ficou colorida, luminosa e bonita, para mim. Tem 54x65 e ninguém se importaria de espreitar à janela através deste cortinado. Tem também uma ferragem que permite apoiar os braços e deixarmo-nos estar a ver o que passa. E por ali não se passa, fica-se.


Salvador salva o Festival

Já vai o tempo em que seguia o Festival, o de cá e o de lá, quando lá cantavam o Tordo, o Paulo Carvalho, a Simone, entre outos, e quando lá fora sabíamos que nada era possível, era a "política", como se dizia, Portugal era perseguido pela sua politica colonial, e mesmo quando se fez representar por um negro nada mudou. Depois do 25 de Abril, passou-se para uma fase contrária, com alguns de esquerda a serem também ostracizados, talvez porque a sua mensagem era inoportuna, num Festival musical com intuitos comerciais. Então se era de comércio que se tratava vamos por aí, e durante anos Portugal esteve presente com musicas feitas por medida, tirando excepções, mas mesmo assim "o azar persegue-nos esconde-se à espera". Nessa fase eu pessoalmente não acompanhava nem cá nem lá, e sobretudo lá assistíamos a todas a piruetas, luzes, fogos de artifícios, e até uma cantora de barba tivemos. Nada feito! Agora em 2017 o Festival de cá começou por ser diferente com o convite a diversos músicos de reconhecido mérito, compositores que prezam fazer bem as coisas, e tudo parecia indicar que se iria "cair" numa música complicada, com conteúdo pensado e pesado, uma música elaborada para "não ganhar" pois ganhar já seria piroso. E apareceram os manos, a Luisa com créditos firmados, percurso a partir do jazz, e algumas produções comercialmente rentáveis, mas sempre no meio de boas prestações. O Salvador, menos conhecido, eu apenas lembrava o percurso de qualidade que teve nos Ídolos acabou por dar uma voz e imagem inesperadas. Senti que ali havia algo, uma letra de uma simplicidade tocante, uma música que remete para os grandes clássicos americanos, e uma linha melódica reconhecível sem ser "orelhuda". E afinal haveria interesse em saber qual o destino desta música icónica, pelo que o Festival para mim teve interesse cá e lá. Claro que o de lá apontei para ouvir o Salvador, e a votação, tudo o resto não tinha interesse, com gorilas em palco, cantoras deitadas no chão, ou falsos solos de saxofone, do pouco que vi. Para mim este rapaz salvou o Festival, e curioso, o público europeu recusou a intoxicação. Ele há coisas !

sábado, 13 de maio de 2017

Periferias

Numa das suas homilias de ontem o Papa referiu que percorremos todos os caminhos rumo a todas as periferias. Estou a citar de cor, mas ao contrário dos lideres mundiais este homem procura as periferias, como se nelas estivesse o seu destino. De facto estas periferias são os locais físicos ou espirituais onde é mais difícil estar, onde ninguém quer estar, onde estar não traz conforto, reconhecimento ou retorno pessoal, que não o retorno de tentar mudar. Os lideres preferem as centralidades, o Papa recomenda as periferias, onde estão os deserdados, os excluídos, as guerras, a violência, os carecidos de tudo. Daí se perceber o roteiro deste Papa e a razão pela qual talvez Fátima não fosse para ele uma prioridade. Prefere os locais onde o sofrimento se expõe, onde a desigualdade se afirma como lei, onde a vida é desprezada e a morte é o alívio, tal a dimensão da indiferença. Mais uma vez crentes ou não crentes, homens de boa vontade seguem-no, mas, muitos dos poderosos não acompanham. Atrair a tenção para as periferias, preferir o caminho das pedras. Uma lição para quem não quer aprender.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Luz e trevas

