sábado, 21 de julho de 2018

A morte é o prolongamento da vida

Vem ao caso uma pessoa amiga que está a passar por momento dificil, ao contactar com graves problemas de saúde de familiares próximos. A probabilidade da morte é sempre uma experiência complicada. Acredito que cada um tem o seu momento, mas esse momento também depende daquilo que fazemos com nós mesmos. Quando não nos ocupamos dos nossos problemas, testamos os limites, exageramos naquilo que nos é nocivo, ou temos uma conduta que nos prejudica. sabemos que estamos a apressar esse momento. Eu próprio tive de conviver com esse momento de uma forma mais directa duas vezes na vida, e confesso que acompanhar o fim de alguém de uma forma intima é arrasador. Já acompanhar o seu próprio fim me parece mais "aceitável". Passei por essa experiência, embora a luz da esperança nunca se tivesse apagado, e sempre pensei para comigo, mesmo nos piores momentos, que a morte seria um processo natural, não seria apenas um apagão, mas uma transformação noutra coisa. Um prolongamento da mesma matéria, para outra finalidade, e para quem estava muito doente, era o caso, seria quase uma libertação, do sofrimento, da imagem do que causamos nos outros, e da nossa própria imagem quando nos olhamos ao espelho e vemos aquilo em que nos transformámos. Outra coisa que julgo ter entendido é que a morte é um processo solitário. Nada nos adianta a confusão, o drama ou a agitação. Nunca perder a esperança, mas aceitar a dádiva.
Não quero fazer teoria acerca de nada, mas esperança é fundamental, e não são os outros que a trazem, muitas vezes é o contrário, são eles que nos ajudam a descrer.

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