Não sou na verdade um crente, mas a relação com o "não sei quê" não me deixa indiferente, por isso não fico de fora de fenómenos inexplicáveis, daqueles que mesmo mentes mais maquiavélicas teriam dificuldade em inventar. Assim as caminhadas até Fátima, como outras no mundo, de gente simples e que responde a um chamado fascina-me. E pensem bem, a fuga dos refugiados é algo que pode ser associado. Com as devidas distâncias assistimos em qualquer dos casos a uma fuga das trevas rumo à luz protetora. As pessoas hoje sentem um enorme perigo que se aproxima e que pode pôr em causa a própria Humanidade. A ascenção da violência como religião, a indiferença face ao sofrimento humano, a cultura do lucro ganancioso, a validação de politicas tenebrosas, que excluem o ser humano e o tornam simples marionete de líderes boçais, ignorantes e violentos, sejam os Trumps, os Maduros, os Erdogans, os Putins, os Le Pens, os Kim Jung Il, todos os dias vemos as trevas avançar e o refugio na luz é a esperança. Não há coincidências, sei por experiência própria, ainda hoje não compreendo porque estou vivo, e só estou porque certas pessoas certas, estavam na hora certa no local certo, e esse local foi luminoso para mim. Por isso aceito os peregrinos, aceito com simplicidade os que acreditam, mais do que eu, acreditam, se bem que talvez eu tivesse ainda mais razões para acreditar. Também eu conquistei a luz, ou melhor, esta foi-me ofertada por uma mão misteriosa, também eu tenho a minha relação especial com o "não sei quê"

Feira de Garvão

Também por lá tenho algumas coisas expostas este fim de semana, sempre para o mesmo fim. Qualquer dia o meu nome poderá ser "carlinhos da feiras", fazendo jus a um conhecido político entretanto retirado. Mas isso não interessa, pois sinto bem os meus trabalhos nestes ambientes um pouco mais populares. Neste caso no meio de alguns pequenos presentes entretanto feitos por mãos de idosos utentes do Centro de Dia. Quem quiser ver pode passar por lá.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Montinho

A Dona Perpétua já fez montinhos para toda a família. Este era especial para um dia desta semana e suponho que a ideia era fazer oferta. E cumpriu, dentro das suas reais capacidades, monte terminado e entrega feita dentro do prazo previsto, Como diria nos meus tempos de indústria "just in time" com o cliente decerto satisfeito pelo  esforço. Bem haja.

domingo, 7 de maio de 2017

Juventude Odemirense

Pude fotografar a passagem da banda filarmónica nas Festas, e confirmei aquilo que já me parecia uma realidade. o interesse manifesto dos jovens poe estas forma de expressão, às vezes pouco acarinhada ou tida como "careta" ou atrasada. Nada disso a Banda Filarmónica de Odemira, que está na foto tem uma participação esmagadora de jovens, e sabemos que muitos destes jovens fazem da Banda uma escola, aparecendo mais tarde nos Conservatórios, ou em orquestras ou concursos de música. Para mim as vantagens da formação artística são muitas e num mundo formatado, em que todos parece que fazem a mesma coisa, as opiniões estão balizadas pelos algoritmos das redes sociais a formação nas artes ajuda a criar diversidade, educa pela liberdade que proporciona. Achei interessante tantos  jovens numa banda de música e pensei afinal nada está definitivamente perdido, basta procurar que se encontra uma ajuda contra o isolamento do interior e essa pode até estar nas actividades artisticas.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Works

Trabalhos que fiz ou acabei durante a Festas de Maio das Amoreiras Gare, onde estive no passado fim de semana, Algumas das capelas do BA interior, sempre brancas debroadas com o azul ou o amarelo ocre tipico. Um registo artesanal ingénuo e colorido e céus de final de tarde, num Alentejo simples e encantado.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Feira de Amoreiras Gare


Mais uma vez este ano vou estar presente na Feira de Artesanato das Festas das Amoreiras Gare, talvez das festas mais genuinas do interior do BA. Lá se pode ouvir o cante, a viola campaniça, incluindo construtores das mesmas, e vou estar com um pequeno stand da Associação Futura, entidade para que revertem todas as vendas que se façam. As Festas decorrem sábado, domingo e segunda.

sábado, 8 de abril de 2017

Sentar... firme ! (apresentação 33)

Se até aqui parece que havia dúvidas acerca da transição de posições, de pé ou de gatas para sentar, agora isso são sopas de mel ! Sentada vê-se tudo melhor, claro, e podes controlar tudo à volta e espiar o que os pais estão a fazer. É mais uma evolução no caminho do caminhar ! Melhor que deitada, sentada, melhor que sentada de pé ! Tudo ao contrário do que se diz dos alentejanos, mas não faz mal, afinal todos têm razão a seu tempo.

Entre o Barthes e o Zé Gomes

Mais uma pequena janela, bem procurada pode ser encontrada lá para os lados de Santa Luzia, uma simpática terrinha aqui do concelho, solarenga e branca, Depois pode ser posta numa parede, numa mesa de cabeceira, num pechiché ou mesmo numa estante carregadinha de livros, por exemplo entre estruturalismo do Barthes e a poesia militante do Zé Gomes, ou outra qualquer combinação onde fica sempre muito bem. Como dizem nos pacotes de margarina, trata-se de uma "sugestão de apresentação". O original é muito bonito, já a minha interpretação é o que é !

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Fábio o justiceiro

O jovem presidente comunista da freguesia de Carnide, pelos vistos partidário da acção directa, mandou arrancar os parquímetros no centro histórico da vila, para impedir a EMEL de cobrar estacionamento, e além de mandar, passou à acção. Eu até achei piada, a EMEL está mesmo a pedi-las, pois manda pagar primeiro e depois logo se vê do parque para os moradores e dos arranjos que pelos vistos se comprometeu. Talvez o Fábio se tenha excedido, mas fica pela imaturidade dos seus 31 anos, pois tenho ouvido referir que é um bom autarca, e que não hesita na defesa dos seus "fregueses". Agora voltaram a plantar os ditos parquímetros, aguardo as cenas dos próximos capítulos pois o problema é que agora não há nada mais radical a fazer. Não penso que o Fábio queira mandar partir aquilo tudo...

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Porcos

Quem diria que semelhante animal seria disputado para ter uma capital. Pois as diversas capitais do país procuram tirar partido da suas particularidades, e cada um escolhe a capital que quer para si em função da imagem que dá de si. O porco é um animal simpático, é mesmo o animal preferido da grande pintora Paula Rego, mas para outros é impuro, e detestável por encarnar o diabo. Assim no divertido filme "Um porco em Gaza", a única maneira mais ou menos aceitável pelo Islão para criar porcos em Gaza era fazê-los calçar meias, pois assim não pisavam o solo sagrado. Por isso pensei em fazer uma representação de tão distinto animal e por aqui fica um pormenor de uma tela que reconstruí, penso que a melhorei. Porco é porco, mas pode ser belo e insinuante.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Horror

Hoje vimos imagens de mais um ataque com armas químicas no "sítio do costume". Agora em Khan Shaykhum, mais ou menos a meio caminho entre Damasco e Alepo. Mais de uma centena de mortes, onde muitas são mulheres e crianças. Como pode a alma humana descer tão baixo ? Quem fez ? Ninguém, ou melhor, foram os outros. Sendo que o local é dominado por forças que contestam Assad, tudo aponta para o ditador implacável, que não se limita no seu "combate ao terrorismo", com a ajuda de Putin, o homem que se horroriza com atentados no Metro de S.Pittersburgo, combate terrorismo com mais terrorismo. Os homens conhecem o principio dos vasos comunicantes desde os tempos de Pascal, no século XVII, mas cada um pensa para dentro como se um horror na Síria não produzisse um horror em qualquer outro lugar. Só que o horrível não justifica o horroroso. Tudo isto mostra um mundo em que não queremos estar, mas porque é que esta gente não percebe que não temos outro local para ir ?

A gatinha gatinha (apresentação 32)

Parece uma redundância mas não é. Por um lado temos um substantivo por outro um verbo, ou seja uma coisa ou uma pessoa que desenvolve uma acção. Vem a propósito da menina F que francamente já gatinha despachada de quarto em quarto, agarrada põe-se de pé, mas depois não sabe o que fazer com essa postura vertical, pois tudo puxa para o chão, e a força da gravidade não ajuda nada. Assim se passaram nove mais nove meses e vemos que agora se desloca, sem ser preciso alguém a carregar. Se independência é alguma coisa isto já é independência. Perigosamente independente.